O escritor, teólogo e palestrante erechinense Rafael Abramchuk, de 29 anos de idade, veio de família cristã e cresceu em um ambiente cercado de pastores. Ele conta que a convivência no meio, despertou o interesse em estudar Teologia (estudo crítico da natureza dos deuses).” Me chamava atenção, como os pregadores falavam, com firmeza e determinação. Em um primeiro momento, percebia esse fator, a ‘pregação’. Mais tarde, quis saber mais sobre a teoria e a prática da espiritualidade”, conta.
Abramchuk, possui dois livros lançados: o primeiro intitulado “A Intimidade do Éden”, do ano de 2016 pela autografia do Rio de Janeiro e o segundo chamado: “Não Coma Deste Fruto”, de 2020 registrado pela Edisul de Erechim. De acordo com ele, as obras se complementam. “O tema principal dos livros, trata sobre o relacionamento com Deus usando o cenário do Jardim do Éden para ilustrar a comunhão entre o homem e Deus. É um conteúdo que envolve muito ‘mistério’, especulações e o interesse desse ser se relacionar conosco”, argumenta.
Rafael afirma, que as obras não abordam somente a questão da religiosidade - em saber sobre Jesus, mas conhecê-lo de forma espiritual e conseguir se conectar. “No segundo livro, foco em outros aspectos como: por que esse relacionamento envolve renúncias e abrir mão de certas coisas, por que isso é importante e interessante, como ouvir a voz de Deus em nossa vida, faço um contraponto entre proposta e propósito, por que o propósito é melhor? Enfim, neste sentido, falo das características que são colocadas a Deus”, explica.
Construção das obras
Conforme o autor, não é necessário fazer parte do meio religioso para entender o livro. A linguagem é simples, de fácil compreensão e os argumentos e reflexões são fundamentados baseados no livro da Bíblia. A construção do conteúdo foi inspirada em um estilo de pregação (reflexão), que Abramchuk começou acompanhar diariamente, que abordavam o assunto. “Iniciei uma série de sete palestras sobre o tema com o grupo de jovens da igreja e percebi na escrita mais uma forma de transmitir o evangelho. Foi aí que surgiu a ideia de juntar o material em um livro”, explana.
Na segunda obra, a construção também se deu por meio de textos bíblicos e conteúdos teológicos. “Tentei escrever sobre outros temas, como sonhos, outros pontos de vistas entre Deus e homem, mas a ideia não permaneceu, o livro “Não Coma Deste Fruto”, foi o assunto que mais ‘tocou‘ meu coração e todos os ensinamentos foram tirados da Bíblia”, diz.
Espiritualidade X Religiosidade
O autor, faz uma contextualização em relação ao significado dos termos: espiritualidade e religiosidade. Para ele, religiosidade tem a ver com um conjunto de regras, e espiritualidade com a conexão com Deus. “Acredito que devido à religiosidade, muitas pessoas não vão as igrejas, porque em alguns casos, não se apresenta o relacionamento com Deus, somente as ‘regras’, e no caso da espiritualidade é se envolver e entender os princípios bíblicos, que são diferentes de regras, são valores que a pessoa passa a adotar para viver”, exemplifica.
O escritor afirma, que parte dos ambientes cristãos construídos somente com regras e doutrinas humanas, acabam não sendo suficientes para ajudar as pessoas na construção da espiritualidade. “Por este motivo, ao meu ver, há muitas polêmicas e discussões desnecessárias sobre este assunto. Mas quando você traz a Bíblia para contribuir nesse ambiente, as coisas fluem naturalmente e se cria uma comunidade leve, não negociando princípios, mas aproximando as pessoas e as amando, como é a intenção do verdadeiro evangelho”, pontua.
Jovens e espiritualidade
Na avaliação de Rafael, existe uma série de fatores que contribuem para que uma parte das gerações, principalmente as mais novas, sintam dificuldades em se conectar com a espiritualidade. “É importante destacar que atualmente, existem sim, jovens que se conectam com uma espiritualidade mais prática, não apenas na emoção. Ao meu ver, existe um ‘cristianismo superficial’ também, voltado para a emoção e não para o espírito. Nós na igreja, separamos essa parte do espiritual e emocional, não é só se emocionar ao ouvir ou ler uma mensagem, é perceber que isso pode realmente ajudar uma pessoa, transformar sua vida”, reflete.
O autor afirma, que existem três realidades: alguns jovens se conectam com a espiritualidade, outros se emocionam e há o fator dos avanços tecnológicos que acabam atraindo mais os jovens para a área do entretenimento, e, em alguns casos comprometendo-os no seu tempo com a espiritualidade. “É claro que a tecnologia traz inúmeros benefícios, mas os jovens acabam cedendo a outras propostas que eles acham mais interessantes, e a igreja também tem uma parcela de responsabilidade, sobre mostrar o evangelho completo, acredito que são diferentes fatores que acabam contribuindo para um certo ‘afastamento’ dos jovens dentro das igrejas”, salienta.
Fé em meio à pandemia
O teólogo também destaca a importância de manter a fé em tempos de pandemia. “A Fé, sendo humana ou bíblica, ao meu ver é essencial. Já era antes da pandemia e principalmente agora, em que o mundo parece tão caótico e ficamos assustados sem saber o que acontecerá amanhã. Ninguém foi ensinado a lidar com isso. Acredito que a fé e a esperança são indispensáveis e a fé bíblica mais ainda, pois não anula o fato de que a pessoa passará por dificuldades. Ela frisa isso, mas afirma que a diferença, é que terá alguém do lado para enfrentar as dificuldades, em todas as áreas da vida”, finaliza.