A situação do fornecimento de água e tratamento de esgoto, o saneamento básico do município de Erechim, encerra 2020 sem definição. Sobrará para o prefeito eleito, Paulo Polis, achar uma resolução para um problema que vem se arrastando há anos, já que Erechim não tem tratamento de esgoto.
Para se ter uma ideia, em 2018, 2.119 piscinas olímpicas de esgoto foram despejadas na natureza, um volume de esgoto não tratado de 5.298,02 mil metros cúbicos. Esse é o volume, aproximado, que retornou para os mananciais que abastecem os reservatórios de água. Em Erechim, 100% do esgoto não é tratado e volta todo para a natureza, para os rios.
Conforme pesquisa do Trata Brasil, a grande maioria da população tem acesso a água tratada. Isso significa que 99.007 pessoas têm acesso à água, o que representa 94,2% da população, e, 6.052 ainda está sem acesso a esse bem, isto é 5,8% do total. O consumo per capita de água em Erechim é de 138,17 litros diários por pessoa (dados de 2018).
Saneamento
Segundo a bióloga, Claudia Santin Zanchett, que trabalha na 11ª Coordenadoria Regional de Saúde e coordena as ações do programa Vigiágua (RS) na região Alto Uruguai, a água é indispensável à vida, ainda mais, neste momento, em que é necessário seguir os protocolos de higienização para conter a covid-19. Ela explica que toda água para consumo humano, ingestão, usada na preparação de alimentos e higienização deve ser potável, precisa atender os padrões da legislação brasileira de potabilidade.
Alto Uruguai
Conforme a bióloga, é preciso olhar com mais atenção a questão da água, já que a região tem uma população de aproximadamente 233 mil habitantes, e 60% desse total, isto é, 140 mil pessoas são supridas por água de captação superficial. “Isto é, a Corsan capta água de rios da região e faz o tratamento. Sendo um contingente grande de pessoas que dependem da captação da água superficial para consumo”, explica.
Realidade
De acordo com ela, a realidade da região é que 60% da população tem como fonte água de rios para tratamento; 37% captação subterrânea de poços tubulares profundos; e, 3% com as próprias fontes superficiais nas propriedades, que não são abastecidas por redes de água, o que dá 8 mil pessoas na região. “Do total dessa população (233 mil pessoas), 95% tem acesso a água tratada, são abastecidos por redes públicas em área urbana e rural, com tratamento conforme a legislação”, afirma.
Avaliação
Na avaliação da coordenadora do Vigiágua, a região tem uma dependência muito grande com a captação superficial de água, em rios, para consumo da população. E quando se fala em segurança da água para o consumo humano, é preciso olhar a efetividade e segurança de todo o processo.
Isto é, desde a captação nos mananciais superficiais, ou águas subterrâneas, tratamento adequado, distribuição segura, e a reservação, tanto comunitária quanto nas residências, para a água chegar até as torneiras sem transmitir ou levar vírus, bactérias, enfim, algo que possa ser prejudicial para as pessoas, como as doenças de vinculação hídrica.
Saneamento básico
Segundo a bióloga, outra questão importante está relacionada ao tratamento dos efluentes, que já existe legislação, um “arcabouço” legal muito bom para os municípios trabalhar. “Há necessidade de tratamento dos esgotos, domésticos, industriais, hospitalares, todos os tipos de efluentes, para que não contaminem o meio ambiente, porque levam junto consigo várias bactérias, são vetores de muitas doenças, que podem infectar tanto o solo como a água se não forem tratados”, observa.
Preocupação
A coordenadora do programa Vigiágua no Alto Uruguai, que trabalha há 20 anos na área ambiental não vê avanços significativos, políticas públicas incorporadas e executadas, quando o assunto é tratamento dos esgotos e a preservação das águas.
Claudia ressalta que é preciso olhar com preocupação se 60% da população depende da captação das águas dos rios para tratamento e consumo humano, e, ainda mais, se não há avanços em políticas públicas efetivas de tratamento dos esgotos gerados. Esse é o caso de Erechim, o maior município da região Alto Uruguai, com pouco mais de 100 mil habitantes, em que é abastecido por captação superficial, por uma barragem que recebe a contribuição dos rios Leãozinho, Ligeirinho, Campo e do Cravo para formar o reservatório de captação.
Ela destaca que quando um município, deste porte, não tem tratamento de esgoto, há um grande impacto ambiental nos rios da região, mesmo que não chegue diretamente nos rios de captação. A contaminação ocorre de forma indireta e chega até os mananciais, solo, lençóis freáticos, por infiltração, já que o esgoto não tratado pode chegar aos lençóis.
Saúde pública
A bióloga e coordenadora do Vigiágua ressalta que ainda há muito a melhorar quando o assunto é água, e que essa questão já deveria estar mais adiantada na região, isso porque, saneamento básico, tratamento de água e esgoto, é fundamental. Claudia acrescenta que o tratamento de água e esgoto tem que ser uma ferramenta de proteção à saúde.