21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

Bairro Três Vendas: árvores geram impasse e dilema moral

Há anos comunidade discute com órgãos públicos a retirada ou não de duas araucárias nativas. Há posicionamentos pró e contra. E você leitor o que acha?

teste
Parte da comunidade quer derrubar, alega risco, outra não
Por Igor Dalla Rosa Müller
Foto Igor Dalla Rosa Müller

Essa é uma matéria muito mais para refletir sobre a situação que será exposta a seguir, ao invés de polemizar. O relato em questão envolve o corte de duas araucárias nativas no bairro Três Vendas, na rua Auzílio Berto, o que gerou um impasse na comunidade, tomando ares de dilema moral, com dois caminhos postos, mas somente um a ser seguido.

Ao relatar esse caso que está ocorrendo no bairro Três Vendas de Erechim se propõe despertar, com esse exemplo, para uma realidade maior, que envolve a preservação das árvores em espaço urbano e a necessidade de reflorestar o ambiente de pedras, tijolos e asfalto. E, com isso, incentivar o engajamento da comunidade para compor alternativas frente ao desafio, a um tema tão sensível e crucial: a relação ser humano versus natureza.

E, isso, justamente, num momento em que todo o Alto Uruguai vive drasticamente o problema da seca, pela falta de chuvas, mas que não se resume somente a isso, pois está relacionado, também, a preservação da mata ciliar, nascentes, banhados, da natureza.

Denúncia e abaixo assinado

Já faz alguns anos que essa situação vem acontecendo, inclusive, com uma notificação em 2016 no Ministério Público Estadual (MP) em Erechim, e um abaixo-assinado feito por parte daquela comunidade para retirada das árvores.

A notificação no MP relata que o licenciamento do loteamento “Berto” as araucárias estavam ‘“averbadas, fato que impediria o seu corte, pois fazem parte das exigências do próprio licenciamento outorgado pela Fepam no ano de 2007”. Na notificação, o morador informa que nunca “presenciou danos a bens materiais ou a integridade das pessoas” e “alega que os pinheiros estão saudáveis”, e uma “poda de manutenção resolveria a suposta problemática”.              

Por outro lado, o abaixo-assinado entregue a Defesa Civil, os moradores já fizeram três abaixo-assinados pedindo o corte das araucárias por representar risco as casas e as pessoas. Um dos moradores relatou a reportagem, na segunda-feira (9), dia que era para ser cortados os pinheiros, mas na última hora foi suspenso a derrubada, que já caiu galho em cima da calçada, e num dia sem vento, um deles quase “pegou a caminhonete do vizinho”. “Gostaríamos de resolver porque eles oferecem perigo iminente a nós”, disse.       

Ministério Público

O Ministério Público arquivou a notificação, em 2016, indeferiu a instauração de inquérito civil porque a prefeitura, à época, por meio da Secretaria do Meio Ambiente respondeu que as árvores ofereciam risco à população e parte da comunidade do entorno estava pedindo a retirada das araucárias.

Defesa Civil

Conforme o coordenador da Defesa Civil de Erechim, Josué Rosa Pinto (Zeca), segundo a lei não precisa um laudo técnico da Secretaria do Meio Ambiente, porque a Defesa Civil constatando que a árvore traz risco à população e pode cair, por exemplo, numa residência, ela pode ser removida. “No momento que o coordenador da Defesa Civil achar definir que há risco, a lei dá suporte pra ele fazer a retirada das árvores”, afirma.

Segundo Zeca, “a lei diz que a Defesa Civil pode resolver sozinha, não precisa envolver Secretaria do Meio Ambiente, Patram. E os dois pareceres são favoráveis à retirada das duas araucárias. Tenho que respeitar o processo antigo”, afirma.

Ele explica que o antigo coordenador já havia dado um parecer definindo que os pinheiros apresentavam risco à comunidade. “Não existe um processo novo”, diz. E, acrescenta, o abaixo-assinado da “comunidade saiu para Defesa Civil”.

“Na minha avaliação, o primeiro pinheiro da rua teria que ser tirado, o outro não oferece risco para as pessoas, mais para a rede elétrica. Ele está um pouco inclinado, os galhos são grossos e estão pendidos para cima da casa. Esse é o risco”, diz.

Corte

Ele explica que se a retirada for feita, a araucária será cortada em partes. “Primeiro a galhada, em pedaços, e depois o tronco”, diz. Zeca observa que pra fazer o serviço ele precisa do apoio dos Bombeiros com a escada magirus. “Dependo dessa escada dos bombeiros para fazer o corte”, diz.

Zeca afirma que o parecer diz para cortar as duas araucárias. “E eu tenho que respeitar o que está escrito ali, porque não foi aberto um novo processo”, observa. Ele também depende da concessionária de energia elétrica para fazer o desligamento da rede, novamente. “E isso fica a critério deles”.

“Eu como representante da Defesa Civil sou a favor das árvores, mas ninguém quer uma árvore em cima de casa. Tenho que me colocar no lugar da pessoa que está lá com essa situação”, comenta.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;