A estiagem na região Alto Uruguai, dia após dia, só multiplica os prejuízos no campo e, por consequência, na cidade. A situação é dramática em alguns municípios, que já decretaram situação de emergência, e correm para tentar minimizar o sofrimento imposto às pessoas pela falta de água. Além de toda essa problemática, tem que lidar com a demora na liberação de recursos, depois de decretar situação de emergência.
Itatiba do Sul – contabilizando os prejuízos
Conforme a prefeita de Itatiba do Sul, Adriana Kátia Tozzo, o município já decretou estado de emergência, que já está reconhecido, mas até o momento, nem o governo do Estado e nem o governo federal publicaram alguma ação em prol dos municípios, da população agrícola que está sofrendo com a estiagem.
“Quando tivemos o decreto reconhecido, há uns 20 dias, os prejuízos já passavam de R$ 5 milhões. Hoje, já deve estar em torno de R$ 8 milhões. Além das perdas agrícolas, estamos transportando água para consumo humano e de animais. E, nesse período, já tivemos inclusive dois poços artesianos que secaram. A situação é muito triste”, afirma.
A prefeita ressalta que os prejuízos só aumentam porque foi afetada toda produção agrícola, as lavouras de milho, soja e o cultivo orgânico de hortifrútis. “Os estragos são cada vez maiores. Quanto mais atrasar os repasses de recursos por parte do Estado ou da União pior serão os prejuízos”, diz.
Adriana comenta que o município está fazendo a reabertura e limpeza de reservatórios de água e levando água para as famílias com caminhão tanque. “Isso não estava previsto no orçamento do município, então, é uma despesa a mais. E, além disso, o retorno do ICMS vai ser comprometido. Precisamos unir esforços de toda a região para cobrar do governo federal e estadual agilidade em atender os municípios e a população”, afirma.
Centenário – perdas generalizadas
De acordo com o prefeito de Centenário, Hilário José Kolassa, os prejuízos no município já chegam a cerca de R$ 15 milhões. “O munícipio está transportando água para consumo humano e de animais, umas 10 cargas por dia, 80 mil litros de água. Toda a produção agrícola sofreu perdas, por exemplo, as perdas na soja chegam a 30%, mas também tem o milho e o leite, que foram severamente afetados”, observa. O município decretou situação de emergência devido à estiagem nesta quarta-feira (11).
Kolassa afirma que as perdas só acumulam a cada dia que passa sem chover. “A preocupação do município é grande, porque os reflexos dessa seca vão vir também lá na frente, com diminuição da arrecadação, o comércio vai ser prejudicado, agricultores com financiamentos de lavouras e máquinas, não vão produzir para pagar os financiamentos, e vão ter que negociar com os bancos. Então, o impacto é grande”,
Paulo Bento – metade da safra perdida
O prefeito de Paulo Bento, Pedro Lorenzi, afirma que o município está tendo problemas com a falta de chuvas. “No geral, a estiagem está preponderando de maneira muito forte. Em função do sol desses últimos dias, as perdas devem se aproximar dos 50% na lavoura de soja, quanto do milho. A bacia leiteira está sendo drasticamente afetada. Num primeiro momento, tudo isso se reflete no bolso do produtor, no comércio, indústria e no retorno do ICMS do município”, observa.
Segundo o prefeito, apesar de todos os investimentos que foram feitos, a seca já afeta, também, o abastecimento de água no interior, inclusive, já secou um poço artesiano. “Sangas, riachos, fontes estão secando, se perdurar mais essa situação teremos problemas generalizados. Por exemplo, o Rio Cravo está com a vazão extremante baixa, quase secando. Estamos em alerta”, diz. Ele acrescenta que o município já tomou todas as medidas cabíveis para decretar estado de emergência.
Paim Filho – inúmeros prejuízos
A escassez de chuva também tem castigado e causado inúmeros prejuízos a Paim Filho. Segundo a prefeitura, a agricultura, como um todo, vem somando perdas irreparáveis. Devido a crítica situação em que se encontra o município, nesta terça-feira (10), o prefeito de Paim Filho, Ediomar Brezolin, assinou o Decreto n. 2.704/2020 instalando situação de emergência na área rural de Paim Filho.
Cruzaltense
O governo de Cruzaltense e o escritório municipal da Emater estão fazendo levantamento das perdas causas pela estiagem no município. As chuvas esparsas e reduzidas dos últimos 40 dias provocaram perdas nas lavouras de soja, milho e feijão e prejudicaram as pastagens e, consequentemente, a produção de leite. Riachos secaram em várias comunidades e a vazão das fontes diminuiu bastante nas propriedades rurais. Dois poços artesianos que abasteciam as famílias e muitos açudes, de onde os agricultores tiravam água para os animais também secaram.
Para amenizar o problema de abastecimento de água, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros Voluntários de Campinas do Sul estão transportando água até as propriedades em caminhões tanque. Os moradores armazenam água como podem, em pequenos e grandes recipientes. A prefeitura também está fornecendo reservatórios e cedendo máquinas da Secretaria de Obras para a limpeza de fontes e açudes. “O governo está tentando ajudar as famílias na medida do possível, mas esta seca vai trazer reflexos ao longo do ano, com prejuízos em larga escala”, disse o secretário da Agricultura, Daniel Kraemer.
Severiano de Almeida
Segundo o prefeito de Severino de Almeida, Milto Vendruscolo, a situação é preocupante, porque o carro-chefe dos pequenos municípios é a agricultura. “As consequências vêm gradativamente afetando toda a população, comércio, indústria, e não somente neste ano, mas prejudicando a arrecadação municipal para o ano que vem”, comenta. E, acrescenta, “o que é muito preocupante”.
Milto observa que a Emater está fazendo os levantamentos dos prejuízos, mas a situação é crítica. “Em função de que saímos de um inverno com pouca chuva para abastecimento das águas subterrâneas. Além das perdas da safra, estamos vivendo a falta de águas em várias áreas do município. Estamos com três caminhões puxando água para o interior”, diz. Ele acrescenta que desde 2004 não ocorria uma falta de água tão grave.