Para ela, mãe de Martin (2 anos) e Marina (5 anos) o período da Pandemia por si só, já é angustiante: “não se tem nenhum tipo de controle e certeza sobre nada. Com dois filhos pequenos as preocupações são muitas. Existe a preocupação com a alfabetização (com a filha Marina), com a saúde física e emocional das crianças que não possuem recursos psíquicos para entender a complexidade da Covid 19 e do seu impacto no mundo”.
Relata que as duas crianças estão há 50 dias sem ver um amigo, sem brincar com outras crianças: “Isso pode ser muito difícil para algumas crianças, então me coloco no lugar delas e tento ser bastante compreensiva”.
A mãe tem a preocupação e o sentimento de que mundo irão viver no futuro. Apesar do temor, Fernanda, vê o lado bom: “Por outro lado, sinto esse período como uma oportunidade de convivência familiar muito intensa. Uma experiência muito forte”, comenta.
Fernanda fala um pouco do seu dia-a-dia: “conciliar a rotina de trabalho com eles em casa nem sempre é fácil. Como estou dando aulas por vídeo conferência (professora na URI Erechim) tenho que explicar para não gritarem, não interromperem as aulas. Como são pequenos nem sempre dá certo. Então tenho que ter sempre alguém para ficar com eles enquanto estou trabalhando. Eu diria que o mais difícil é fazer com que compreendam que a mãe não está em casa de férias e que não pode brincar o tempo todo”.
Comenta que o momento é difícil para todos, ressaltando a importância da rede de apoio que tem: “meu marido é incansável, os dindos estão presentes. E os avós, infelizmente não podem ter contato”.
Vivendo um dia após o outro, como a maioria das pessoas, Fernanda ressalta que não sabe bem ainda que lição está tirando desse período: “Penso que tudo é muito novo e muita coisa ainda está por vir, mas eu diria que a proximidade com os filhos e cônjuge dessa forma tão intensa, foi importante para reavaliar o que realmente é essencial em minha vida. As pessoas que amamos, a minha família, meus amigos, minha profissão”.
Como Psicóloga, Fernanda repassa algumas dicas, para viver de maneira mais suave este período. Para ela algumas pessoas tem um grau de sofrimento maior que as outras, sofrendo mais com ansiedade: “Precisamos respeitar que irão ter dias melhores e dias piores. A angústia é normal. Se tiver que chora, chore. Se tiver que ficar deitada, fique. E entender que isso é uma reação natural. Respeite o sentimento”.
É fundamental nesse momento, distensionar: “uma forma de alívio é buscar sempre a companhia (on-line) dos amigos, familiares e manter os laços com pessoas importantes em nossas vidas”, salienta Fernanda.
Segundo Fernanda tentar manter, por mais utópico que seja uma rotina, ajuda e muito nesse momento de isolamento: “é necessário perceber nossos limites. E se o sofrimento não está sendo aliviado por essas ações, se torna necessário à procura de ajuda profissional. É natural nesse período. Acredito que o pós-pandemia deve aumentar a busca por ajuda psicológica”.
Reforça a importância de se manter uma atividade física diária, nem que for rápida, para liberar um pouco de endorfina: “É um momento de atenção especial às crianças. Nesse momento talvez não estejam tão impactadas, mas futuramente quando isso passar, poderemos ter um aumento de sintomas emocionais. Essa uma leitura que eu faço.
Por enquanto o aparelho psíquico está dando conta, mas daqui a pouco esse isolamento pode deixar marcas importantes. O ambiente familiar para lidar com essa situação se revela de extrema importância para os pequenos”, finaliza.