Há mais de 10 dias os funcionários dos Correios estão reivindicando a permanência de direitos. “Estamos lutando pela manutenção de nossos benefícios e não pedindo aumento salarial”, pontuou o diretor do Sindicato dos Correios, subsede de Passo Fundo, Gelson Zapello.
Em entrevista ao Jornal Bom Dia, Zapello conta as principais pautas que estão mobilizando a greve nacional decretada na segunda-feira (17) e as ações que estão sendo realizadas na região da subsede Passo Fundo, que abrange todas as unidades do Norte do Rio Grande do Sul.
Acordo coletivo
“Em julho, entregamos para a empresa quais eram nossas pautas. Única coisa que pedimos era que que fosse mantido nossos direitos e benefícios e, mesmo que, sem termos índice de aumento salarial, não nos atemos a esse fator. No entanto, a contraproposta da empresa foi de tirar 70 cláusulas de nosso acordo coletivo”, comentou o diretor.
Zapello explica que esse acordo possuí 79 itens descrevendo os benefícios que compõem a remuneração dos funcionários. “Por exemplo, o acordo prevê vale-alimentação, adicional de 30% aos carteiros, auxílio-creche e benefícios para quem tem filhos com alguma deficiência. Como a empresa quer retirar cerca de 70 cláusulas, isso significa perder aproximadamente 53% da nossa remuneração”.
Vale-alimentação por dia trabalhado
Com relação ao vale-alimentação, de acordo com o diretor, os Correios querem pagar apenas pelos dias trabalhados. “Isso excluirá o período de férias e as folgas, só que por mais que a gente trabalhe 11 meses ao ano, nós fazemos refeições nos 12 meses. Sobretudo, essa proposta quer retirar tudo aquilo que a empresa nos ofereceu e nós aceitamos. Nesse cenário ficaríamos sem o salário e os benefícios”.
Lucro
Conforme Zapello, os Correios apresentaram aos funcionários os rendimentos do primeiro semestre deste ano. “Só nesses seis meses a empresa lucrou R$ 614 milhões. E é isso que nos questionamos, se há lucros por que iremos aceitar a retirada de nossos direitos? Por isso, a categoria entrou em greve em todo o Brasil, com adesão massiva”.
Ações
Na última terça-feira (25), os funcionários realizaram um ato de doação de alimentos em Getúlio Vargas. “Reunimos os trabalhadores da região de Passo Fundo, Soledade, Marau, Getúlio Vargas, Estação, Erebango, Sertão e Erechim, e entregamos alimentos a uma entidade do município, como também, apresentamos uma carta aberta para a população, explicando nossas reivindicações, visando a conscientização das pessoas sobre como esse momento está sendo difícil para nós”, destacou o diretor. Ontem (27), os funcionários fizeram doação de sangue ao Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo.
Audiências de conciliação
“Espero que a população seja compreensiva com a nossa causa, entendemos que é um momento difícil principalmente por causa da pandemia provocada pela covid-19, mas torço para que entendam que nós também queremos voltar o quanto antes às nossas atividades profissionais, mas precisamos ter boas condições de trabalho”, concluiu Zapello.
As audiências de conciliação entre os funcionários e a direção da empresa já estão ocorrendo, a primeira foi realizada na quarta-feira (26), mas ainda não há acordo entre as partes.
Nota dos Correios
Na terça-feira (25), a assessoria de comunicação dos Correios enviou à imprensa uma nota, informando que ajuizou um dissídio coletivo. Confira:
“Como não houve acordo com as entidades representativas dos empregados, os Correios ajuizaram, nesta terça-feira (25), o Dissídio Coletivo de Greve no Tribunal Superior do Trabalho. Desde o início de julho, a empresa tentou negociar com as entidades representativas os termos do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021. Dando continuidade às ações de fortalecimento de suas finanças e consequente preservação de sua sustentabilidade, a empresa apresentou uma proposta que visa a adequar os benefícios dos empregados à realidade do país e da estatal.
Os Correios ressaltam que os vencimentos de todos os empregados seguem resguardados e os trabalhadores continuam tendo acesso, por exemplo, ao benefício auxílio-creche e aos tíquetes refeição e alimentação, em quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada trabalhador. Estão mantidos, ainda, os respectivos adicionais aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento”.