Solidão, estradas ruins, pedágios caros, custo elevado e pouco retorno são algumas das dificuldades que os caminhoneiros precisam enfrentar todos os dias ao sair para o trabalho.
Marcelo Paula Rodrigues é caminhoneiro autônomo desde 2015, mas antes trabalhou como funcionário por 28 anos. Ele explica que ser empregado e autônomo são realidades muito diferentes.
“O cara que é autônomo, no momento, está muito difícil, a situação está precária, a gente não consegue financiamento, porque sou pequeno. O diesel está muito caro, assim como o pneu, também, nesta pandemia”, afirma.
Ele ressalta que o profissional autônomo está passando por muitas dificuldades neste momento e sofre muito com isso. Porque o preço do pedágio está muito alto e, ainda assim, não se anda em estradas boas, o óleo diesel está caro e sobra pouco dinheiro do frete. “Eu não tiro o meu salário, o que faturo no mês pago as minhas despesas, e o que sobra é para manutenção do caminhão”, observa.
Faz cinco anos que ele tem o próprio caminhão e, nesse período, só conseguiu pagar o veículo e mantê-lo em dia funcionando, isto é, não aproveitou o dinheiro que ganhou com os fretes e todo trabalho realizado para trocar de carro ou reformar a casa, para viver um pouco melhor. “Eu não consigo, só mantenho o caminhão”, diz.
Marcelo relata que o autônomo depende muito do seu caminhão para viver, e aí a situação é bem diferente. “Está difícil manter a casa, pagar as contas, a manutenção, ano passado terminei de pagar o caminhão e tive que fazer financiamento para fazer o motor. Agora, estou revisando a caixa, e a minha sorte que consegui financiamento numa cooperativa de crédito, que me ajudou muito. E, assim, estou conseguindo dar a volta, fazendo prestações e pagando as contas, mas está difícil”, comenta.
Na sua avaliação, falta apoio e incentivo dos bancos, ter programas financeiros que auxiliem o profissional autônomo, mas com carência para pagar, porque a realidade do caminhoneiro, hoje, está muito complicada. “Estou conseguindo pagar as minhas contas, mas só as contas, não sobra nada”, desabafa.