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Conquista: depois de muito tempo, um novo acesso

Famílias da Linha São Marcos veem se tornar realidade investimento em infraestrutura aguardado há quase 30 anos

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Dona Carolina e os familiares
Adelina Rossetto Nadal e Caetano Nadal (in memorian)
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Obra aguardada há quase 30 anos virou realidade. A pavimentação asfáltica da Rua Antônio Dal Mollin, na Comunidade São Marcos, em Erechim, apesar de tanto tempo depois, vai levar mais qualidade de vida para os moradores daquela comunidade. O acesso é de extrema importância para as cerca de 50 famílias que vivem no local há muitos anos constituíram suas vidas ali. Durante muito tempo elas tiveram que viver sem um acesso adequado, apesar da comunidade ficar ao lado da área urbana de Erechim.

O asfalto é uma conquista para homens e mulheres que criaram suas famílias e por muitos anos tiveram que enfrentar o barro, as péssimas condições pra conseguir chegar até Erechim.

Família Bombardelli

Uma dessas famílias é a da dona Carolina Dominga Bombardelli, que nasceu em 10/11/1925, e neste ano completa 95 anos. Carolina foi morar na linha aos 12 anos de idade, por volta de 1937, com o pai e a madrasta, já que a sua mãe havia morrido quando ela tinha dois anos. A família se estabeleceu como agregada da terra de propriedade de Eugênio Izoton, e ali permaneceram por sete anos.

Os anos foram passando, não haviam muitas famílias morando na linha, os Bombardelli já tinham propriedade no local, que mantém até os dias de hoje. Carolina conheceu um rapaz, que namorou, ficou noiva e casou. Depois de casada foi morar na propriedade do sogro, Marcelo Bombardelli e Clorinda Bombardelli, que foram morar na cidade.

Carolina se casou com Américo Bombardelli, que faleceu em 1998, aos 75 anos, ficaram casados por 52 anos. O casal teve seis filhos, o primeiro, Oreste, 72 anos (falecido); Augusto, 70 anos; Glória, 68 anos; Antônio, 66 anos; Clara, 63 anos; e, Irene, 61 anos, que mora com a mãe, marido e filhos.

Antes de ter os seus filhos, Carolina criou um filho adotado, que foi dado a ela com apenas 10 horas de vida, depois que a mãe morreu durante o parto. João foi criado por ela como seu próprio filho, até ele ficar adulto, casar, e ter a sua família. Ela cuidou do sogro e da sogra por mais de 40 anos e do cunhado até ele morrer. Carolina tem 12 netos, 12 bisnetos e uma tataraneta.

Carolina continua morando na comunidade e viu o mundo e a agricultura se transformar, já que tudo hoje é mecanizado. “Mesmo assim, até os mais de 80 anos eu vi ela cortando lenha. Hoje, ainda faz almoço, e é supervaidosa”, relata uma integrante da família. Hoje, a propriedade é voltada para lavoura de milho, soja e gado de leite.

A primeira casa em que Carolina morou não existe mais, e no local foi feita uma residência nova. A família lembra que a estrada que levava a comunidade, no começo, era quase uma carreira de chão batido, não tinha acesso. Nessa época, a renda principal da propriedade era o cultivo de uva e alguns alimentos, que Carolina acabava vendendo na cidade com o marido, a feira ficava atrás da prefeitura e ali vendiam, ovos, leite e verduras.

A família lembra que a água da Corsan chegou na comunidade em 2013, a internet em 2019, e agora esse trecho de 1,3 quilômetros de asfalto. No total, a linha tem em torno de 4 quilômetros de extensão. No local tem um cemitério construído há 75 anos, uma igreja, e o colégio fechado que tinha o nome de Gaspar Martins que ia só até a 4ª série. E um clube que está abandonado há 20 anos.

Família Nadal

No ano de 1993, no dia 29 de julho, Caetano Nadal junto com a esposa, Adelina Rossetto Nadal, filhos e filhas, netos, saíram de Jacutinga de mudança para trabalhar na agricultura com suínos, gado de corte e vaca de leite na Comunidade São Marcos.

“Era uma época difícil de se deslocar até a cidade, e a linha ficava somente a 1300 metros de Erechim, mas mesmo assim era difícil levar e vender a produção agrícola na cidade. As crianças tinham que ir a pé para a escola. Com o passar dos anos foi melhorando a situação, depois de muitas lutas dos moradores”, conta um integrante da família Nadal.

Ela conta que mais famílias foram chegando de mudança para o local e a comunidade foi tomando forma com as famílias Smolinski, Zaneti, Nadal, Antunes, Kuzeski, Saraiva, Bombardelli, entre outras. “Muitas famílias devido à dificuldade de se deslocar acabavam não permanecendo na comunidade”, diz. Hoje, a família Nadal trabalha na agricultura, junto com filhos mantém gado de corte e leite.  

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