O frio deve ficar ainda mais forte nesta terça e quarta-feira na região do Alto Uruguai. Em uma entrevista exclusiva ao programa Bom Dia Entrevistas da TV Bom Dia, o meteorologista Piter Scheuer, explicou que a situação está sendo causada pela segunda grande massa de ar polar que atinge o sul do país neste inverno. “Essa massa tem um pico que deve acontecer no início da semana chegando ao fim na quinta-feira (22). Esse frio somado com o vento, poderá provocar temperaturas próximas e abaixo de zero com máximas não superando aos 10°C. O frio intenso ocorre principalmente no início da manhã e no período noturno”, ressaltou.
Diferença do primeiro frio
O meteorologista salienta, que a diferença deste frio comparado ao mês de junho, está no ar que está mais ‘seco’. “É importante destacar, que as duas massas de ar polar que atingiram a região, são quase gêmeas. A diferença está que a primeira tinha uma característica mais úmida, o que podia causar neve e chuva congelada em alguns lugares, e essa tem uma chance muita pequena. Mas o frio neste caso, é muito mais concentrado, podendo até diminuir ainda mais as temperaturas”, alertou.
Ventos de até 60 Km
Conforme Scheuer, o frio ficará ainda mais forte com ventos que vem de sul e sudoeste da região, se originando principalmente nos polos. “Estes ventos terão uma intensidade moderada e podem chegar entre 50 a 60 Km por hora em alguns momentos”, destacou.
Mais massas de ar polar pela frente
Scheuer, explica que pelo menos mais três massas de ar polar, semelhantes a que está em atuação neste momento devem atingir a região até o fim do inverno. “No fim da próxima semana, teremos um aquecimento, que é um processo natural depois de muito frio, que vem para equilibrar a atmosfera. No fim do mês, teremos outra massa de ar polar tão forte quando essa, e na segunda quinzena de agosto mais uma. Em setembro também poderá ocorrer, mas é preciso acompanhar o desenvolvimento deste inverno”, comentou.
Mais frio que em outros anos
O meteorologista ressaltou que sem dúvidas o inverno de 2021 está mais frio que em 2020. “Se formos fazer uma comparação entre as duas estações, este inverno, está sendo mais frio e rigoroso do que o outro. Isso ocorre devido um fenômeno que conhecemos como La Niña, que é o resfriamento das águas do oceano pacifico equatorial. Ele é responsável por deixar as águas mais frias, das áreas do Equador, e faz com que tenhamos uma espécie de ‘portal aberto’ no Polo Sul em que qualquer massa de ar, que possa ter uma pressão mais forte, pode vir para nossa região”, argumentou.
Inverno sem chuvas
De acordo com o especialista o inverno vai prosseguir com um aspecto bem ‘seco’ e com chuvas ocorrendo de forma irregular. “Na última semana, até tivemos uma massa de ar que provocou chuvas no Alto Uruguai, cerca de 20 a 24 milímetros, mas isso não resolve o problema da estiagem que vem desde o ano passado. Esses volumes devem seguir abaixo da média até o fim de agosto. Para setembro e outubro poderemos ter mais chuvas, mas é preciso ter atenção por que este é um período de tempestades com distúrbios no sul do Brasil”, comentou.
Segundo ele, o tempo deve prosseguir desta forma até o fim do ano. “Acreditamos que serão entre três a quatro meses ‘secos’ e um com chuva bem boa”, ressaltou.
Perigo para agricultura
Além da falta de chuvas, Scheuer, destacou que os agricultores precisarão enfrentar pela frente a chegada de fortes geadas que atingem principalmente hortaliças e culturas tropicais como a banana. “Principalmente as regiões de vales, poderão ser mais afetadas. Essas ondas de frio, úmidas ou secas tem geadas fortes que podem queimar as plantas e provocar danos nas culturas que são mais sensíveis”, finalizou.