O Libertador Louvado
Quando procuramos compreender o contexto histórico do Salmo 146, uma tradição antiga judaica, refletida na tradução do Antigo Testamento ao grego na versão conhecida como a Septuaginta (LXX), dá uma pista. Essa tradição atribui o livro aos profetas pós-exílicos Ageu e Zacarias. Mesmo não tendo certeza sobre a autoria ou data do Salmo, sua mensagem se ajusta bem àquele contexto, enquanto também oferece ensinamento aplicável em nossas vidas.
Esse é o primeiro de cinco Salmos de “Aleluia”, hinos que iniciam e encerram com essa palavra, que significa “louvado seja o Senhor”. O autor começa com suas próprias declarações de adoração: “Aleluia! Louve, ó minha alma, o Senhor. Louvarei o Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu viver” (Salmo 146:1-2). Para ele, o louvor é um dever e um privilégio que envolve todo o ser para toda a vida.
Em contraste com essa devoção ao Senhor, ele fala de uma das principais lições aprendidas pelos judeus durante o cativeiro: “Não confiem em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles voltam ao pó; nesse mesmo dia, acabam todos os seus planos” (Salmo 146:3-4). Antes da queda de Jerusalém, profetas como Isaías e Jeremias tentaram conduzir o povo de volta para Deus, alertando sobre a futilidade da busca de alianças com os impérios que lutavam para dominar a região. Nenhuma das grandes potências da época foi capaz de salvar a nação.
O resto do hino (Salmo 146:5-10) apresenta motivos para depositar a confiança no Senhor, o único capaz de criar, salvar e reinar para sempre. O salmista introduz uma série de provas do poder divino com estas palavras: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus” (Salmo 146:5).
Encontramos nesse Salmo lições atuais:
(1) O perigo de confiar em homens para a salvação: É comum até cristãos depositarem sua fé em políticos, procurando eleger presidentes e outros que vão promover as políticas “certas” para “salvar” nações inteiras.
(2) A confiança no único verdadeiro Salvador: A salvação genuína é realizada unicamente pelo Criador, o único capaz de libertar os cativos.
(3) O louvor contínuo como resposta: A salvação, a libertação dos nossos pecados, é motivo para nos dedicarmos à adoração ao Senhor durante toda a nossa vida, como esse salmista prometeu fazer.
Deus, o verdadeiro Libertador, merece nosso louvor.