Você por acaso conhece alguém que, após muitos anos de trabalho, ao conquistar a aposentadoria, conseguiu ficar sem trabalhar ou desenvolver qualquer outra atividade para ocupar melhor o tempo?
Pois saiba que nem sempre essa nova etapa é encarada como uma forma de somente descansar e curtir uma folga. Para algumas pessoas, a ausência de compromissos, pode levar, até mesmo, à uma dificuldade de adaptação.
Por isso, nada melhor que buscar alternativas e práticas que contribuam nesse processo e, essencialmente, auxiliem no cuidado da saúde física e mental.
Aposentadoria e a nova fase
Um exemplo é a aposentada Libera Pivoto Bresolin, que reside há muitos anos em Erechim, sendo natural de São João da Urtiga. Após a aposentadoria, percebeu que não era possível “ficar parada”, sem atribuições à rotina. Ela chegou a enfrentar uma depressão, porém, reagiu e organizou uma série de atividades que poderiam integrar o dia a dia e melhorar a qualidade de vida. “Comecei a me dedicar para diversas ações sociais, tais como a atuação na Federação das Associações Italianas do Norte do Rio Grande do Sul - Fainors. Atualmente trabalho voluntariamente na Associação de Idosos – no suporte administrativo aos grupos nos bairros; integro o Observatório Social; sou ministra de Eucaristia; auxilio na Liga de Defesa Nacional e também gosto muito de escrever - parece que naquele momento, esqueço do mundo”, declara.
Sobre a trajetória
Durante a entrevista, Libera recorda que até os 17 anos de idade, trabalhou no meio rural. Segundo ela, um período desafiador, em que quase não sabia ler e nem escrever. Naquele momento decidiu ingressar em um colégio de freiras, em Porto Alegre. De lá, veio morar na ‘Capital da Amizade’ e, aos poucos, começou a estudar. “Enfim, “abri a mente” para tudo que estava acontecendo”, comenta, reiterando: “Deus foi muito bom comigo, me adaptei rapidamente à nova realidade”.
Após terminar a hoje denominada, educação básica, dona Libera ingressou na faculdade de Letras. Alguns anos depois cursou Administração e, na sequência, pós-graduação em Administração Contábil e financeira.
Aos 21 anos de idade, fez o concurso da Prefeitura de Erechim e começou a atuar no serviço público, o qual exerceu por 41 anos, sendo inicialmente escriturária. Depois de 10 anos foi nomeada secretária da Fazenda, cargo que exerceu por 20 anos. Depois atuou no Controle Interno do município, setor que auxiliou na implantação.
Passatempos
À reportagem, a aposentada relata que possui um acervo do histórico de materiais que contemplam ensino e trabalho. “Por isso, quando não tenho outras atividades, vou recordar. Procuro estar sempre ocupada, exercito o cérebro fazendo palavras cruzadas e também pratico exercícios na academia”, comenta.
Gratidão e felicidade
Quando questionada sobre o relacionamento com colegas, principalmente do público masculino, Libera afirma que sempre foi tratada com bastante respeito por todos. “Me considero uma pessoa muito feliz e acho que tudo que fiz me auxiliou a crescer, me desenvolver. Sempre fui muito valorizada, tanto como ser humano, como profissional, mulher. Acho que a minha caminhada é muito feliz”, destaca.
É preciso evoluir
Na opinião da aposentada, as mulheres conquistaram a tão almejada independência, porém, em paralelo, ficaram desprotegidas. “A maioria vive uma rotina muito instável, principalmente, em razão do machismo, por exemplo, o qual vê a mulher como uma espécie de propriedade. Isso pode gerar problemas graves como o feminicídio, que preocupa a cada dia”, alerta, citando que: “Contudo, de modo geral, percebo que houve uma evolução bem expressiva”.
Mensagem a elas:
“É importante que cada uma tenha a própria identidade e procure conquistar os espaços, não tenha medo de enfrentar os desafios, buscar o que acredita, pois se ficarmos parados, as coisas não acontecem. Acho que há bastante espaço e é necessário que possamos nos encorajar. Claro, para algumas mulheres é mais difícil, pois, são donas de casa, esposas, profissionais, enfim, uma imensa maratona. Como sou solteira, não tive a experiência de ser mãe, talvez tive uma vida mais fácil, mas admiro muito as mulheres que desempenham diferentes funções e ainda conseguem arrumar um tempo para si próprias. Isso tudo porque a mulher é um ser extremamente forte, é determinada, corajosa e organizada”, engrandece.