A transposição do Rio Cravo, que abastece com água a barragem da Corsan, é uma realidade, e um projeto fundamental para manter o fornecimento de água para os mais de 100 mil habitantes de Erechim.
Desde que a obra foi anunciada houve muita discussão e polêmica na comunidade erechinense. Isso porque a sua viabilização estava relacionada a um assunto extremamente importante: a falta de água em Erechim. Esse problema começou a ficar cada vez mais evidente no final dos anos 1990, e comprometia totalmente o desenvolvimento futuro do município. Já se passaram quase dez anos do anúncio da obra, que virou realidade, e hoje é indispensável para levar água as residências de Erechim.
O que já se pode constatar, a transposição do Rio Cravo em Erechim está pronta e funcionando normalmente, em condições de abastecer e servir de complemento ao consumo de água no município
Início das obras
Segundo a Corsan, em abril de 2012 foi dada a ordem de serviço para começar a obra de transposição do Rio Cravo, que efetivamente se deu em maio do mesmo ano. A transposição do Rio Cravo foi concluída em novembro de 2017.
Como funciona
O sistema tem adução de água por recalque, bombas e motores de 10,6 km, e, o restante chega até a barragem da Corsan por gravidade percorrendo 5,6 km.
Investimento
A adutora tem no total 16,2 quilômetros de tubulação do rio Cravo até a barragem no Km 7, às margens da ERS 477. O investimento na transposição foi de R$ 26 milhões. A água é captada no Rio Cravo, ponto em que é captada e, por meio de bombeamento vai até o Bairro Peccin. A partir daí, desce por gravidade até a barragem de acúmulo do Km 7.
Estação de captação
Conforme a Corsan, a estação de captação do Rio Cravo tem capacidade de bombear em torno de 230 litros de água por segundo, o que é muita água, segundo a Corsan. No entanto, a necessidade de consumo de Erechim é de 370 litros de água por segundo. A Corsan explica que o sistema funciona plenamente e quando é necessário para abastecer a barragem. A transposição do Rio do Cravo funciona e é importante para Erechim.
Custos
Segundo a Corsan, para fazer a transposição da água se gasta em média de luz R$ 9 mil por dia. Uma vez por mês, a estação é ligada para fazer a manutenção.
A Corsan explica que não há necessidade de deixar a transposição funcionando porque em condições normais a água vai chegar na barragem e irá fora, a água vai ser desperdiçada, sendo um gasto desnecessário.
Quando é utilizada
A transposição do Rio Cravo é utilizada somente quando diminuir o nível de água da barragem no Km 7, às margens da ERS 477. A transposição tem a função de complementar o abastecimento. Assim, conforme a Corsan, quando o reservatório da barragem ficar entre 30 e 40 centímetros abaixo do vertedouro aí é acionada a transposição do Rio Cravo. Sempre visando complementar o nível da barragem.
Barragem da transposição
O barramento da transposição do Rio Cravo tem, hoje, em torno de 1,7 metros, no entanto, o local já foi projetado para ser ampliado com uma barragem de 8 a 10 metros de acúmulo, segundo a Corsan. Isto é, sua capacidade pode ser ampliada e com a construção desta nova barragem Erechim não ficaria sem água.
Casa das máquinas
A estação de captação do Rio Cravo tem as duas maiores bombas de água em funcionamento do estado.
Tanques
Ao longo da tubulação, que está enterrada, se encontra dois tanques de acumulação unidirecional, que auxiliam no funcionamento de todo sistema de transposição.
Rede
Conforme a Corsan, Erechim tem hoje 240 quilômetros de rede de água, mais de 31 mil ramais que abastecem quase 51 mil moradias.
Controle
Corsan afirma que a empresa tem um controle muito grande em todas as operações, desde a quilometragem rodada dos carros até a pressão de toda rede de água, com 16 pontos de monitoramento.
Somente a estação de captação do Rio Cravo não está interligada a uma central, mas a ideia no futuro é fazer isso. Assim será operada do centro da cidade. A barragem do Km 7 já funciona assim, em que todo sistema funciona automaticamente, o nível do reservatório da barragem é monitorado do centro de Erechim.
Funcionários
A Corsan tem 51 funcionários atuando diretamente na empresa em Erechim, com os terceirizados esse número chega a 70 profissionais.
Estações de tratamento
O município tem duas estações de tratamento de água. A responsabilidade para fornecer água envolve o dia e noite, e mesmo assim ocorrem problemas, por exemplo, quando estoura uma rede, sujando a água. Em 2019 haviam sido trocados 37 quilômetros de rede.
Vertedouro
Quando a água sai pelo vertedouro na barragem do Km 7 é porque o reservatório está no seu nível máximo.
Opções
Além da transposição do Rio Cravo, o município tem outras opções de abastecimento de água, a adutora no Rio do Campo, poços artesianos como um de 940 metros no aquífero guarani, que fica ao lado da barragem.
Saneamento básico
Apesar dessa importante obra, o saneamento básico de Erechim inicia 2021 sem definição. Primeiro, porque o governo do Estado quer privatizar a Corsan, e segundo, porque o município fica sem solução pra um problema que vem se arrastando há anos, a falta de tratamento de esgoto.
Para se ter uma ideia, em 2018, 2.119 piscinas olímpicas de esgoto foram despejadas na natureza, um volume de esgoto não tratado de 5.298,02 mil metros cúbicos. Esse é o volume, aproximado, que retornou para a natureza, rios, já que em Erechim, 100% do esgoto não é tratado.
E isso é um problema já que a região tem uma população de aproximadamente 233 mil habitantes, e 60% desse total, isto é, 140 mil pessoas são supridas por água de captação superficial. Isto é, a Corsan capta água de rios da região e faz o tratamento.
Conforme pesquisa do Trata Brasil, a grande maioria da população tem acesso a água tratada. Isso significa que 99.007 pessoas têm acesso à água, o que representa 94,2% da população, e, 6.052 ainda está sem acesso a esse bem, isto é 5,8% do total. O consumo per capita de água em Erechim é de 138,17 litros diários por pessoa (dados de 2018).