Um dos setores que também sente os impactos da pandemia é o de clubes e associações esportivas e recreativas. Com as atividades interrompidas desde março, o momento é ainda mais desafiador aos gestores que buscam meios para manter as instituições, mesmo com a impossibilidade de oferecer determinados serviços aos associados.
Diante desse cenário de incertezas e expectativas, a reportagem do Bom Dia conversou com alguns dirigentes para obter uma avaliação.
O gerente administrativo do Piscina Clube Erechim, Everton Luiz Meinhardt, comentou que o clube ficou totalmente fechado por aproximadamente 40 dias. Após essa data, foi obtida uma liberação pela Secretaria de Saúde, de algumas áreas, em conformidade com regras de higiene e segurança dos usuários. “A primeira foi a academia e depois o tênis, o futebol e, por último, a bocha. Todos os departamentos foram reabrindo gradativamente, conforme autorização, por meio de agendamento e com o dever de cumprir todas as medidas preconizadas pelo decreto municipal e estadual”, salientou.
Everton destacou que os espaços tem limite na capacidade de ocupação e devem seguir um protocolo específico. Do mesmo modo, o acesso ao jogo de bochas também é apenas de forma individual e com uso de máscara. “Com a bandeira vermelha não há possibilidade de jogos de futebol, mas na laranja sim. Na chegada ao clube é feita medição de temperatura de todas as pessoas”, acrescentou, citando que o funcionamento do clube é das 8h às 21h.
No ponto de vista do gerente, as permissões foram importantes, mesmo sem ter 100% das áreas em funcionamento. “É preciso manter a saúde financeira da instituição. Muitas pessoas frequentam somente na temporada e, por isso, em março, algumas pararam de pagar. Do mesmo modo, as que usufruíam de outros espaços, limitaram os pagamentos e depois foram colocando em dia e retornaram ao clube. Temos atualmente 453 sócios, além de os dependentes. Destes, em torno de 60% voltou à frequentar”, pontuou, reforçando a expectativa que, até o início da temporada, em 15 de novembro, haja a liberação para uso da piscina, mesmo com algumas regras.
Além das piscinas, os quiosques, a área verde com churrasqueiras e o próprio salão social ainda não têm liberação para uso.
Adaptações e retorno lento
Da mesma forma, o presidente da AABB, Luiz Carlos Menegazzo, frisou que o retorno aconteceu na semana passada, com cerca de 5% a 10% das atividades. “Tudo está sendo adaptado e organizado de forma lenta e com poucas pessoas praticando esportes e respeitando todos os protocolos dos decretos. Também fizemos aquisições para a higienização do ginásio”, salientou.
Na AABB as quadras externas não estão liberadas, assim como o salão de festas e o quiosque. “Em outubro iremos organizar o orçamento para 2021 e já calculamos um prejuízo que pode chegar a 70%. Tivemos várias desistências, associados que perderam o emprego e deixaram de contribuir, além dos eventos que também foram interrompidos. Quanto às piscinas, não sabemos se haverá retorno em breve, contudo, prosseguimos com reformas e limpezas”, declarou, reforçando que as pessoas estão com bastante receio e na expectativa que a pandemia amenize os efeitos e as atividades possam ser retomadas com mais tranquilidade.
Diminuição de aproximadamente 80% na arrecadação
Gean Dalmuth, que atua na área administrativa do Clube do Galo, salientou que, desde o primeiro decreto a entidade se manteve parcialmente fechada. “O que é permitido nesse momento são as caminhadas e o pessoal pode levar as crianças, desde que usem máscara e sigam todas as outras medidas de prevenção”, reiterou.
Contudo, o acesso às piscinas e sauna, por exemplo, não está permitido. Gean estima que houve uma queda de aproximadamente 80% na arrecadação da entidade. “Com isso, alguns colaboradores foram demitidos, outros tiveram a suspensão temporária do contrato de trabalho e, atualmente, duas pessoas mantém suas atividades”, assinalou.
No calendário do Clube do Galo, faltam menos de 60 dias para a abertura da temporada de verão e não há perspectivas de como será o procedimento. “É complicado, pois, não podemos abrir para o acesso das pessoas às áreas verdes, mas os mercados e outros espaços estão lotados, por isso, acredito que poderia ser estudada uma forma de auxiliar o setor”, ponderou.
Prejuízos expressivos e anseio por mais medidas
A presidente do Clube do Comércio, Katiamara Badalotti, reforçou que estão sendo feitas todas as adequações necessárias no local, sendo que há cinco salões que podem ser usados. “Aguardamos as orientações das autoridades competentes para definir as próximas ações e vários eventos foram remarcados para o próximo ano”, relatou.
No que se refere às atividades da sede campestre, ela informou que estão praticamente paradas, sendo que há piscinas (que estão fechadas) e espaço para a prática de esportes e socialização (com controle de usuários). “Quem deseja fazer uma caminhada, por exemplo, pode obter uma autorização e, assim, controlamos o número de pessoas que entram”, explicou.
Conforme Katiamara, os prejuízos são muito expressivos, sendo que o último evento realizado pelo clube foi em março. “Percebemos que os membros do setor, de modo geral, estão sem muita expectativa e gostariam que as autoridades reunissem os representantes e, juntos, definissem um protocolo que analisasse a viabilidade de retomada dos eventos, de forma organizada, com toda segurança”, enfatizou.
Para auxiliar e manter o trabalho dos colaboradores, todos os sábados são organizados alguns pratos para comercialização. As pessoas interessadas podem retirar diretamente no Clube do Comércio.