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Economia

Construção civil na corda bamba

Cenário do setor é reflexo da retração na economia, agravado pela redução de linhas de créditos bancárias

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Foto: Larissa Paludo
Por Larissa Paludo - larrisap@jornalbombia.com.br

Cenário do setor é reflexo da retração na economia, agravado pela redução de linhas de créditos bancárias

A vegetação cresce rapidamente em prédios inacabados e placas, em frente a imóveis, com as frases “aluga-se” “vende-se”, viraram cenas corriqueiras em Erechim. As obras que seguem, demoram pelo menos o dobro do tempo para serem concluídas, já que o número de trabalhadores foi reduzido. A incerteza econômica afeta a construção civil, que vivência um dos piores momentos dos últimos anos. 

A queda nas vendas de materiais de construção, de 20,5%, em janeiro se comparado com o mesmo período do ano passado, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e o índice negativo de 533 demissões a mais que contratações, em Erechim, na Geração de Emprego do Ministério do Trabalho, ajudam a delinear o cenário econômico do setor no município. 

Na empresa do arquiteto Gilmar Fiebig, as vendas caíram em torno de 30% em 2015 com relação a 2014. Segundo o empresário, o cenário do setor é reflexo da retração na economia. “A construção civil, em especial, enfrenta um momento delicado ocasionado pela redução de créditos de financiamento. Com baixos investimentos no setor, a situação afeta o comércio de materiais e aumenta o desemprego”, explica Fiebig.

O empresário, que também é vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário (Sinduscon) de Erechim, acredita que “com a economia nessa situação e os financiamentos mais complicados, as empresas deixam de investir, reduzem os gastos e demitem funcionários. Sem emprego, reduz o poder aquisitivo do consumidor. Consequentemente, o governo deixa de receber dinheiro, já que é do consumo que saem os impostos. Todos perdem”, afirma.

Mercado estava aquecido há anos, diz economista 

Segundo a economista Rubiele Tartas, o setor enfrenta dificuldades pois, “nos anos anteriores, o governo incentivou o mercado imobiliário como forma de aumentar o consumo, tanto com programas sociais quanto com a expansão do crédito. Então movidos pelas facilidades de parcelamento com taxas de juros mais baixas e com programas, como o Minha Casa Minha Vida, a procura por imóveis aumentou, o que aqueceu o mercado da construção civil”.

Com o atual cenário econômico, conforme Rubiele, o governo aumentou as taxas de juros e restringiu o acesso aos programas sociais. “Se tornou mais complicado para as famílias adquirirem imóveis e isso desacelerou a procura. As empresas de construção civil já tinham muito imóveis sendo construídos ou prontos pra venda, como não conseguem mais vender, precisam cortar custos e passaram tanto  a demitir trabalhadores como também pararam de contratar novos trabalhadores”, conclui.

Bom momento para investir, acredita especialista

Rubiele Tartas esclarece que as ações do governo ainda não estão surtindo efeito, logo diminuem as expectativas de melhoras na economia para 2016. “O mercado imobiliário tende a permanecer desaquecido este ano ainda. Para quem tem um dinheiro sobrando, esse é um bom momento para investir. Com a baixa procura os preços dos imóveis baixaram e a pechincha pode ajudar mais ainda, pois os donos de imóveis podem acabar cedendo preços menores, devido a situação que se encontram”, aponta.

Possível solução

Para Fiebig, enquanto os governantes não acertarem a economia de um modo geral, e devolverem a confiança a funcionários e empresários, para que se invista novamente no país, a perspectiva é de que será um ano difícil. “Para a situação econômica melhorar, precisamos de um choque de confiança”, frisa. 

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