A campanha para o Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta sexta-feira (7), trata sobre a depressão, transtorno que pode afetar pessoas de todas as idades, em qualquer etapa da vida. Com o lema “Let’s talk” (“Vamos conversar”, em português), a iniciativa reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de tratá-la, considerando que ela pode levar a graves consequências.
O médico erechinense, especialista em psiquiatria, Diego Dexheimer, explica que hoje em dia as pessoas têm mais conhecimento sobre a depressão, sabem que não é um tipo de fingimento e não depende de escolha. “A depressão ainda não é considerada doença, pois a Organização Mundial da Saúde orienta que para definir como patologia é preciso saber a etiologia, como funciona, o que está implicado em termos biológicos e ainda não temos essas definições”, pontua.
Para o especialista, precisamos iniciar a reflexão sobre os motivos que podem estar relacionados, já que pesquisas apontam que a depressão é considerada o “mal do século”. “Isso é muito grave, já houve essa associação a outras doenças. Pensando nisso, lembramos da Fluoxetina, que chegou a ser considerada a “pílula da felicidade”, e muitas pessoas acreditaram nisso. Sabemos que não é assim. Falamos muito durante a terapia, que muito do que acontece, é culpa dos nossos pais, mesmo sabendo que não é isso. Contudo, algumas gerações talvez tenham utilizado uma espécie de “superproteção”, na tentativa de evitar que esses filhos passem por determinados desafios, dificuldades, fatores que são importantes e possibilitam o crescimento, a evolução do ser humano”, explica, citando ainda, que muitas pessoas deixaram de se frustrar e com o tempo foi se perdendo um pouco do valor das coisas.
Diego comenta que crianças foram criadas com uma construção ilusória de que dificuldades devem ser evitadas, e isso assustou um pouco essa geração e fez com que muitos se "fechassem" e ao mesmo tempo, se manifestassem deprimidos, desmotivados. Além disso, segundo o médico, há muito individualismo, as pessoas não pensam muito na coletividade, e aos poucos, perdemos a capacidade de nos relacionar. “Isso é o extremo que pode levar à depressão. Hoje em dia as pessoas conversam mais pelas redes sociais do que pessoalmente. Como diz um personagem de um seriado, ‘iremos precisar cuidar melhor uns dos outros e nos tratarmos melhor’. Isso tudo é mais eficiente do que as medicações. A prevenção é o melhor remédio”.
Diego enfatiza que temos que nos preocupar e entender o que está acontecendo. Os principais problemas psiquiátricos estão relacionados às causas depressivas e ansiosas.
“A tristeza, a ansiedade são características normais, dependendo do contexto. O problema é o excesso. O sofrimento é a chave para identificar quando as coisas “saíram do controle”. Do mesmo modo, a depressão pode se manifestar independente da faixa etária, e muitas vezes sem uma razão determinada. Por isso nem sempre é possível identificar quando uma pessoa está com depressão”, esclarece.
Tratamento
Pacientes psiquiátricos tem o hábito de se fechar, de resistir inclusive ao tratamento, afirma o especialista. “Devemos estar atentos e falar sobre o assunto para evitar problemas ainda mais graves. Familiares, amigos e profissionais de saúde devem participar do processo de recuperação. Ainda há barreiras a serem superadas quanto à importância e busca por ajuda”, salienta.
O tratamento psiquiátrico conta com alternativas como a internação, a qual é considerada importante pelo especialista. “É importante a ressocialização, no entanto é preciso avaliar se há condições de os pacientes estarem convivendo com os familiares e amigos em um quadro grave de depressão, por exemplo”, cita, reforçando que os espaços de tratamento devem ser encarados como algo temporário e que em seguida os pacientes poderão retornar às atividades.
Conversar abertamente sobre depressão é o primeiro passo para entender melhor o assunto e reduzir o estigma associado a ele. Assim, cada vez mais pessoas poderão procurar ajuda.
Serviços de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Erechim
No município, para o tratamento da depressão há o Ambulatório de Saúde Mental que desenvolve dois tipos de atendimento: psicoterapia individual e psicoterapia de grupo. Funciona diariamente das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h, com agendamento prévio.
Conta com equipe de psicólogos, médico clínico geral e médico psiquiatra. O Ambulatório de Saúde Mental atende, semanalmente, em média 80 pacientes individualmente e 60 pacientes através da Rodaterapia (psicoterapia de grupo). Destes, 70% apresentam diagnóstico de depressão. Dos pacientes em tratamento, 80% são mulheres, 15% homens e 5% crianças ou adolescentes. A forma de acesso ao Ambulatório de Saúde Mental é através do encaminhamento da equipe médica da UBS - Unidade Básica de Saúde do bairro em que a pessoa mora, ou ainda através dos encaminhamentos realizados pelas escolas, Conselho Tutelar, hospitais, Creas e Cras.
CAPS – AD: (Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas):
Atendimento aos pacientes com transtornos mentais graves decorrentes do uso de substâncias psicoativas e seus familiares. Conta com equipe multiprofissional , funcionando diariamente das 8h às 18h.
CAPS – II: (Centro de Atenção Psicossocial -II)
Atendimento aos pacientes com transtornos mentais graves, crônicos e persistentes e seus familiares. Conta com equipe multiprofissional, funcionando diariamente das 8h às 18h.
Para mais informações, o telefone da Secretaria Municipal de Saúde está à disposição: 3520-7200.