Trabalhar com o atendimento em funerárias, nunca deve ter sido uma tarefa fácil. Lidar com a dor das pessoas que procuram o serviço no momento de se despedirem do ente querido, é algo que exige firmeza e consciência, principalmente para manter o psicológico saudável.
Com a chegada da pandemia da covid-19, a situação se tornou ainda pior. Além de continuar sendo um momento difícil, existe um protocolo de segurança para que o trabalho seja realizado, e com inúmeras restrições.
Dificuldades enfrentadas
Elisandro da Cruz, sempre trabalhou na funerária que pertence a família. Desde muito novo, ele e o irmão atuam com o pai nas tarefas. Segundo ele, o fato de os familiares não poderem se despedir das vítimas que vieram a óbito decorrentes da covid, é algo que traz angústia, mas infelizmente não existe nada que possa ser feito. “Vamos até o hospital, colocamos o corpo na urna funerária, onde é fechado e seguimos direto para o cemitério. No local é permitido apenas a presença de familiares próximos, para evitar aglomerações e diretamente é feito o sepultamento. É muito angustiante fazer os familiares entenderem que não vão poder ver a vítima e nem velar”, conta Elisandro.
Segurança para poder trabalhar
Com relação a segurança dos profissionais que desempenham esta tarefa, a adaptação necessária é o uso de equipamento de proteção individual (EPIs). Mesmo cumprindo as novas regras, os riscos ainda existem. “Não da pra negar que ainda tenho medo de ser contaminado, mas o medo maior, está em contaminar meus familiares, que são do grupo de risco”, ressalta o profissional.
Atendimento de rotina e atendimento às vítimas covid-19
Elisandro explica que em mortes que não são decorrentes da pandemia, a família pode escolher uma urna, coroa, roupas, flores, véu, manto de flor natural ou artificial. “Vamos até o local onde está o corpo, realizamos o recolhimento e encaminhamos a sala de preparo. Enquanto um profissional prepara, outra organiza o velório na capela, e após o caixão é transportado no carro funerário até o cemitério”, explica. “Em mortes por covid a família nos procura, escolhe a urna funerária, coroa e flores. Vamos até o hospital somente no momento em que a documentação do falecido está pronta. O corpo é colocado no saco zipado, na urna que em seguida é lacrada, e seguimos rumo ao cemitério para o sepultamento”, finaliza.
Vacinação ainda não é realidade
O Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Rio Grande do Sul (SESF/RS), pede incansavelmente para que seja incluso no grupo prioritário a vacinação para os profissionais que atuam em velórios. Porém, a solicitação ainda não teve resposta e os trabalhadores continuam na linha de frente do combate à pandemia, sem imunização.