“Sentimos solidão na estrada, as lágrimas caem muitas vezes, mas ao mesmo tempo, sentimos ali uma emoção sem explicação, pela qual levamos o progresso do Brasil nas costas”, afirma a motorista Silvana Novakoski Mariani.
Silvana comenta que para ser caminhoneira tem que lidar com muitas situações, pessoais e profissionais, como sentir saudades e deixar quem se ama em casa. “Sentindo a falta desde a saída”, afirma.
Segundo ela, é uma profissão que requer muita seriedade quando se está sentado atrás de um volante de caminhão. “Temos que ter responsabilidade de chegar bem, cuidar de si e dos outros na estrada. Acidentes acontecem todos os dias, a toda hora, todo momento, sabemos que estamos no risco dia a dia, não é de vez em quando, o tempo todo na verdade”, observa.
Mas existem compensações como contribuir com o desenvolvimento do país. “Sentimos também a emoção de sermos heróis do povo brasileiro, somos orgulhosos de poder levar o progresso do Brasil para frente, e isso não tem preço”, afirma. E, acrescenta, “porque sabemos que se o caminhão parar, tudo para, o comércio para, a comida não chega, assim como a matéria-prima das fábricas. E daí em diante tudo vai parando”, explica.
Para Silvana ser motorista é sentir muita emoção, que vem do fundo do coração, porque essa é uma profissão que se não tiver amor não se aguenta. “As dificuldades são diárias, em todos os setores, sendo elas em cima do caminhão ou lidando com pessoas, cargas”, diz.
A mulher ainda enfrenta outras dificuldades na profissão de motorista, principalmente, o preconceito, porque a grande maioria dos profissionais desse setor são homens. Além disso, há também o assédio e a insegurança que isso gera. “Mas acredito num espaço maior na estrada, e tem pessoas que te reconhecem e estendem a mão, parabenizam e sabem que não é fácil”, diz.
Ela comenta que há outros problemas como as más condições das rodovias, os fretes estagnados que em vez de subir abaixam, a instabilidade nos preços dos combustíveis e a falta de margem na lucratividade. “O que poderíamos ganhar é sempre abaixo por causa do diesel, sendo que quando o diesel aumenta o preço, o frete não sobe junto. Mas quando o combustível baixa as empresas reduzem o valor do frete. E quando o preço do diesel sobe novamente o frete não sobe junto, fica parado”, explica.
Segundo Silvana, o brasileiro não desiste nunca, mesmo sabendo das péssimas condições das estradas. “Os pedágios têm valores absurdos, tem rodovias que não precisam cobrar tanto, como num trecho de 300 quilômetros tem três, até quatro pedágios, isso judia bastante o motorista, empresa, autônomo, que está trabalhando e ganhando o pão de cada dia”, observa.
A insegurança existe e nunca se sabe o dia de amanhã, afirma ela. “Ao carregar a carga hoje não se sabe se vai chegar bem. E, eu como mulher, me privo bastante, tenho insegurança, não é qualquer lugar que dá para parar”, comenta.
Silvana ressalta que sem o motorista de aplicativo, ou aquele que transporta grão, combustível, pessoas, enfim, tudo para. “Há pouco reconhecimento no Brasil para o motorista, porque o que se passa na estrada só nós que sabemos”, afirma.