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Saúde

Especialista alerta para o uso controlado de anorexígenos

A endocrinologista Elisiane da Rosa Baldissera destaca que medicamentos contra a obesidade são importantes mas é preciso considerar as particularidades dos pacientes

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Por Izabel Seehaber izabel@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Na semana passada foi sancionado pelo presidente em exercício Rodrigo Maia, o Projeto de Lei 2431/11, que impede a Anvisa de proibir a produção e comercialização dos derivados dos anorexígenos. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 20. Com o decreto volta a ser permitida a produção e comercialização dos derivados dos anorexígenos (mazindol, femproporex e anfepramona) e da sibutramina (que estava sendo comercializada com restrições, com um termo de responsabilidade) para o tratamento da obesidade.

O tema está gerando polêmica e divergência de opiniões. Para esclarecer melhor o assunto, o Bom Dia conversou com a médica endocrinologista de Erechim, Elisiane da Rosa Baldissera, que lembrou que a suspensão desses medicamentos foi determinada no final de 2010 pela Anvisa. A determinação baseava-se em estudos científicos e no parecer da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme). A nota técnica da instituição apresentou argumentos de que essas substâncias podem trazer mais riscos do que benefícios à saúde dos pacientes.

Conforme a especialista, basicamente a função dos anorexígenos é inibir a fome. Diante disso, tanto as anfetaminas como a sibutramina, atuam sobre o sistema nervoso central, em uma região do cérebro responsável pelo controle da fome e da saciedade. “A principal diferença é que elas emitem mensagens distintas para o organismo. As anfetaminas atuam especificamente no centro da fome, são inibidores de apetite, com potencial estimulante. A sibutramina não controla o apetite, apenas promove saciedade. As pessoas que fazem uso desse medicamento comem menos não pela ausência de fome, mas por que se sentem saciadas rapidamente”, explica, citando que a sibutramina não tem outra utilidade a não ser o controle da obesidade e a redução de peso. Já as anfetaminas são recorrentemente usadas para outros fins, principalmente por seu potencial estimulante.

Ao indicar o uso dessas medicações são observados vários fatores e o paciente deve ser avaliado como um todo. Elisiane explica que a obesidade é multifatorial e não pode ser tratada apenas “tirando” a fome do paciente. “O tratamento requer um ajuste fino entre comportamento e metabolismo, algo muito complexo de se fazer. Obesidade é uma doença crônica, que em vários casos já vem acompanhada de outras comorbidades, como: hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, diabetes, doenças cardiovasculares, distúrbios psiquiátricos, doenças articulares, distúrbios do sono, entre outras”, salienta.

Tais problemas muitas vezes já contraindicam o uso da medicação. Nesse contexto ela alerta que é importante lembrar que a obesidade é uma doença séria e não apenas uma questão de estética e que nenhuma medicação é efetiva no combate a obesidade se não vier acompanhada de mudanças no estilo de vida (boa noite de sono, cessação do tabagismo e etilismo, alimentação equilibrada e exercício físico).

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais dessas medicações podem ser inúmeros: agitação, hiperatividade, pupilas dilatadas, rubor, boca seca, disfunção erétil, dor de cabeça, taquicardia (palpitações), arritmias, aumento da pressão sanguínea, constipação, sudorese, visão turva, fala prejudicada, tontura, tremor, insônia, alteração humor, ansiedade, nervosismo, euforia, percepção de energia elevada, comportamento repetitivo, excitabilidade.

Riscos à saúde e ao bem estar

Segundo a médica, existem riscos relacionados ao uso dessas medicações. Os principais são: risco de aumento de doenças cardíacas e doenças psiquiátricas. Mas o risco do uso dos emagrecedores está mais relacionado à prescrição e ao uso indevido do que a farmacologia da medicação.

Restrições médicas nas indicações

“Os anorexígenos são contra-indicados em pacientes com antecedentes psicóticosou com transtornos de ansiedade, em epiléticos não tratados, na hipertensão arterial severa ou não tratada, em crianças, em idosos, em pacientes com história anterior de intolerância aos anorexígenos ou de abuso de drogas, na gravidez (ou suspeita), na lactação, hipertireoidismo, cardiopatias severas, porfirias e glaucoma”, pontua a especialista.

Controle para evitar o mau uso

Para Lisiane, o grande problema que ocorreu com os anfetamínicos, como com quase todas as medicações, foi a deturpação do uso correto. "Como em tudo na vida, o mau uso, o uso sem indicação precisa, sem o critério ideal acaba apagando os benefícios", afirma. A Sociedade Brasileira de Endocrinologiae Metabologia (SBEM) defende que é necessário o controle desses medicamentos para evitar o uso indiscriminado dele, mas enfatiza que os anorexígenos são importantes para o tratamento da obesidade.

A determinação de indicar o medicamento ou não, cabe ao especialista." Retirá-los do mercado não é a solução para evitar o uso inadequado. A fiscalização da comercialização desses remédios deve ser feita (prescrição em receituário azul B2), mas é fundamental estarem disponíveis no arsenal terapêutico dos médicos que trabalham seriamente com obesidade", reforça, citando que “o uso racional desses medicamentos sempre foi defendido pela SBEM. São substâncias antigas que têm um valor de comercialização baixo e, por isso, podem ser utilizadas como uma opção principalmente para os pacientes da rede pública no tratamento da obesidade”, enfatiza, citando ainda, que os medicamentos são eficazes e apresentam baixo risco, quando utilizados de forma correta e sob prescrição ética.

Por isso, às pessoas que desejam emagrecer ou apresentam casos de obesidade na família, vale o alerta: “Consulte, faça exames e siga as orientações do seu médico de confiança que indicará o que é melhor para seu caso, para sua saúde”.

 

 

 

 

 

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