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Mulher policial: competência, determinação e sensibilidade

A referência desta matéria é a soldado Jucilene Fátima Franceschini, natural de Gaurama, que atua há sete anos na Brigada Militar

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“Vamos nos unir, somos mais fortes do que podemos imaginar”, Jucilene Fátima Franceschini
Por Izabel Seehaber
Foto Reprodução/ Arquivo pessoal

Aos 31 anos ela exerce a profissão tão sonhada desde a infância: policial militar. A referência desta matéria é a soldado Jucilene Fátima Franceschini, natural de Gaurama, que atua há sete anos na Brigada Militar, sendo seis na Polícia Ambiental de Erechim.

Em entrevista ao Bom Dia, ela relatou que inicialmente cursava Ciências Contábeis, momento que resolveu investir ainda mais no desejo que a acompanhava quando ainda era criança. Sendo assim, trocou de curso e ingressou na área do Direito.

Logo após, fez o concurso da Brigada Militar e já conquistou a aprovação. Para tanto, precisou residir durante um ano em Porto Alegre, onde fez o curso de formação, realizou o estágio probatório e na sequência foi transferida para a ‘Capital da Amizade’.

A diferença na empatia

Quanto à relação com os colegas, ela afirma que foi sempre tranquila e que unicamente há uma diferenciação, quanto à força física masculina no trabalho de rua. “Não podemos comparar essa força com a dos homens, porém, em contrapartida, as mulheres possuem muito mais sensibilidade, empatia, melhor domínio e capacidade de diálogo, enfim, tudo isso é mais expressivo no público feminino”, destaca.

Jucilene trabalha na rua, porém, recentemente, por um motivo especial – a gravidez - ela desenvolve trabalhos internos, na área administrativa.

Desafios

Na sociedade, de um modo geral, a jovem policial acredita que ainda há uma “resistência” por parte da população, ao ver uma mulher na Brigada Militar. “Nem sempre há muito respeito, algumas pessoas acham que as mulheres não têm a mesma competência em comparação aos homens policiais. Percebemos, ainda, que nas situações de maior risco, o respeito é maior com os homens”, pontua.

Contudo, no ambiente de trabalho, entre os colegas, o clima é de respeito. “Mesmo porque há muitas mulheres que atuam na BM e também são comandantes”, acrescenta.

A soldado salienta que na Patram, as ações são diferenciadas e envolvem, entre outras assuntos, denúncias envolvendo maus tratos a fauna e à flora. “Esse é um dos principais destaques de nossas funções, pois enquanto o policiamento envolve questões de prevenção, trabalhamos com a proteção de bens naturais, que são de todos”, explica, ao reiterar: “sou muito realizada na profissão, no trabalho que desenvolvemos em equipe, jamais trocaria por outra atividade. Se tivesse que escolher, faria tudo novamente. Quando trabalhamos com amor pelo o que fazemos, tudo fica mais prático, mais fácil”.

Grávida do primeiro filho, ela salienta a capacidade de toda mulher desempenhar diferentes papéis ao longo do mesmo dia, por exemplo. A mulher que pode ser mãe, profissional, dona de casa e muito mais. “Acredito que somente as mulheres têm essa capacidade de fazer muitas coisas e obter sucesso. Acredito que os homens não dariam conta de todas as funções”, cita.

Por isso, Jucilene reforça que, com essa habilidade, força e determinação, o público feminino conseguiu obter diversas conquistas e chegar a diferentes espaços. “Um exemplo é que não faz tanto tempo que há mulheres na Brigada Militar”, menciona.

Autocuidado e valorização

Quando questionada sobre os aspectos que merecem mais atenção e reflexão por parte da sociedade, ela é direta: “penso que, principalmente no momento atual, em que há muitos registros de feminicídio, sempre que há uma ocorrência que envolve mulher, procuro passar uma mensagem a elas para que tenham mais voz ativa, possam se impor. Se você não lutar por você mesma, ninguém o fará. Por isso, mesmo sendo cada uma por si, as mulheres devem se unir mais e prosseguir expandindo seus ideais”, orienta.

O que é preciso melhorar?

Na opinião de Jucilene, as mulheres devem buscar sempre o amor próprio, se valorizar mais, antes de buscar o respeito de fora. “Isso é preciso melhorar, pois muitas vezes é seguida aquela ideia de que a mulher ficava mais em casa, tinha menos voz ativa. Isso mudou, inclusive diante da série de conquistas que vivenciamos”, salienta.

A mensagem a todas

“Vamos nos unir, somos mais fortes do que podemos imaginar. Essa data é muito importante para lembrarmos a nossa força e também sermos mimadas, valorizadas e reconhecidas como mulher. Que isso possa ir além da data, especificamente, e refletir durante todos os dias”, Jucilene Fátima Franceschini.

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