O Dia da Mulher Negra é o dia 25 de julho, instituído pelo governo do Brasil pela Lei nº 12.987/2014 em 2014. A data do Dia da Mulher Negra foi inspirada no Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha (dia 31 de julho), criado em julho de 1992.
O Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha reforça a luta histórica das mulheres negras por sobrevivência em uma sociedade estruturalmente racista e machista.
O evento surgiu para dar visibilidade à luta das mulheres negras contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo.
No Brasil, a data homenageia a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência do povo negro.
Em nossa cidade e região, essa luta não é diferente. Entrevistamos algumas mulheres, com posição de destaque em nossa sociedade que conquistaram espaço, contando como é o desafio de ser uma mulher negra nos dias atuais.
Luísa Fernanda Silva dos Santos, 41 anos, advogada. Para ela, o desafio é “enfrentar o racismo e o machismo, lutando pela garantia de direitos, pelo acesso irrestrito aos serviços públicos de qualidade, pelo fim do extermínio nas periferias. Buscar a construção de um espaço onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.
Eliana Paulino de Souza, 48 anos, gerente comercial, argumenta que “o desafio é uma mulher negra na frente de um cargo de comando num estabelecimento comercial de uma grande loja... É muito desafiador onde pessoas te olham com o pensar. O que essa negra tem pra ser gerente desse lugar???”
Já para a empreendedora Michelle Silva Rodrigues Tomazoni, 39 anos, o desafio é reinventar-se dentro de uma sociedade pseudo consciente firmada em ideais movediços!
Monique Maína Milkiewicz Rosset, 35 anos, Psicóloga e Neuro psicopedagoga Clínica, Psicóloga e Neuro psicopedagoga Clínica, Fundadora e Militante do MENE-Movimento Étnico Cultural dos Negros de Erechim e Colaboradora da Comissão de Relações Étnico Raciais do CRP-RS, o desafio é “enfrentar, todos os dias, como mulher e negra, o esforço perante a "a dúvida" de que nós podemos e devemos ocupar espaços acadêmicos, culturais, políticos, de pesquisa, e muitos outros espaços com credibilidade e competência”.
Marlina Oliveira, 37 anos, Feminista Negra; Vereadora em Brusque/SC; Coordenadora Pedagógica na Rede Municipal de Brusque/SC; Pesquisadora da Pequena Infância e a Educação das Relações Étnico–Raciais; Mestra em Educação pela Universidade Federal da Fronteira Sul- UFFS e Doutoranda em Educação – UFPR, lembra que “a luta das mulheres negras sempre foi — e continuará sendo — por uma sociedade mais justa e igualitária para todas e todos".
Alice Soares, 31 anos, Corretora de Investimentos HS, considera que o desafio como mulher negra é ter que provar sua capacidade duas vezes mais do que outras mulheres em qualquer ambiente.
Claudete Duarte Milkiewicz, 59 anos, professora. “Os desafios foram muitos ao longo dos anos. No entanto, os maiores foram manter as minhas convicções, me sentir NEGRA e encontrar um lugar de representatividade, educar meus filhos pequenos ainda, para viver, conviver e enfrentar as adversidades de uma sociedade racista”.
Sandra Mari Soares, vereadora em Jacutinga. “Enquanto mulher e negra sinto que ainda temos vários tipos de violência contra nós mulheres. Sempre me desafiei na política, mas levará algum tempo para que tenhamos a credibilidade e reconhecimento de nosso trabalho e capacidade. Ouvi muita coisa em comentários maldosos, menosprezando meu trabalho, mas hoje percebo que tudo valeu a pena. Embora tenhamos uma longa luta pela frente, percebo também que tivemos um retrocesso em relação ao racismo, com tantas mortes e violência contra os negros. Tenho muito orgulho de minha raça e cor. Sonho com o dia que não sejamos avaliadas ou julgadas conforme nossa cor”.