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Rural

Preço do feijão segue tendência de alta

Feijão preto que era comercializado a R$ 140,00 por saca passou para R$ 250,00 e o feijão do tipo carioca quase dobrou de preço

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Natalino Rossi já fez mudanças no cardápio
Por Rosa Liberman
Foto Larissa Paludo

 

Nos últimos 60 dias o preço de todas as commodities agrícolas tiveram acentuada elevação. O feijão teve o mesmo comportamento pela redução de área e menor produção. Assim, o feijão com arroz está mais salgado para os gaúchos, bem como os consumidores do Alto Uruguai.

Conforme o agrônomo da Emater Regional Paulo Silva, o feijão preto que era comercializado a R$ 140,00 por saca passou para R$ 250,00 e o feijão do tipo carioca quase dobrou de preço chegando próximo aos R$ 600,00 por saca de 60 kg. “Esta elevação tem levado os atacadistas e supermercados do centro do país a reduzirem a compra e oferta do produto no balcão. Podemos dizer que o preço do feijão está ultrapassando os limites que a população poderia pagar”, salienta.

De acordo com Osvaldo Rossi, gerente de um supermercado de Erechim, os preços tiveram reajuste de no máximo 8% nos últimos meses, mas como o estabelecimento possui estoque não houve repasse maior. Ele acredita que, quando uma nova reposição for feita aí sim, um reajuste superior deverá ocorrer. Segundo ele porque não há produto disponível. Os preços variam de R$ 4,95 a R$ 10,57 ao consumidor.

O aposentado Natalino Rossi diz que mudou os hábitos por causa do preço do feijão. Antes o alimento era feito em grande quantidade na semana e servido até três vezes, agora é uma vez por semana e, nos demais dias o feijão é substituído por outros alimentos. “Não dá para ficar sem feijão, então escolho bem, observo os preços e vou pelo mais barato, mas aquele bonito também. Nos outros dias a gente substitui por outras comidas”, conta.

Já o integrante da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), proprietário de outro supermercado de Erechim, Ademir Fávero, explica que o supermercado está no meio entre as duas cadeias: produtor e indústria e quando há esta alta, é consequência o aumento ao consumidor. Segundo ele, algumas marcas sofreram reajuste de 10% a 20% nos últimos dois meses, mas nos próximos 30 dias novos aumentos devem ocorrer.

“Quando há aumento de preço, o consumidor se adequa conforme sua necessidade, neste caso, deverá diminuir o número de dias em que consome o feijão, substituindo as marcas, ou também o alimento”, diz.

Os preços praticados variam de R$ 4,49 a R$ 6,99, mas devem ser aumentados nos próximos dias.

Conforme o 9º Levantamento de safras divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no dia 09, a produção total estimada para o feijão primeira safra em todo o país é de 1.030 mil toneladas. A área destinada ao plantio do grão, teve decréscimo de 8,9% em relação à safra passada, e deverá ser de 959,9 mil hectares.

O agrônomo da Emater explica que no Brasil são três safras de feijão por ano, considerando  as diversidades regionais e  pelos tipos de feijão cultivado. “O tipo carioca é o mais consumido no Brasil e para as safras deste ano a Conab aponta uma redução de 3,5% na área cultivada sobre a safra passada. Indica também problemas de excesso de chuvas e falta dela considerando as diferentes regiões produtoras no Brasil”, salienta Silva. 

No Rio Grande do Sul, a área de feijão reduziu para este ano. As estimativas indicam que foram de 43.064 ha para 41.800 ha. No Alto Uruguai a redução de área cultivada  também segue a mesma tendência de encolhimento nas áreas de feijão. Neste ano foram cultivados 2.700 ha  e na safra anterior 3.200 ha. “Salientamos que no RS e no Alto Uruguai a maior área plantada é com cultivares do tipo feijão preto. Quanto a produtividade regional nesta primeira safra de 2016  alcançou 1.900 kg/ha – considerada muito boa, enquanto no ano anterior ficou em 1.470 kg/h”, acrescenta.

O agrônomo explica ainda que o centro-oeste do país teve problemas de falta de chuvas o que levou a redução da produtividade e, desta forma, favoreceu o aumento dos preços.

 

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