Temido por muitos, o serviço pode trazer diversos benefícios se utilizado com consciência
Sempre que o professor Antônio Augusto Iponema Costa realiza uma compra, a opção de pagamento escolhida é crédito. Mas, ao contrário do que pode parecer, não é por descuido com os gastos, já que o cartão oferece benefícios como o sistema de pontos, que podem ser substituídos por produtos, passagens, entre outros.
As vantagens do cartão são bem administradas pelo professor, que após as compras efetua o pagamento pelo serviço de Home Banking (pela internet), deste modo, a fatura da conta chega zerada no mês seguinte e ele consegue ter controle das despesas.
O gerente geral do Banrisul de Erechim, Aguinaldo Rehfeld, define o cartão de crédito com o melhor meio de pagamento disponível, se utilizado com racionalidade. “Além da segurança proporcionada ao evitar a utilização de dinheiro vivo, possibilita compras presenciais e virtuais sem a necessidade passar pelo estresse do crediário ou consulta de cheques, que aliás, vem perdendo a preferência dos clientes há muito tempo”.
Antipatia ocasionada pela falta de organização financeira
O gerente explica que quem não possui educação financeira acaba criando antipatia pelo serviço. “Há um preconceito muito grande em relação ao cartão de crédito. As pessoas que não possuem organização compram de forma indiscriminada e acabam tendo que parcelar as faturas e aí entram numa ciranda ocasionada pelo alto custo cobrado pelas administradores”, pontua.
Para quem sabe organizar as contas, o cartão traz diversas vantagens, de acordo com o gerente. “Se bem utilizado o cartão oferece inúmeros planos de benefícios, que além de proporcionar a isenção permanente de anuidade vai permitindo o acúmulo de pontos que podem ser convertidos em milhas para adquirir passagens aéreas, pacotes turísticos, ser trocadas por produtos diversos além de seguros de vida, atendimento médico hospitalar, serviços de guincho, e reservas preferenciais em restaurantes e aeroportos (de acordo com cada tipo de cartão)”.
Para obter essas vantagens, Rehfeld orienta que o consumidor a observe o seu cartão já que “por preguiça, desinformação ou pela cultura do brasileiro há um enorme desperdício de dinheiro em milhas não resgatadas por boa parte dos usuários do cartão de crédito. Analise a fatura mensal e se seu cartão possui prazo de validade ou limitação de quantidade de pontos para transferência”.
Mas, administrar os gastos do cartão de crédito nem sempre é uma tarefa fácil e quem não for cauteloso como Antônio Augusto Iponema Costa pode acabar caindo no famoso efeito bola de neve, devido aos altos juros atribuídos ao serviço.
Taxas de juros sobem pelo 16º mês seguido
As taxas de juros das operações de crédito voltaram a subir em janeiro de 2016, na 16ª elevação consecutiva, de acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A taxa média de juros geral para pessoa física, subiu 0,11 ponto percentual de dezembro para janeiro deste ano e atingiu 7,67% ao mês (142,74% ao ano). Esse é a maior taxa de juros desde fevereiro de 2005.
De acordo com o diretor de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, um dos motivos que explica as elevações dos juros é o cenário econômico que aumenta o risco dos índices de inadimplência também subirem. “Este momento se baseia no fato de os índices de inflação estarem mais elevados, com aumento de impostos e juros maiores, que reduzem a renda das famílias. Agregado ao baixo crescimento econômico, deverá promover crescimento dos índices de desemprego”, disse Oliveira.
Ele acrescentou que como as expectativas para 2016 “são igualmente negativas quanto a todos estes fatores”, as instituições financeiras aumentam suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência. O outro fator que explica a elevação das taxas é o aumento das taxas de juros futuros, por conta da turbulência política e econômica.