Maio, o quinto mês do calendário Gregoriano, conta trinta e um dias, e é dedicado especificamente às mulheres.
O tributo à beleza e feminilidade nesse mês tão significativo, remete à Grécia Antiga, quando eram celebradas festas e homenagens à Maia, deusa mãe de Hermes, o belo mensageiro dos deuses.
Na mitologia romana, por sua vez, Maia Maiestas é referenciada como mãe de Mercúrio – associado a Hermes – portador de boas novas ligadas às vendas, lucro e comércio.
Maia, deusa da fecundidade, da projeção da energia vital e da primavera, personifica o despertar da natureza e o renascimento. Isso explica, de forma simples, a origem do nome do mês que ocorre no apogeu primaveril do Hemisfério Norte.
Maio igualmente é dedicado pelos cristãos católicos à Maria, mãe de Jesus. Há uma série de liturgias, rezas e celebrações, que remontam ao período barroco, desenvolvidas para esse tempo; ritos alusivos à presença afetiva da mãe na sagrada estrutura familiar.
As flores, os dias agradáveis e coloridos setentrionais, correspondem ao mês de setembro no Hemisfério Sul; o período alegre das colheitas das culturas de inverno; época de abundância, portanto propícia a festas populares, inspiradora aos galanteios e prolíficos casamentos. Por isso, maio também é chamado de o mês das noivas. Noivas, que por desígnios naturais, serão mães em futuro breve e venturoso.
Por essa série de determinantes e antecedentes, a comemoração do Dia das Mães ocorre no segundo domingo do mês. Tal costume, bem mais recente, surgiu nos EUA, em 1908. No Brasil, a data foi oficializada por Getúlio Vargas, em 1932.
Aqui, na região meridional, em maio não há mais flores ou festas populares. E neste ano infelizmente, pelo nefasto curso da Pandemia, temos muito pouco a comemorar. No momento os pássaros migram anunciando o inverno que se aproxima qual fantasma de um soberano que regressa a assombrar lugares ermos, outrora encantados pelo rei Sol.
Enquanto no Norte a vida ressurge aos poucos, no Sul amargamos à espera do frio e da angústia das perdas humanas que se estenderá até a primavera, quando haverá o retorno da nossa Maia.
Ao encerrar, creio piamente que a nossa redenção como irmãos, filhos de uma só Pátria, passará pela presença amorosa das mães nos lares e famílias. Mães, que no isolamento acolhem, que no desespero educam e que nas dificuldades nos fazem crescer por toda vida.
Se todos nós, homens e mulheres do nosso tempo, ouvíssemos com atenção e carinho às mães, certamente estaríamos mais unidos, corajosos, tolerantes e solidários ante a imensa e aterradora realidade. Sim, com ou sem doença, o mundo seria um lugar melhor para viver.
Dr. Alcides Mandelli Stumpf
Médico e Membro da Academia Erechinense de Letras