O som da água quente saindo da chaleira ou garrafa térmica e caindo diretamente na cuia de chimarrão é inconfundível. A bebida deixada de herança pelos povos indígenas, que cultivavam a erva-mate, se tornou uma das preferidas dos gaúchos.
Ibramate
O Instituto Brasileiro da Erva-Mate (IBRAMATE), é uma entidade que busca juntar, sob uma única organização, os produtores de erva-mate e as indústrias ervateiras do Brasil. Conforme o presidente, Alberto Tomelero, a instituição foi idealizada com a finalidade de promover e ordenar o setor ervateiro. “Nosso objetivo é trabalhar pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento de toda a cadeia produtiva de erva-mate, desde a pesquisa até a produção de mudas, melhoria genética, produção de matéria-prima, qualidade, quantidade produzida do setor industrial e do mercado”, explica o presidente.
Produto de fácil acesso
Atualmente, o principal componente do chimarrão, a erva-mate, é vendida em mercados, padarias, postos de gasolina e até bares. Entre as opções também se encontra o tererê, utilizado para fazer o ‘mate gelado’.
Bebida oficial dos gaúchos
Tomelero ainda destaca a importância do chimarrão para o povo do Rio Grande do Sul. “Chimarrão é considerado um produto natural, sem agrotóxicos e com benefícios excelentes para a saúde. Para que esse legado continue, precisamos cada vez mais unir os setores. O Ibramate vem fazendo isso em parceria com o Sindimate. Hoje até quem não possui o hábito de beber, quando experimenta não fica sem”, revela.
Benefícios
Além de ser o companheiro de todas as horas, o chimarrão também possui muitos benefícios a saúde dos consumidores.
- Rico em fontes de vitaminas e sais minerais
- Acelera o metabolismo
- Ajuda na digestão e funcionamento do intestino
- Elimina o cansaço
- Auxilia na regeneração celular
- Faz bem para o coração (em todos os sentidos).
Incentivando as futuras gerações
O presidente Alberto revela que um dos anseios da entidade é incentivar as futuras gerações a cultivarem a tradição. “As próprias empresas, ervateiras e entidades representativas de mate e principalmente a escola do chimarrão, incentivam para que se cultive a tradição. O resultado destas iniciativas hoje, é que a erva se tornou um produto com maior aumento de consumo do Brasil inteiro, principalmente aquela utilizada para o tererê, bebida consumida mais pelo público jovem. Sendo quente ou frio, o objetivo é que as pessoas continuem optando por produtos naturais como a erva-mate, que traz melhorias e benefícios a saúde humana”, pontua.
Data instituída por lei
Em 20 de junho de 2003, foi instituído por lei uma data para se comemorar o ‘Dia do Chimarrão. 24 de abril foi escolhido em homenagem à fundação do primeiro Centro de Tradição Gaúcha (CTG) do mundo. “Foi uma reinvindicação do setor. Mesmo tendo o hábito de consumir a bebida todos os dias, ter uma data para se comemorar, é de extrema importância. Uma maneira de reverenciar um produto que gera mão de obra e renda no Rio Grande do Sul”, enfatiza Alberto.
Consumo durante a pandemia da covid-19
A roda de chimarrão, que era uma prática típica dos gaúchos, precisou de adaptação com o surgimento da pandemia. A cuia que passava de mão em mão agora precisa ser exclusiva de uma única pessoa. “A partir do momento em que surgiu a covid-19, e os cuidados sanitários foram recomendados, imediatamente o setor ervateiro divulgou uma nota oficial, por meio do sindicato que representa as indústrias do Rio Grande do Sul em conjunto com Ibramate, indicando o mate individualizado”, ressalta Tomelero.
Com isso, conforme o presidente, houve um aumento de 15 a 20% no consumo da erva-mate. “Para se ter uma ideia, atinge a média de 110 milhões de toneladas, de produto final. O Brasil consome em torno de 80 a 85 mil toneladas, o restante é exportado pelo Rio Grande do Sul. Mesmo não sendo o maior produtor de matéria-prima, perdendo para o estado do Paraná, ainda temos o maior parque industrial de erva-mate de todo o Brasil”, finaliza.