21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

Venda de legumes e verduras diminui e empresários adaptam produção

teste
A maior parte da produção é oriunda do plantio próprio e a empresa também conta com muitas parcerias
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Em meio a pandemia, diferentes setores precisaram se adaptar para prosseguir as atividades e minimizar os prejuízos. Na área de alimentação, várias empresas que integram esse serviço essencial, lutam diariamente em um cenário desafiador e num período sem muitas expectativas de mudanças.

Um exemplo é a empresária Aline Fátima Skovronski, de Áurea. Com seis anos de atuação voltada especificamente à linha de hortifrutigranjeiros, ela comenta que, nesse ano, muitas mudanças foram necessárias. “Havíamos projetado a abertura de outros oito pontos de venda no Estado e, em abril, os planos precisaram ser adiados. Foi um conselho das próprias lojas diante de um momento diferenciado, que não sabíamos como o mercado e os próprios consumidores iriam se comportar. Então, o pedido foi: tenham muita cautela, desde o plantio e a organização como um todo”, relata.

Com isso, a produção foi reduzida em 55% (plantio). “Sempre fizemos planejamentos e já tínhamos um cronograma de mudas, o qual necessitou de alterações. Do mesmo modo, no mês de novembro do ano passado foi adquirida uma máquina embaladora automática que permite dobrar a produção. No entanto, ainda não foi possível utilizá-la na capacidade total”, salientou a empresária.

Organização do trabalho

Aline explica que a maior parte da produção é oriunda do plantio próprio e a empresa também conta com muitas parcerias, desde produtores locais e de outras regiões que fornecem subsídios em fases diferentes de produção.

Atualmente são 16 funcionários e os itens são recebidos no setor industrial onde é feito o armazenamento e todo o trabalho de escolha, separação, lavagem, descasque e, após, a distribuição. A empresa atende praticamente todas as regiões do Estado. “Precisamos reduzir três funcionários no grupo e deixamos de contratar outras duas pessoas”, pontua.

Conforme Aline, é feito um controle rígido e são seguidos todos os cuidados para garantir a segurança alimentar dos consumidores. “A linha conta com cerca de 32 itens, entre processados, bandejas e também, produtos in natura (em menor quantidade). O líder de vendas é o brócolis, seguido da alface americana e da couve-flor”, cita.

Avaliação nas vendas

Com a necessidade de adaptações na rotina diária, na prática a percepção da empresa foi de queda no consumo de muitos itens. “Atuamos em uma linha que não pode haver estocagem. Nesse sentido, como diminuímos significativamente a produção, não tivemos perda de alimentos. Também fizemos a diminuição de preços com o propósito de auxiliar na comercialização. Mas houve semanas que, mesmo com valores mais acessíveis, não foi percebido um crescimento no volume das vendas”, assinala a empresária.

No momento atual, a procura ainda está baixa. De acordo com Aline, o reflexo é que, no comparativo com o mesmo período do ano passado, foi registrado um aumento de 11% em número de itens vendidos. “Porém, quando analisamos o faturamento dos dois momentos, teve uma quebra de 36%. Percebemos que os consumidores estão sensíveis aos preços, o que também é compreensível, pois a crise afetou os diferentes campos”, frisa.

Em busca de mais valorização

Na avaliação de Aline, o setor de hortifrutigranjeiros tem, ainda, um desafio extra, pois há um percentual pequeno de consumidores. “Se compararmos a outros produtos, como o feijão, muito bem aceito e buscado pela maior parte das pessoas, os itens como verduras e legumes, tem em torno de 25 a 30% de adesão, mesmo integrando a cesta básica. Ao mesmo tempo, acreditamos que as pessoas estejam limitando os gastos com alimentação e até indo com menos frequência ao mercado”, analisa.

Em paralelo, Aline afirma que os custos de produção não pararam de subir. “A cadeia de hortifruti está com preços defasados, se considerarmos a proporção de que sobe o valor dos insumos e, também, os custos com logística, mecânica, compra de embalagens, entre outros”, acrescenta.

Nesse sentido, a empresária acredita que é importante uma valorização cada vez maior do setor, levando em conta que nem sempre é de conhecimento das pessoas, todas as etapas de produção e investimentos que são feitos pelas empresas e serviços especializados. “Quando nos submetemos a realizar esse trabalho, nos adequamos à legislação e seguimos todas as normas. Isso nos gera um custo, o que é favorável, pois os investimentos são focados na saúde e bem estar de quem irá comprar. Nosso foco sempre foi: o que o cliente deseja receber?”, ressalta.

Perspectivas

Para Aline, as dificuldades devem refletir nas ações dos próximos meses. “Para esse ano não temos muitas expectativas. Para 2021 a projeção é que os avanços aconteçam de forma lenta. Contudo, seguiremos com nossos planos e o anseio de concretizar os projetos”, enfatiza.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;