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Setor ervateiro: “uma categoria que merece mais valorização”, afirma produtor

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Na propriedade, localizada em Ventarra Baixa, toda família participa do trabalho
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Atuando há 35 anos no ramo de cultivo da erva-mate, Luiz Rogoski (59) afirma que o trabalho é uma tradição que vem de família. No entanto, aliada a paixão pela atividade, o produtor precisa lidar com os desafios do setor. Nesse quesito, a pandemia causada pelo novo coronavírus, ampliou as preocupações.

Na propriedade, localizada em Ventarra Baixa, Getúlio Vargas, toda família participa do trabalho e procura seguir à risca os cuidados específicos com a higienização. A área cultivada com erva-mate compreende em torno de 25 hectares. Já a parte de colheita e processamento, é terceirizada em razão da expressiva carência de mão de obra.

Uma parte da matéria-prima é industrializada na cooperativa em Getúlio Vargas e outra quantia é encaminhada para o município de Áurea.

Principais impactos diante da pandemia

S. Luiz contou à reportagem que, desde o início, entre as principais alterações no dia a dia está a diminuição da liberdade. “Para sair no comércio e atender os clientes, temos que ficar mais prevenidos, sempre com muita cautela, pois todos estão expostos ao risco de contaminação”, frisou.

De acordo com o produtor, é perceptível que nesse período também ocorreu uma queda no consumo da erva-mate. “Acho que as pessoas estão diminuindo o hábito de tomar chimarrão, mesmo que sozinhos. Isso afeta diretamente todas as etapas de produção”, pontuou.

Considerando a fase atual, mas também, o último ano, como um todo, S. Luiz acredita que a categoria merece ser ainda mais valorizada. “Acho que é um setor que está um pouco esquecido em relação a atividades como a soja, por exemplo”, assinalou, citando que, hoje, o valor recebido pela arroba é de R$ 13 a R$ 14. “Isso poderia estar um pouco melhor, contudo, sabemos que não é possível repassar um preço maior, pois sabemos que o poder aquisitivo das pessoas está muito limitado”, salientou.

Essa carência interfere em toda a cadeia, desde o cultivo até a indústria.

Mão de obra escassa

S. Luiz destacou à reportagem que a atividade de erva-mate ainda está voltada muito ao trabalho manual e exige uma atenção especial. “Não há praticamente máquinas nas ações de cultivo. Desde a formação da muda, adubação, limpeza, poda, tudo é feito manualmente. Nesse sentido, é um trabalho que exige muita mão de obra, a qual está escassa. Muitos jovens não querem trabalhar com essa prática”, afirmou.

Ao mesmo tempo, ao plantar uma árvore de erva-mate, se forem observados todos os cuidados, é possível que ela tenha uma durabilidade de 60 a 70 anos.

Outra questão interessante, comentada pelo produtor, é a possibilidade de fazer uma espécie de “consórcio” de erva-mate junto a árvores nativas, frutíferas, entre outras, que podem ser tornar, ainda, uma espécie de repelente e auxiliar no controle de pragas e insetos.

  

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