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Tecnologia da Informação: múltiplas oportunidades em um cenário de mudanças constantes

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Em meio a uma realidade adaptada em razão da pandemia causada pelo coronavírus, práticas do cotidiano, desde o lazer até o âmbito profissional, têm no campo das tecnologias, um suporte ainda mais expressivo.

No entanto, se por um lado, as demandas na área são crescentes, o mercado ainda identifica a carência de mais pessoas habilitadas para exercer as funções correspondentes ao setor. A observação é do pesquisador e professor do Senac e da URI Erechim, Rogério Ciotti, que ainda comenta, em entrevista ao Bom Dia, que, para quem já está atuando na área, aumentou a valorização profissional no quesito financeiro, desde o ano passado, além de as possibilidades para o exercício das atividades. Um exemplo, cada vez mais comum, é que muitas pessoas podem trabalhar de casa em Erechim e atender grandes grupos e empresas multinacionais.

Crescimento permanente

Com a pandemia, muitas empresas investiram em transformação digital e atendimento virtual. Houve um crescimento da digitalização das empresas, que “apostaram” em vendas on-line, por meio de plataformas, logística, entre outras ferramentas. O número de serviços que utilizam como mediação a Internet registrou um aumento fora do comum nesse período e continua em crescimento permanente. “Diante disso, as empresas que atuam na área ampliaram as contratações no ano passado e devem continuar acelerando por um bom tempo. Em 2020 passaram de 143% em relação a 2019. Para 2022, é esperado que esse número triplique”, pontua Rogério.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até 2024 devem ser contratados cerca de 420 mil profissionais no setor de TI. A isso, soma-se o fato de que o setor enfrentará um déficit de 260 mil no futuro. Esses números são resultados de uma previsão com base na capacidade das instituições que formam alunos no País. 

Mão de obra qualificada

No Brasil, são ofertados, ao mercado de trabalho, 43,8 mil profissionais a cada quatro anos, ou seja, uma média de 12 mil por ano (Ministério da Educação, 2020). Número insuficiente para atender a demanda de 105 mil profissionais, por ano, entre 2020 a 2024. “Nosso país faz parte de uma situação global de falta de mão de obra qualificada em tecnologias da informação. Isso já ocorria antes da pandemia. Além disso, fatores como a alta taxa de evasão nos cursos de formação, pouco domínio da língua inglesa e a rapidez nas mudanças e novas linguagens de programação, também contribuem para essa situação”, avalia o pesquisador. 

Conforme o professor, os jovens que navegam na Internet, que têm dúvidas sobre qual carreira seguir e gostam de estar conectados a um dispositivo, podem e devem se desafiar na área de Tecnologia da Informação. Esses profissionais, com certeza, estarão no topo das mais escassas profissões nos próximos anos, conforme os dados apresentados até o ano de 2020. “Erechim é um polo industrial e mesmo com as instituições de ensino da cidade e as pessoas em formação, não conseguimos atender ao mercado local. Reforço, quem está interessado nessa área, procure as instituições, busque informações com um profissional, e saiba mais sobre os campos de atuação. Tudo pode começar com um curso profissionalizante. É uma oportunidade para aprimorar a prática. Posteriormente, caso a pessoa se identificar, terá que aprofundar os conhecimentos”, comenta Rogério, citando que, em um mercado aquecido, entre os diferenciais que compõem o perfil do profissional, está a curiosidade e a audácia para buscar compreender o que nem sempre tem conhecimento.

Do mesmo modo, a confiança e a humildade são essenciais para o exercício da profissão.

“A pandemia transformou minha vida profissional”

O erechinense, Daniel Cristiano Soares da Silva trabalha há 15 anos na área de informática/TI. Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pós-graduado em Administração de Banco de Dados e Análise de Dados, atua como Analista de Desenvolvimento de Software na Philips EMR do Brasil, com sede em Blumenau/SC.

A fase é diferenciada, traz satisfação à Daniel que recentemente enfrentou um momento delicado após perder um emprego em plena pandemia. “Preocupado, um amigo concedeu algumas dicas de como usar uma rede social de trabalho para procurar uma nova oportunidade na área. A dica consistia em usar Hashtags para chamar a atenção a determinados assuntos, usar termos em inglês também pode ajudar você ganhar mais visualizações das postagens”, relata.

Então, por meio de cruzamento de dados, o analista foi encontrado pela empresa Philips que, entre vários produtos como monitores, aparelhos de cuidado pessoal, máquinas de exame, também desenvolve Sistema de Gestão de Saúde para hospitais e clínicas. “Uma imensa bateria de testes foi feita, além de entrevistas via plataformas on-line”, acrescenta.

Segundo Daniel, atualmente é um período diferenciado para programadores, analistas de Sistemas e técnicos de TI no mercado. Do mesmo modo, há uma oferta expressiva de cursos oferecidos por instituições, inclusive com possibilidade do ensino à distância. “Com essa valorização, os profissionais mais qualificados ou experientes podem conseguir um salário acima da média, trabalhando remotamente para outras empresas fora de suas regiões”, revela.

Daniel trabalha remotamente em Homeoffice e ainda não conhece presencialmente seus colegas de trabalho que estão em outras cidades e países.

Segundo ele, várias ferramentas de reuniões por vídeo e acesso de sistemas via Internet já eram uma realidade antes da pandemia, porém essas ferramentas exigem investimento em infraestrutura, como um bom link de Internet, um computador mais potente, câmera, microfone e uma sala adequada em casa. “Um dos maiores desafios do Homeoffice é que você precisa ter disciplina, ainda mais responsabilidade e segurança pois você está levando a empresa para sua casa. Desse modo, não pode deixar ninguém ver informações sigilosas. Seus familiares precisam entender que você está em horário de trabalho e nem sempre vai poder dar atenção”, ressalta o erechinense que acredita que esse modelo de trabalho veio para ficar, sendo que muitas empresas tiveram redução de custos ao implantá-lo.

 

 

 

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