Criar um espaço de diálogo com o poder público e com a sociedade civil é essencial para avançar na construção de uma cidadania plena para a população. Essa é a avalição do doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Douglas Alves, que vai palestrar no 1º Fórum LGBT+ do Alto Uruguai. O evento ocorre hoje (28), às 19h30, na Câmara de Vereadores de Erechim.
O ato também marca o lançamento da Associação Liberdade do Alto Uruguai. Conforme uma das idealizadoras do coletivo, Giovanna Deotti Alves, a Associação visa fortalecer os direitos das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). "Nos reunimos algumas vezes e percebemos a necessidade de se ter uma associação no Alto Uruguai para que pudéssemos atuar contra a homofobia, bem como, dar suporte e apoio a esse grupo", contou em entrevista ao Jornal Bom Dia.
Giovanna destacou ainda, que a "Capital da Amizade" está se expandindo e para seguir se desenvolvendo é preciso considerar a dimensão social. "Erechim está se tornando uma cidade grande, então já está na hora de discutirmos políticas públicas para a população LGBT. No município temos poucos casos de homofobia por agressão física (inclusive já fui agredida), mas a violência verbal é muito constante, precisamos mudar esse cenário para evitar que essa agressão verbal se torne física".
Com isso, ela acredita que o Fórum é um dos primeiros passos para ampliar o debate junto à sociedade. "A ideia surgiu como meio de apresentar nossas propostas e, assim, romper com alguns paradigmas e estereótipos, reeducando a visão que as pessoas têm sobre o público LGBT e colocar em prática nossos direitos", concluiu.
"Momento para colocar a região em sintonia com o País"
O cientista político observa que avanços significativos estão acontecendo no Brasil e esse Fórum é um momento importante para inserir a região Alto Uruguai nas discussões nacionais. "Minha fala será dividia em três momentos: história do movimento LGBT, apresentar como os grupos se organizaram no País e, por último, comentar a situação atual. Hoje temos muitas novidades, tais como a aprovação do casamento homoafetivo e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que criminaliza a homofobia. Essas conquistas são muito importantes e esse Fórum deve colocar Erechim em sintonia com o restante do Brasil", pontuou, acrescentando também, que o diálogo com o a sociedade civil e a atuação junto ao poder público possibilita efetivar a cidadania das pessoas LGBT. "Estatisticamente, o Brasil é um dos países que mais matam pessoas LGBT do mundo, ou seja, é muito violento. Neste sentido, criar esse espaço é muito importante para começarmos a pensar formas de combater a homofobia e prevenir a violência contra pessoas LGBT. Além de fazer a região construir uma cultura de respeito e valorização à diversidade", concluiu o professor.
Representatividade
O evento será mediado pela acadêmica em Geografia da UFFS, Poliana Rosa. Para ela, a oportunidade significa, sobretudo, representatividade. "Fiquei muito surpresa com esse convite e como nunca mediei um debate, estou ansiosa. No entanto, é um espaço muito significativo e é necessário ter representatividade. Afinal, sou uma mulher, negra e LGBT. Com isso, é bom que tenham pessoas assim para representar aqueles que pensam igual a mim e, de alguma forma, acredito que precisamos nos ajudar", relatou à reportagem.
Poliana ressaltou também, que a Associação é necessária para atuar contra a violência aos LGBT. "Se acontecer alguma coisa, nós já teremos um coletivo organizado, para dar apoio e orientar", concluiu.
A origem da data
Conforme o cientista político, os organizadores escolheram este data, 28 de junho, por ser considerado o Dia Mundial do Orgulho LGBT. "A origem é a partir do episódio de Stonewall, nos EUA, momento que iniciou os a organização política dessa população. Nos primeiros anos era o Dia Mundial do Orgulho Gay e agora ampliou a todos os LGBT", concluiu Alves.