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Pandemia e os inúmeros impactos na rotina dos autistas

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Nesta sexta-feira (02), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. A data foi definida pela Organização das Nações Unidas (ONU), no fim de 2007, quando vários pontos e espaços se iluminam de azul para chamar a atenção da sociedade para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Como o próprio nome sinaliza, o autismo engloba uma série de diferentes apresentações do quadro, que têm em comum: maior ou menor limitação na comunicação, seja linguagem verbal e/ ou não verbal; na interação social; comportamentos caracteristicamente repetitivos e com gama restrita de interesses.

A gravidade varia desde pessoas que apresentam um quadro leve e com total independência e discretas dificuldades de adaptação (por exemplo, autistas de alto funcionamento, síndrome de Asperger) até aquelas que serão dependentes para as atividades de vida diárias (AVDs).

O autismo aparece nos primeiros anos de vida. Apesar de não ter cura, terapias e medicamentos e é claro, muito amor, podem proporcionar qualidade de vida para os pacientes e suas famílias.

Impactos da pandemia

A presidente da Aquarela Pró-Autista de Erechim, Neiva Gorete Sabedot, destaca que, do mesmo modo que os diferentes setores e atividades tiveram que se reinventar com a pandemia, não tem sido diferente em todos os trabalhos que envolvem as pessoas com autismo. “Além dos autistas, famílias, profissionais, instituições, associações, eventos, clínicas, todos, sem exceção, foram relevantemente impactados”, pontua.

Segundo Neiva, a Aquarela precisou se readequar para o novo. Antes da pandemia, a maioria dos autistas era atendida em grupo e, após, a instituição organizou os atendimentos individuais. “Em nenhum momento paramos as práticas, mesmo na bandeira preta. Somente as pessoas que tem atestado médico, devido a algum problema de imunidade, não estão vindo”, comenta.

Desafios

A equipe de profissionais também teve que se reinventar diante da pandemia e ampliou expressivamente a quantidade de trabalho. “É necessário muito mais cuidado, incluindo brinquedos e equipamentos. Depois de cada atendimento, tudo é desinfetado. Outro aspecto é que a maioria dos autistas não consegue usar máscara e a lei os protege, então quem precisa tomar cuidado é o profissional. O atendimento e a atenção redobrada iniciam na porta de entrada já com a orientação e ajuda na utilização do álcool gel e troca de calçados”, explica Neiva.

Quanto aos atendimentos na Aquarela, a presidente relata que, neste período da pandemia, foram percebidos avanços expressivos no acompanhamento dos autistas. “Isso acontece devido ao fato de eles chegarem mais descansados para as atividades, pois a maioria só tem atendimento na entidade. Ao mesmo tempo, sabemos que eles registram uma grande perda nas escolas regulares (não só a criança autista, mas todos os estudantes), e, como eles tem mais dificuldades, a maioria não consegue acompanhar as aulas on-line”, salienta.

Mensagem

Ao aproveita o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, para deixar uma mensagem: “Quero agradecer a oportunidade de conviver, trabalhar e aprender com pessoas tão inspiradoras: crianças, adolescentes e adultos autistas. O meu amor, dedicação, carinho, sonhos de um futuro transcendente, vai para as queridas pessoas autistas e suas famílias, que mesmo de forma silenciosa e, até muitas vezes geniais, nos revelam um lado inexplorado do ser humano. Amo vocês!”, enaltece.

 

Ciclo de palestras em Machadinho

A fonoaudióloga, Juliana de Lima Theodoro, que atua na Secretaria de Saúde de Machadinho, acredita que a informação é a melhor ferramenta para a comunidade, como um todo, lidar melhor com crianças, jovens e adultos com autismo. “Entender as características, o porquê elas ocorrem e como apoiar indivíduos com autismo, nos dá uma perspectiva ampla. Acreditando nisso, iniciamos um ciclo de palestras com os profissionais envolvidos no ambiente escolar”, destaca.

A atividade não abrange apenas os professores e atendentes, como também, a equipe de serventes e motoristas. Essas capacitações foram iniciadas no mês de março e terão continuidade, em breve.

Diferenciais para o desenvolvimento

Conforme Juliana, a incidência vem crescendo ao longo dos anos e dados de 2020 do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos informam que, a cada 54 nascimentos, uma criança é diagnosticada com o transtorno.

Nesse sentido, a fonoaudióloga enfatiza que a intervenção precoce com crianças que apresentam autismo, pode fazer toda a diferença no seu desenvolvimento. Programas terapêuticos que visam melhorar as habilidades de comunicação, interação e aspectos sensoriais, favorecem resultados muito positivos no comportamento e na independência das crianças. Portanto, as famílias devem ficar atentas e buscar atendimento quando perceberem alguns sinais.

Sinais de alerta em crianças de seis meses:

Não tenta pegar objetos que estão ao alcance

Não mostra afeto por seus cuidadores

Não responde aos sons ao seu redor

Apresenta dificuldade em levar objetos à boca

Sinais de alerta em crianças de um ano:

Não engatinha

Não aprende gestos como acenar ou balançar a cabeça

Não aponta para objetos

Perde habilidades que já teve

 

 

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