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Geral

“Brindes” vegetais não devem ser plantados, descartados e podem ser extremamente prejudiciais

Essa é a afirmação das autoridades sanitárias sobre pacotes de sementes, bulbos, partes de plantas que não foram solicitadas e estão vindo com mercadorias adquiridas pela internet, principalmente de países asiáticos

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Em hipótese alguma descartar no lixo, na água ou em qualquer lugar que seja, mas colocar em pacotes
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Cidasc

A população do Alto Uruguai deve ficar atenta a uma situação muito preocupante que vem ocorrendo no país: o recebimento, sem solicitação, de sementes vindas do exterior junto com produtos adquiridos em sites de comércio virtual. Apesar de parecer inofensivo, isso é um fato muito sério, que pode trazer danos gravíssimos à saúde pública e à agricultura do país.   

Inicialmente, a reportagem procurou informações no estado vizinho de Santa Catarina, para depois contextualizar o assunto na região de abrangência do jornal, o norte do estado do RS.

Cidasc

Segundo a engenheira agrônoma, Fabiane dos Santos, gestora da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o envio de pacotes de sementes não autorizadas já foi anunciado por diversos países como EUA e Canadá. “No final do mês de julho, agosto, o Ministério da Agricultura emitiu uma nota alertando sobre esses envios, apesar de não ter sido relatado naquele momento no Brasil”, afirma.  

Comércio virtual

No entanto, conforme Fabiane, na semana passada a Cidasc recebeu uma denúncia de um morador da área urbana de Jaraguá do Sul, que comprou mercadorias via e-commerce (comércio virtual) num site de origem asiática e junto com elas vieram sementes sem procedência. Ela explica que a princípio são sites de comércio virtual asiáticos, mas que as sementes podem vir de vários lugares. “Estamos fazendo uma investigação para saber de fato da onde estão vindo essas sementes”, afirma.  

Segundo a gestora, o que ocorre, de modo geral, é que a pessoa recebe a encomenda, e, como “brinde” vem as sementes, e isso tanto para pessoas da área urbana como rural.  

Proibido

Fabiane explica que sementes de outros países só podem entrar no Brasil com autorização do Ministério da Agricultura. Elas devem passar por um processo de quarentena para se eliminar a possibilidade desse material estar contaminado com algum tipo de patógeno, fungo, bactéria, vírus, insetos ou plantas infestantes, que possam causar danos à agricultura. E, acrescenta, aparentemente, essas sementes enviadas como brindes são de espécies ornamentais, porém, algumas delas podem causar problemas.   

Ela enfatiza que mesmo que pareçam sadias, as sementes podem esconder diferentes patógenos que irão se disseminar e causar danos à agricultura do país.

“Parece que um pacote de sementes não vai causar tantos problemas, mas muitas dessas espécies prejudiciais à agricultura entraram no país através de pequenas e múltiplas introduções, muitas vezes trazidas por pessoas que foram viajar, fazer turismo, e resolveram trazer espécies de plantas diferentes para suas casas”, explica. 

Alerta

A gestora da Cidasc faz um alerta para que essas sementes não sejam plantadas, doadas, jogadas no lixo ou utilizadas de qualquer forma. “É preciso que esses pacotes sejam encaminhados, no estado de SC a Cidasc ou diretamente para superintendência federal do Ministério da Agricultura, que será responsável pela análise”, comenta. E, acrescenta, “depois que colocamos esse alerta na mídia temos recebido muitas denúncias de várias regiões e até de outros estados como RS”.  

Alto Uruguai

Segundo o engenheiro agrônomo, Claudir Santa Catarina, fiscal estadual agropecuário da Secretaria Estadual da Agricultura em Erechim, o recebimento de material vegetal para pessoas que fazem compras pela internet já vinha acontecendo em outros países e agora começou a ocorrer no Brasil. “Material esse que pode ser bulbos, sementes ou outras partes de plantas”, diz.  

Preocupação

“Preocupa porque esse é, notadamente, um procedimento ilegal e, portanto, traz riscos, porque pode ser material que tenha algum grau de contaminação química, biológica ou de micro-organismos capaz de causar doenças em pessoas, plantas e provocar impactos ao meio ambiente”, diz.

Além disso, ressalta Claudir, pode se tratar de plantas invasoras, daninhas, que teriam potencial de se instalar nos cultivos locais e causar prejuízos. “Até agora, não conhecemos a natureza e a identidade do que está chegando aqui”, afirma. Ele acrescenta que não se deve plantar ou semear o material, e o primeiro procedimento é não abrir o pacote recebido.

Caso na região

O fiscal estadual agropecuário comenta que já tem uma ocorrência na região que está sendo apurada. “Provavelmente, nos próximos dias teremos recolhimento desse material, por hora preferimos preservar a identidade e a também a localidade”, observa.

Destinação correta

Quem receber sementes, bulbos ou qualquer outra parte de plantas na sua residência, seja urbana ou rural, observa Claudir, deve dar a destinação correta. Ele faz um apelo aos agentes de desenvolvimento rural, produtores e população para quando tiver contato fazer a comunicação aos órgãos competentes. “Pra que a gente possa ajudar a solucionar esse problema”, afirma.

E, acrescenta, “em hipótese alguma descartar no lixo, na água ou em qualquer lugar que seja, mas colocar em pacotes plásticos e entregar nas inspetorias de defesa agropecuária do estado. Ou ligar para a Defesa Sanitária Vegetal (51) 3288-6289 e 3288-6294, WhatsApp (51) 98412-9961 ou o e-mail defesavegetal@agricultura.rs.gov.br”.

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