O presidente, Jair Bolsonaro, fez um pronunciamento sobre o novo coronavírus (covid-19), no rádio e na TV, na noite de terça-feira (24), e algumas colocações foram contrárias ao que municípios e estados vêm fazendo para combater e conter a propagação dessa doença, que é altamente contagiosa, seguindo recomendações do próprio Ministério da Saúde.
Em meio a esse impasse, o Jornal Bom Dia conversou com o presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), Mario Ceron, e o coordenador do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus, Jackson Arpini, sobre o posicionamento da maior liderança pública do país, sendo que todos os 32 municípios da região já decretaram situação de calamidade pública em função do novo coronavírus.
Amau
Para o presidente da Amau, Mario Ceron, a região vive um bom momento porque nessa semana o Alto Uruguai conseguiu demonstrar para a população o que virá daqui pra frente com a pandemia do coronavírus. Para ele, o pronunciamento não foi oportuno, justamente, pela dificuldade que é fazer a população se mobilizar. Ele reconhece que essa situação terá muitos reflexos na economia, serviços, na classe empresarial e trabalhadora. “Vai mudar a vida das pessoas, não somente pelas doenças, mas pela paralisação desse período”, diz.
Conforme Ceron, o discurso deveria ter sido mais ameno, começando a preparar as pessoas para voltar as atividades. “Aí seria mais favorável. Nós, aqui na outra ponta, temos que estar prontos para qualquer decisão. Mas vamos manter o isolamento”, disse.
E, acrescenta, “será que estamos preparados para uma evolução rápida da doença, tanto para atendimento quanto infraestrutura de saúde”. Ceron afirma que a fala do presidente gerou muitas polêmicas e controvérsias na percepção das pessoas.
É um momento muito difícil para os líderes do executivo municipal, segundo Ceron, porque existe uma recomendação, e agora há um pronunciamento contrário do presidente da república. “Fizemos o enfrentamento devido e recomendado, que vai ter efeito positivo. A preocupação maior é com a vida das pessoas”, observa.
Ele enfatiza que os 32 líderes do Executivo municipal com suas equipes e a sociedade deram uma demonstração que é possível fazer um grande trabalho com bons resultados, atuando coletivamente.
Comitê
O coordenador do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus, Jackson Arpini, analisa o pronunciamento do presidente em dois aspectos. Primeiro, “a preocupação com relação aos reflexos econômicos, tendo em vista a pandemia de coronavírus, é pertinente, e aflige todos os líderes mundiais, o líder da nação, dos estados e municípios. Inúmeros efeitos virão com essa crise econômica que se instala face à pandemia”, disse. Conforme Arpini, por isso serão necessárias medidas de grande amplitude para que os governos possam socorrer os mercados produtivos, no sentido de minimizar os reflexos.
De acordo com Arpini, do ponto de vista de saúde, as medidas recomendadas são feitas por especialistas, infectologistas, pneumologistas, que ante a facilidade de transmissão do vírus, recomendam o distanciamento ou isolamento social. “Entendo ser um tanto temeroso por parte do líder maior da nação mencionar a pandemia como ‘gripezinha’, tendo em vista que estamos nos deparando com milhares de casos confirmados da doença, mundo afora e no Brasil, e milhares de mortes”. Disse.
Para ele, o momento é preocupante é requer ações efetivas e drásticas para conter a curva epidemiológica. “Porém, não podemos esquecer que estamos diante de um cenário de crise financeira, e para tanto haverá necessidade dos governos criarem alternativas, usar a criatividade, para minimizar os reflexos da pandemia”, disse.