Fruticultura e pastagens estão entre as áreas beneficiadas com o processo
Uma técnica que, quando aplicada nas propriedades rurais, pode favorecer as culturas, principalmente nos períodos de estiagem. Estamos nos referindo à irrigação, que tem origem em uma reserva de água para utilizar quando houver mais necessidade. Nesse sentido, os sistemas podem contribuir no desenvolvimento de plantas e fazer a diferença no resultado da produtividade.
Um exemplo disso é possível verificar na propriedade da família Marchetto, residente na Linha Bela Vista, interior de Jacutinga. Loreni, a esposa e filhos, cultivam há mais de 20 anos, o figo da variedade “roxo de valinhos”.
Marchetto possui seis hectares de área plantada do fruto, sendo que cinco estão inseridas no processo de irrigação por gotejamento. O sistema foi implantado em julho de 2014 com o investimento de R$ 27 mil, sendo que o valor de R$ 9.600 foi conquistado através de um programa do governo estadual.
O agricultor destaca que o método da irrigação não consome energia elétrica e é utilizado também na horta para cultivo de tomate e outros vegetais.
No ano passado ele precisou utilizar mais o sistema no período de estiagem. “A irrigação possibilita que a produção seja até dobrada. Se ocorrer uma seca, temos uma garantia para que o fruto se desenvolva e mantenha o teor de açúcar e todas as características fundamentais e que representam a boa qualidade”, comentou.
Outro aspecto importante é a manutenção de equipamentos, com a revisão adequada das instalações.
Investimentos e resultados
Marchetto pretende fazer mais investimentos, tais como terminar as obras do reservatório de água e plantar grama. Ele está muito satisfeito com o trabalho, mesmo que neste ano tenha sido registrada uma queda brusca na produção. Em 2015 foram colhidos 100 mil quilos do fruto e a perspectiva é que agora sejam colhidos menos de 40 mil. “Gostamos muito, porém não é fácil. Exige muito cuidado e dedicação”, ressaltou.
Trabalho em família
Cinco pessoas da família atuam no cultivo dos figos. O trabalho árduo, cuidadoso e manual da colheita, inicia às 5h30 e abrange o período de janeiro até metade de abril.
Além do sistema de irrigação por gotejamento, há também o de fertirrigação (método de nutrição diluída na água para irrigação).
A outra técnica é o óleo de soja, que aplicado diretamente nos figos, induz o amadurecimento e inibe o contato dos bichos que podem estragar o fruto.
“A área plantada favorece o cultivo dos figos, pois é arejada, ensolarada”, destacou o engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional (ATR) da Emater, Cesar da Rosa.
Aos consumidores a orientação é que refrigerem o fruto, o mais rápido possível.
Os figos são comercializados em Erechim, Tapejara, entre outras cidades. A maior quantidade é vendida para consumo in natura. Atualmente o preço é de R$ 7 para uma bandeja com um quilo.
Incentivo e acompanhamento
Cesar explica que desde 2011 até este ano, a Emater acompanhou a criação de 176 projetos de açudes, 287 de irrigação e 51 de cisternas.
Em se tratando de irrigação, ele reforça que os sistemas são muito importantes. “A cultura do figo, por exemplo, carece de muita água para formação do fruto. Por isso, a irrigação pode auxiliar muito”.
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