Farmacêutica erechinense diz que venceu barreiras para inaugurar espaço de entretenimento
“Se você quer amor, chegue aqui. Se quer esquecer a dor, venha para cá” trecho da música de um rapper brasileiro inspirou a farmacêutica Francine Biermann, junto com seu sócio Vinícius Tomasi, a abrir um espaço cultural e ser uma das primeiras mulheres empreendedoras a seguir no ramo de entretenimento em Erechim.
“A música sintetiza tudo que queremos para a casa: conseguir unir vários grupos de pessoas para conviver de forma harmônica, fazer com que as pessoas se sintam amadas e saiam melhores do que quando entraram. Que elas se permitam e sintam esse lugar”, completa Francine.
O espaço, que assim como a música leva o nome de Bogotá, surgiu com referência na figura cultural e voz crítica de Criolo. “Não são apenas as canções, nos espelhamos na figura que ele representa – por ser negro, vir da favela e construir algo tão bom para o rap. A partir disso queremos alavancar projetos de debates, oficinas, e demais atividades que permeiam cultura e fomentem reflexões sociopolíticas”.
Preconceitos e dificuldades no caminho
A idealização do projeto engatinhou por dois anos e enfrentou muitas dificuldades até a inauguração. Do plano diretor aos aluguéis caros, o empecilho mais difícil de cicatrizar do processo foi o preconceito contra a mulher.

“Quando comecei a reforma, eu não sabia que o preconceito era tão estampado, mas foi. No começo, eu não dava muita bola, mas depois ficou complicado. Sofri assédios e houve vezes que eu não queria ir aos lugares, mas recebi apoio do meu sócio e não abaixei a cabeça para ninguém. A gente ouve falar do preconceito que as mulheres enfrentam na profissão, mas nunca havia sentido na pele”, esclarece.
Também houve vários equívocos quanto ao intuito da casa, segundo a empreendedora. “As pessoas olhavam estranho: o que será que essa menina quer? Porque além de o empreendedorismo feminino ser bem menor, eu estava investindo no ramo de entretenimento. Muitas pessoas chegaram a pensar que seria um prostíbulo”.
A busca por igualdade
O preconceito, segundo Francine, é uma desconstrução social e só vai diminuir quando as mulheres tomarem a frente e disserem “o lugar é meu, eu sou capaz e eu que vou. Porque as vezes temos medo dos obstáculos, mas temos de tomar todas as frentes e nos jogar, pois só assim conquistaremos igualdade”.