Há mais de dois séculos, o fim do mês de outubro é marcado por homenagens aos registros escritos, com o Dia Nacional do Livro, comemorado nesta quinta-feira (29). A data é uma referência à criação da Biblioteca Nacional do Brasil, em 1810.
Contudo, para o jornalista e escritor, José Adelar Ody, o hábito da leitura, algo tão importante para a formação cultural, vem perdendo espaço no dia a dia das pessoas. “Penso que perdemos muito tempo não valorizando a leitura, especialmente na escola. Lembro do professor Rabello, do Colégio Mantovani, que incentivava ler em voz alta para toda a turma, aquilo era ‘muito melhor’ que encher os cadernos de escolas literárias e suas características”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.
“Anos mais tarde, quando estive em sala de aula, em várias oportunidades nos dois últimos períodos, com os alunos já cansados, íamos à biblioteca retirar pilhas de livros, um para cada aluno e passávamos dois períodos em silêncio, lendo. Um dia descobri que eu estaria ‘matando aula’, se essa atividade era interpretada dessa forma, já temos uma ideia sobre o assunto”, acrescentou.
Incentivo à leitura
Ody, acredita que a leitura traz inúmeros benefícios à formação das pessoas e, por isso, deve ser sempre incentivada. “Vai do ler pouco, do não ler, daquele que lê pra valer, do leitor por prazer, por necessidade ou simplesmente do leitor que o faz, pois sabe que dali pode recolher não apenas uma história a ser incorporada ao que já sabe, mas uma série de benefícios que, no fim das contas, farão dele uma pessoa com maiores possibilidades na vida”.
“O conhecimento que vem junto com o que se lê, se sobre história, filosofia, religião, Deus, ficção, romance, suspense, biografias ou até mesmo sobre futurologia, junto neste ‘combo’ vem a escrita formal, a ampliação do vocabulário, descoberta de sinônimos, conjugação, novas expressões, pontuações e seus significados, coordenação de frases, descobertas históricas e geográficas, a política, verdades e mentiras, artimanhas, coerência, lugares e culturas. Pela leitura nos situamos melhor, onde vivemos, quem realmente somos e onde podemos chegar”, complementa o jornalista.
As asas da nossa imaginação
Além disso, Ody destaca outros benefícios que só a leitura pode proporcionar. “O simples ato de ler pode nos oferecer outras e mais notáveis características, diria ainda que através da leitura, acionamos as asas da nossa imaginação (para muitos, único meio de viajar, conhecer e até descobrir-se em ‘terras alheias’). Afora a criatividade individual, e sob este aspecto, a leitura é um meio barato, acessível e que dá resultados. Desconfio mais: o mérito do livro que nos marcou, não está em si mesmo, nem naquela história em especial, a obra da nossa vida pode estar no gosto íntimo do leitor, por uma questão muito pessoal. Não fosse a ssim, as histórias bateriam num empate”.
Nesse cenário, o jornalista acredita que o incentivo à leitura deve iniciar cedo. “Só há um caminho para difundir a leitura: ler para quem está sendo concebido, que nasceu hoje, ontem, para quem começa a se descobrir como alguém que existe e vive entre nós, ler em casa, na escola, criar rodas (clubes) de leitura e debate. Se nunca é tarde para começar, a leitura não deve ser um objetivo que ‘ainda vou realizar antes de partir’, deve ser fonte daquilo que se vai fazer ao longo da vida, de modo a ser um dos prazeres da vida”.
“Atlanga – 40 anos de emoções”
Em 2019, ao lado do jornalista Marcos Aurélio Castro, Ody publicou o livro “Atlanga – 40 anos de emoções”. “O embrião do livro já existia, saiu em uma edição especial do jornal ‘A Voz da Serra’ em 1997. Foi um trabalho de equipe e pensei que podia virar livro, pois as edições de jornais geralmente se perdem e os livros resistem muito mais. Quando decidi pelo livro logo descobri que teria de refazer tudo, muitas pessoas ouvidas já não estavam mais entre nós e também surgiram novas ideias. E aí veio a ampliação da pesquisa, novas fontes, fotos, e dar um ‘ar mais leve à leitura’. O trabalho de pesquisa é algo extenua nte, instalam-se dúvidas que exigem ser esclarecidas e nunca poderemos descartar que surja alguém a contestar o que foi garimpado. Um livro à base de pesquisa, talvez seja mais difícil do que um de ficção, um romance, uma história onde o autor pode ir conduzindo os fatos conforme decisão pessoal, sem o risco de agredir o que já aconteceu”, concluiu.
Incentivo nas escolas estaduais
Segundo a coordenadora da 15ª Coordenaria Regional de Educação, Juliane Bonez, o incentivo à leitura nas escolas estaduais ocorre em paralelo com as aulas. “Acontece dentro da dinâmica de cada instituição de ensino e conforme o nível de ensino, irá atingir um patamar. Enquanto Coordenadoria, nós orientamos que as atividades de leitura transcendam o simples ato de ler um livro, mas que se apresentem outras informações necessárias para melhorar a instrução de nossos estudantes. Ainda, os professores incluem a leitura no planejamento das aulas. Percebemos que hoje, como as bibliotecas são digitais, pois as atividades presenciais nas escolas estão restritas a grupos, o acesso aos livros aumentou”.