Próximo de completar o cinco aniversário de atuação em Erechim, o Projeto Fortalecer Equoterapia, desenvolvido na área da antiga sede do Patronato Agrícola São José, comemora a ampliação de uma parceria já existente com a Associação de Deficientes do Alto Uruguai – Adau.
Recentemente, 20 crianças e adolescentes, com deficiência, em situação de vulnerabilidade social ou déficit de aprendizagem, começaram participar do projeto, junto aos familiares, e recebem transporte adaptado, semanalmente, até o local.
Zenaide Kobieski é mãe de Gadiel, de 13 anos, que possui uma atrofia muscular. Para ela, o tratamento é muito importante e possibilita um retorno especial e que faz a diferença no dia a dia do adolescente. “A equoterapia é muito boa para estabilizar a musculatura. Após quatro anos em outra entidade, ele chegou agora ao Fortalecer e já colhe resultados positivos. É muito gratificante”, avalia.
Projeto com segurança
A coordenadora administrativa da Adau, Fernanda Zanella, explica que o 'Continuando a Caminhada' já atende alguns adultos com deficiência. “O projeto abriu novas vagas para que possamos trazer as crianças para o atendimento. Antes a locomoção era por conta de cada aluno e, agora, oferecemos o transporte”, comenta.
Segundo Fernanda, a equoterapia tem uma importância muito expressiva, considerando que a interação do animal com a criança pode fortalecer, não somente a parte física, mas possibilita outros benefícios, sendo que o destaque está na coordenação motora. Para os usuários da nossa entidade, a prática vem somar muito e reflete na diversidade de fatores que integram o cotidiano dos praticantes”, reforça.
Com a pandemia, a Adau realiza projetos esporádicos de atendimento ao público e foram adotadas todas as medidas de segurança e distanciamento controlado, desde o transporte. “Dividimos os participantes em grupos e intensificamos a orientação sobre o uso de álcool em gel, máscara e seguimento de todos os protocolos possíveis para minimizar os riscos de contágio pelo novo coronavírus”, salienta Fernanda.
Benefícios na saúde física e mental
A psicóloga, Lurdes Maggi, que atua na Adau, enfatiza que o projeto da Equoterapia foi muito bem aceito por todos os praticantes. “Explicamos sobre o funcionamento e percebemos que, além dos benefícios físicos, eles demonstram mais tranquilidade no que se refere a questão emocional. Ao chegar aqui, aguardam a hora que serão chamados para a prática e transmitem mais segurança e cuidado com a própria saúde. São crianças que precisam de um olhar especial e o projeto pode ser um grande aliado. Os resultados já são notáveis”, afirma Lurdes.
Prática interdisciplinar e com demanda crescente
A assistente social e coordenadora do projeto de Equoterapia, Adriana Santana, relata que a ideia surgiu a partir de um chamamento público, considerando que a entidade não havia atingido o público-alvo determinado de 20 famílias e adolescentes, em razão da falta de transporte para alguns praticantes. “Como a prefeitura de Erechim não concedeu mais a locomoção, para não devolvermos o dinheiro, estamos pagando essa ação compensatória em parceria com a Adau. Atendemos pelo modelo de ressocialização: eles fazem o exercício, andam a cavalo e passeiam na trilha”, destaca.
O 'Continuando a Caminhada', prossegue os trabalhos que vinham sendo desenvolvidos no ano passado e, com a Adau, tem a duração de quatro meses. “A ideia é prosseguir com outra ações. O contato com os animais e a natureza é muito importante para os praticantes. Do mesmo modo, a equoterapia possui uma demanda muito expressiva e aumentou a procura nos últimos tempos”, acrescenta a assistente social, pontuando que, atualmente, há 62 praticantes.
O desenvolvimento da equoterapia conta com uma equipe multidisciplinar formada por: psicóloga, fisioterapeuta, assistente social e guia. Para o projeto, recentemente foi contratado mais um guia para contribuir nas práticas. “É uma atividade muito boa que usa do cavalo como suporte. Algo mais demorado mas os resultados são muito efetivos”, reitera Adriana.
Adaptações em razão da pandemia
Com a pandemia, os trabalhos da Equoterapia paralisaram somente 15 dias, no fim de março até início de abril, momento em que os grupos de família também foram suspensos. “Aos poucos conseguimos ajustar os horários para evitar aglomerações. É muito importante atender o praticante e, ao mesmo tempo, ter o acompanhamento e entendimento dos familiares. Dessa forma o tratamento se complementa, agrega, e se torna essencial para a evolução e êxito da terapia”, reforça.
A coordenadora afirma, ainda, que são seguidos todos os protocolos contra a covid-19. “Disponibilizamos o álcool gel, esterilizamos a manta e orientamos sobre o uso da máscara”.
Como o projeto conta com o apoio de entidades e da sociedade, como um todo, quem quiser contribuir, pode ligar e obter o número da conta, porém, a orientação inicial da equipe é: “venham conhecer o projeto, o qual dispõe de um trabalho diferenciado, que não tem fila de espera”, informa Adriana.