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Saúde

Automedicação: prática comum, saúde em alerta

Profissionais destacam que uso de remédios por conta própria pode causar sérios riscos ao organismo humano

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Por Izabel Seehaber izabel@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Quando você sente dor ou mal estar, qual a primeira coisa que faz? Para 68% dos brasileiros a resposta é simples: automedicação. Uma pesquisa realizada pela NZN Intelligence traçou o perfil do brasileiro que se automedica.
De acordo com o levantamento, a automedicação é uma realidade entre os brasileiros, que cada vez mais contam com a internet para procurar sintomas de doenças e nomes de medicamentos. O levantamento aponta que 37% dos brasileiros procuram os sintomas na internet quando se sentem mal. Segundo o Ministério da Saúde, quase 60 mil internações causadas por automedicação foram registradas no Brasil entre 2009 e 2014.
A pesquisa ainda destacou os tipos de medicamentos mais utilizados entre os brasileiros: analgésicos (88%), anti-inflamatórios (67%) e antiácidos (48%). Por outro lado, os menos consumidos são os medicamentos homeopáticos (7%), os controlados (5%) e aqueles para emagrecer (5%).
O que você faz quando se sente mal?
Perguntados sobre as medidas tomadas quando têm algum problema de saúde (com múltiplas respostas permitidas), os pesquisados responderam que suas principais atitudes são procurar os sintomas na internet (37%), conversar com amigos ou familiares (31%) e utilizar medidas caseiras como chás (26%).
Enquanto isso, apenas 16% das pessoas disseram que vão à farmácia e 14% afirmaram que vão ao médico, mostrando que existe uma preferência entre os pesquisados por tentar resolver seus problemas de saúde por conta própria.
Riscos à saúde
Conforme o delegado regional do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, médico pneumologista de Erechim, Luís de Luca, existem muitos casos de pessoas que ainda optam pela automedicação e desconsideram os riscos deste ato. As situações mais comuns referem-se às dores em geral, febre, resfriados, gripes e outros casos em que os sintomas parecem "simples" de serem resolvidos. "Esse comportamento traz preocupação, sendo que um medicamento utilizado de forma equivocada pode causar doenças graves. Além de não resolver, adia o diagnóstico correto, além dos efeitos colaterais, os quais acompanham todos os medicamentos", salienta.
Muitas pessoas têm o hábito de comparar os sintomas com os apresentados por vizinhos e familiares. "Esse auto- diagnóstico é complicado e ainda tem o contato e referência da internet, o que pode oferecer ainda mais riscos", alerta.
O médico reforça que todas as pessoas que apresentarem algum sintoma, através do qual, sentiram a necessidade de fazer uso de algum medicamento, procurem antes o profissional adequado.
Entre os públicos que mais costumam realizar a automedicação, estão os idosos. Além do "hábito" de fazer uso de medicamentos por conta própria, o especialista cita que há também a automedicação indireta - por meio da qual o adulto concede o remédio sem a correta orientação para as crianças - por exemplo.
Orientação é fundamental
Na opinião do farmacêutico e coordenador do curso de Farmácia da URI de Erechim, profº Luiz Carlos Chicota, a automedicação é altamente nociva para o ser humano. Diante disso, a orientação profissional, seja do médico ou do farmacêutico, é essencial para evitar complicações na saúde e no bem-estar. "É fundamental considerarmos os sintomas iniciais, a hora que o remédio será ingerido, quais os outros medicamentos que o paciente faz uso, entre outros fatores", explica, citando o exemplo de um paciente que utiliza um anticoagulante e também outro remédio para o coração. Se não houver o controle e orientação, pode ocorrer o chamado "sinergismo" - o qual representa o aumento do efeito do outro medicamento. Essa potencialização sinaliza para outros problemas. "É necessário que haja uma mudança de postura e uma conscientização por parte da sociedade. Cada medicamento reage de uma forma específica no organismo e, devemos lembrar que é uma substância tóxica, isso quer dizer, se não houver cuidado, pode levar a sérios riscos", reforça, destacando que habitualmente muitas pessoas fazem uso de analgésicos e antiinflamatórios, sem considerar a importância do controle e da indicação adequada.
Portanto, a consulta ao médico e a orientação do farmacêutico são imprescindíveis. Chicota reitera ainda, que a população não pode se deixar levar pelo aspecto comercial e deve priorizar a atenção à saúde.

 

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