21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

Desabastecimento, alta nos preços e sem previsão de voltar ao normal

Crise sanitária fez com que faltasse matéria-prima para produção industrial e itens para venda no comércio

teste
Um dos itens que está faltando no mercado
“O cimento é uma gangorra, numa hora tem, noutra não”, diz Mariluci
“Toda parte de plástico teve aumento”, afirma Evandro
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) afetou, indistintamente, todos os setores da economia, agricultura, indústria, comércio e serviços, que precisaram se reinventar para se manter no mercado. Entre as dificuldades enfrentadas está a falta de matéria-prima para produzir ou vender.    

A pesquisa do IBGE Pulso Empresa, publicada no mês de setembro, mostrou que 37,5% das empresas brasileiras foram afetadas negativamente pela pandemia na segunda quinzena de julho. A pesquisa revelou que 45,3% das empresas brasileiras, isto é, cerca de 1.3 milhão de empresas do país tiveram dificuldades no acesso aos seus fornecedores.

Accie

Segundo o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Fabio Vendruscolo, alguns setores de Erechim estão sendo muito afetados pela falta de matéria-prima. “Não somente o setor metal mecânico, mas também a construção civil com falta de aço entre ouros produtos”, afirma.  

Ele afirma que se está vivenciando um momento atípico, em que há cinco meses toda produção do país parou. “E, agora, num momento de aceleração faltam todos os itens de consumo para a indústria, comércio e serviços, e, existem alguns casos mais graves, principalmente, no setor metal mecânico”, observa.  

Fabio comenta que a pandemia também teve efeitos negativos na venda de veículos. “Temos relatos de comerciantes de revenda de automóveis seminovos que não conseguiram comprar os veículos para revender”, afirma.

Segundo ele, outro problema grave é o aumento significativo nos preços dos insumos. “No meu caso é o papel, em alguns itens houve aumento de até 19%, e isso começa a inviabilizar alguns trabalhos que a gente teria pra produzir no final do ano”, afirma.

O presidente da Accie espera que essa situação se normalize o quanto antes para as empresas conseguirem tocar os seus negócios pra frente. “Vamos aguardar os próximos meses, até o fim de ano, aí teremos uma noção exata do que vai acontecer”, disse.

Impacto significativo

O comércio de materiais de construção foi um dos segmentos que sentiu os efeitos negativos disso tudo. Segundo a gerente da Vaccaro Materiais de Construção e Acabamentos, Mariluci Vaccaro, a pandemia teve um grande impacto nesse setor. Ela explica que as vendas de material de construção vinham caindo antes da pandemia e no momento estão num patamar estável. “Não regrediu nem progrediu, e, ainda mais, tem a falta do produto. Eu digo para o cliente, se encontrar, comprar o que procura, porque amanhã não se sabe se terá ou não”, diz.

A gerente comenta que está faltando muitos itens, entre eles tijolos, forro de pvc, cimento, de modo geral material bruto. “O cimento é uma gangorra, numa hora tem, noutra não”, diz. Ela comenta que não consegue fazer uma avaliação, mas houve perdas. “Não saberia dizer quanto porque trabalhamos com estoque na empresa”, afirma. E, acrescenta, “se me pedir uma quantidade significativa de ferro, hoje, não vou ter para entregar ao cliente. A fábrica diz que tem, mas não tem, conforme recebem eles vão atendendo a demanda”.

A recomendação da empresa aos vendedores é só vender se tiver o produto, porque senão não tem como garantir a venda. Essa estratégia está sendo utilizada para não se indispor com o cliente e arrumar um problema ainda maior. Mariluci explica que a situação não está normalizada e não saberia dizer quando estará. “Nem a fábrica consegue repassar isso pra nós”, afirma.

Falta e aumento de preços

Conforme o gerente da Carvalho Materiais de Construção, Evandro Salvi, a empresa está tendo problemas com a falta de matéria-prima, além do aumento nos preços dos produtos. “Estamos com bastante dificuldade em conseguir ferros, tijolos e cimento”, afirma.

Evandro ressalta que os preços de alguns itens aumentaram de forma absurda, principalmente na linha de pvc. “Toda parte de plástico teve aumento”, diz.  

Segundo ele, essa situação não tem previsão de voltar a uma certa normalidade, de acordo com informações repassadas pelos fornecedores da empresa. “E, se normalizar será em janeiro, fevereiro”, observa.

O gerente acrescenta que está faltando matéria-prima no mercado interno e isso está ocasionando o aumento de preços. “A demanda por material aumentou, o que está dificultando é a falta de mercadoria para entrega, que em alguns casos demoram 60 a 90 dias”, observa.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;