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Muitos desafios pela frente

Transporte de passageiros do turismo e urbano foram setores muito prejudicados na pandemia. A carga horária de trabalho do motorista está meio sem controle e chega, hoje, em média, a 12 horas diárias, diz Machado

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José Celso Machado
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Está prevista uma paralisação dos profissionais que fazem o transporte rodoviário no país, nesta segunda-feira (1º). Devem participar dela caminhoneiros autônomos, empregados e cooperados. A interrupção das atividades pode se estender por prazo indeterminado, em algumas regiões do Brasil. E como será no Alto Uruguai?

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Alto Uruguai, José Celso Machado, afirma que não é contra o movimento, mas que não participou de nenhuma reunião para avaliar esta questão.  

Pandemia

Ele explica que uma das grandes dificuldades de hoje da categoria está relacionada à pandemia, já que o motorista precisa ir a diversos lugares para fazer as entregas, carregar as mercadorias e abastecer. “O motorista está muito exposto. Quando ele está no caminhão ou no ônibus está seguro, mas o pior é quando precisa descer em pontos de cargas, apoio, carregamento, em que há grande quantidade de pessoas. E essa doença é um inimigo invisível”, afirma.

Segundo Machado, houve muitos casos de covid-19 em motoristas de caminhão da região, mas não há um levantamento preciso de quantos.

Ele acrescenta que o transporte de passageiros do turismo e urbano foram setores muito prejudicados na pandemia. “A carga nem tanto”, disse.

Sindicato

Hoje, o sindicato tem 1050 associados e esse número não representa a totalidade dos profissionais na região, que tem muito mais. O sindicato abrange 19 municípios do Alto Uruguai.

Salário  

Ele comenta que a negociação salarial é outra questão importante e que os profissionais têm dificuldade, já que a média de salário de transportador de carga é de R$ 2 mil e de ônibus R$ 2,8 mil.

Carga horária

Conforme Machado, a carga horária de trabalho do motorista está meio sem controle e chega, hoje, em média, a 12 horas diárias, no mínimo. “Aonde existe um controle de carga horária é no transporte coletivo de passageiros, que está mais controlado. Essa é outra dificuldade que a categoria enfrenta”, disse.

Saúde

Ele comenta que o caminhoneiro tinha aposentadoria especial, que era mais justa pro profissional. “Hoje, tem gente trabalhando no sacrifício e é até difícil de calcular como ele vai se aposentar”, afirma. E, acrescenta, o projeto antigo, se tivesse sido posto em prática, determinava controle de trajeto, intervalos, almoço. “Sendo que hoje isso não existe, terminou de almoçar já coloca o pé na estrada, anda direto pra retornar para casa”, afirma.

Segurança

Com relação à segurança na estrada, Machado afirma que na região sul não tem muito problema para os motoristas, existem casos isolados, mas que Brasil afora, nas cidades grandes, é bem perigoso. E ele ressalta que muitos profissionais da região cruzam o Brasil, porque quando é tempo de crise tem que ir buscar carga para transportar onde tiver.

Preocupa

Uma das preocupações de Machado, agravada com a pandemia e o isolamento social, é a falta de comunicação da categoria, contato direto entre as pessoas, reuniões, assembleias. “Ficou mais difícil a comunicação”, afirma.

Combustível

“Esse é um problema para a categoria, o diesel está muito caro, entre R$ 4,13 a R$ 4,07. É muito caro, porque tem caminhão que não roda dois quilômetros com um litro de diesel. Então, se somar é muito dinheiro e isso pesa no transporte e para o consumidor final, que ajuda a pagar esta conta”, observa.

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