Todos os 32 municípios da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau) já decretaram situação de calamidade pública em função do novo coronavírus (Covid-19). As medidas servem para prevenção e contenção da transmissão da doença na região, tendo em vista o momento complexo e difícil relativo a crise pandêmica mundial.
De acordo com o presidente da Amau, Mario Ceron, prefeito de Ipiranga do Sul, o enfrentamento ao coronavírus está sendo feito da melhor forma prevista, com a união de todos os prefeitos da região. “Faltavam três municípios que declararam na segunda-feira (23) calamidade pública, incluindo todos municípios do Alto Uruguai. Precisávamos fazer isso, e a avaliação está sendo positiva até o momento, porque estamos tratando de vidas”, disse.
Segundo ele, o objetivo é deixar a região cada vez mais segura porque o sul está às portas do inverno e a probabilidade do vírus avançar fica maior. “Então, até o dia 1º de abril a paralisação vai servir para avaliarmos a situação como um todo. É uma necessidade e a população precisa ter força nesse momento”, afirma.
Todos os dias está sendo avaliada a evolução dessa situação. “E se continuarmos assim isso vai ajudar a conter a disseminação do coronavírus”. Segundo Mario, a população regional está entendendo a gravidade da situação, e enquanto isso, os gestores públicos se preocupam com as questões relacionadas à saúde pública, como aumentar a quantidade de leitos, fazer com que as equipes técnicas se organizem de maneira equilibrada.
“Nesse momento estamos de parabéns, por esse início de enfrentamento, sabemos que isso vai impactar na economia, no dia a dia das famílias, vai haver problemas, mas os 32 municípios precisavam tomar essa decisão juntos porque isso vai ajudar a controlar o avanço do coronavírus. O isolamento da população é expressivo, e o momento é de se preparar até para situações piores”, enfatiza.
Ele ressalta que tudo que está sendo feito é necessário para criar as condições de se voltar à normalidade, mas também, se estar preparado, se for preciso, continuar no isolamento. “Porque estamos tratando de vidas humanas”, diz.
O presidente da Amau afirma que os prefeitos estão atuando de forma coletiva. “Agora vamos acompanhar a evolução do vírus, porque esse inimigo invisível está na região. A partir desta segunda-feira toda a região está agindo da mesma forma. Todos os dias o grupo de prefeito está avaliando a situação e dando sugestões, vendo o que é possível fazer, com informações atualizadas para avaliar o caminho que determinamos”, afirma.
Comitê regional
Segundo o coordenador do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus, Jackson Arpini, o grupo tem se reunido semanalmente, todas as terças-feiras na sede da Amau. “É composto por seis secretários de Saúde, distribuídos de forma geográfica, no qual contempla toda região, até mesmo para facilitar a interlocução com os municípios mais próximos”, disse. Há ainda outros representantes da saúde e integrantes.
Ele explica que as reuniões são técnicas, e a cada encontro é emitido um boletim para orientar as Secretarias Municipais da Saúde, para enfrentar o Covid-19. “Nas duas últimas reuniões já foram emitidas mais de 26 orientações, adotadas por todos os municípios, o que tornam as ações mais efetivas e eficazes”.
Arpini comenta que se está realizando uma ação comunitária, colegiada, que envolve 32 municípios e um contingente de aproximadamente 240 mil pessoas. “Com a decretação do estado de calamidade pública, por parte de todos os municípios, que adotaram as mesmas medidas, isso deu uma resposta muito significativa na diminuição da circulação das pessoas, que tem como propósito a redução da curva epidemiológica, para que não tenhamos, em pouco tempo, muitos casos de contaminação, e o sistema de saúde possa, então, dar assistência aos suspeitos e confirmados”, disse.
Arpini ressalta que colegiado da Amau tem atuado de forma “uníssona”, e as recomendações do comitê regional têm sido adotadas na integralidade por todos os municípios. “Sabemos face à pandemia do coronavírus que algumas medidas são amargas, impopulares, porém necessárias, tendo em vista que o objetivo é reduzir o número de contaminados por esse vírus”, explica.
E, acrescenta, “há necessidade de colaboração de toda sociedade no que diz respeito a adoção das medidas preventivas e, especialmente, do isolamento social. A palavra de ordem, desse momento, é isolamento social, para reduzir ou evitar a transmissão da doença, já que o coronavírus é de fácil contaminação”, observa.
Radiografia da região
O comitê também está fazendo uma radiografia da região sobre os leitos de UTI e a quantidade de respiradores. “Ontem (23) os integrantes do comitê começaram a fazer as visitas in loco nos municípios que possuem hospitais para ver as condições, se caso aja necessidade num futuro próximo”, disse.