O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse nesta semana que o valor estimado da pavimentação do trecho de 69 quilômetros da BR 153 – Transbrasiliana, que liga Erechim a Passo Fundo, é de R$ 248 milhões. Isso resulta em cerca de R$ 3,5 milhões por quilômetro asfalto. Depois de divulgado, os valores geraram dúvidas, questionamentos e até espanto, se realmente estavam dentro da realidade.
O Jornal Bom Dia conversou com o engenheiro civil, Fabiano da Silva Jorge, mestre em engenharia de Infraestrutura e Meio Ambiente, e professor universitário na área de Estradas, Pavimentação e Transportes, para fazer uma avaliação sem ver o projeto da obra. Segundo Fabiano, “os valores são coerentes”.
Ele cita como exemplo a duplicação da BR 116 de Porto Alegre a Pelotas em que o quilômetro asfaltado gira em torno de R$ 5 milhões. O engenheiro civil comenta que a obra não envolve somente a rodovia em si. “Se fosse só a pista de rolagem, hoje, padrão DNIT, custaria em torno de R$ 1,5 milhão”, diz. E, acrescenta, “as obras de asfaltamento nos municípios ficam entre R$ 700 mil a R$ 1,5 milhão no máximo, mas em obras no município”.
Ele explica que no caso da Transbrasiliana envolve várias situações, como as condições do solo e, provavelmente, o projeto deve prever obras especiais. “Isto é, acessos, cruzamentos, readequar as pontes que são estreitas ou fazer ponte nova, algum elevado, cruzamento com necessidade de fazer viaduto, a parte de drenagem, que consome bastante, e pode ter alguma indenização prevista em alguma área. Então, tudo isso vai elevando os custos”, explica.
Fabiano comenta que, grosso modo, e sem olhar o projeto, os valores estão dentro. “É uma obra padrão DNIT”, diz.
O engenheiro civil ressalta que a Transbrasiliana corta vários municípios, comunidades, tem uma função arterial e um cunho de dimensionamento para tráfego pesado. “Se imaginarmos, hoje, que ela vai ser pavimentada a ERS 135 vai perder o seu movimento de caminhões para a Transbrasiliana”, observa,
Ele ressalta que, sem consultar o projeto, o valor de R$ 248 milhões está dentro da realidade. “Não estou vendo o projeto, mas se de fato se enquadrar numa classe arterial, o valor está adequado, lembrando que isso é preço orçado, PO, quando vai para uma licitação a tendência é que esse valor tenha uma baixa”, afirma. E, acrescenta, “eles não vão fazer uma rodovia pra ter problemas ali na frente”.