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O Sapateiro de Bruxelas e a Caponata Eleitoral

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Alcides Mandelli Stumpf
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

Hoje o Sapateiro de Bruxelas apresentou no Café uma receita das mais saborosas proveniente da culinária política local. O velho artesão, grande apreciador das artes culinárias e políticas, deliciou-se ao discorrer sobre o quitute.

Já de início alertou: “Para uma boa Caponata Eleitoral, são necessários ingredientes de diversas formas, espessuras, consistência e procedência. Quanto mais variadas as misturas, melhor para os comensais e mais saboroso será o prato ao final. O tempo de preparo vai de março a outubro, de quatro em quatro anos.  Embora alguns Chefs, mais previdentes e proativos, não deixem de trabalhar continuamente em prol da tão sonhada ágape. A dosagem de cada ingrediente partidário pode variar com a intensidade de aromas ou fortidão dos candidatos, sempre visando a harmonização com o paladar e gosto preponderante da maioria dos eleitores. O que importa realmente – como em toda obra artística - é o gran finale”.

Sem mais prolegômenos, o Mestre do Couro recomendou para este ano a Caponata dos Sete Candidatos. A saber: um candidato vermelho, um amarelo, um verde, um roxo, um extravirgem, um desidratado e um último sem glúten.

Primeiramente o Artesão aconselha que se lave os ingredientes em água corrente, cuidando para que não fique nenhuma sujeira ou nódoa aparente na superfície. Se necessário, deixar de molho e trocar a água diversas vezes. Alguns, por questão de higiene, deverão passar por fervura prévia.

Em princípio, lembra o artífice, não se deve empregar candidatos já usados anteriormente. No entanto, na falta de aspirantes mais apetitosos ou superiores, é possível lançar mãos aos previamente passados ou mesmo requentados. Sempre lembrando que esses se adaptam melhor a salpicão, farofa ou mesmo hambúrguer, pois nesses casos é mais fácil disfarçar o antigo odor.

Voltando à Caponata, o Mestre recomenda que na sequência se refogue os candidatos, começando pelos maiores e acrescentando aos poucos os menores. O risco de queimar os pequeninos logo no início é muito grande. Deve-se tapar a frigideira eleitoral e mexer de vez em quando. Juntar algumas xícaras de fofocas, maledicências líquidas e certas e deixar cozinhar aos poucos, por meses. A seguir colocar a mistura multipartidária numa forma refratária a qualquer idealismo e cobrir com folhas de oportunismo, deixando em fogo brando até que todos estejam cozidos. Servir bem quente no primeiro domingo de outubro.

O toque final e definitivo da Caponata Eleitoral será dado pelos sufragistas, após a devida apuração dos votos.

Assim, o Sapateiro de Bruxelas deseja uma boa fritura e excelente cozimento a todos os elementos disponíveis e boa sorte aos votantes. Que venham os candidatos e a campanha. E que vença o melhor.

 

Médico, membro da Academia Erechinense de Letras 

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