Você sabe o que faz uma “Doula”? Já ouviu falar neste nome? Embora a função seja antiga, o trabalho como profissão, começou a ser conhecido recentemente no país. Uma pesquisa realizada pela revista Época, apontou que a procura por doulas e parteiras, no período da pandemia cresceu 200% em grandes centros do Brasil, como o Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com as estatísticas, isso se deve a preocupação das gestantes com a segurança e proteção dos bebês em relação a contaminação pelo coronavírus.
Mas afinal, o que é uma Doula? De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), “Doula” é uma prestadora de serviços, treinada e familiarizada com procedimentos de assistência. Conforme a enfermeira do Instituto Brasileiro de Controle ao Câncer (IBCC), Viviane Murilla Leão, historicamente, a palavra foi usada para descrever aquela que ajuda a mulher em casa depois do parto e auxilia nas atividades domésticas, como cuidar das crianças, do bebê e também no período perinatal (momento anterior e posterior do nascimento da criança).
Para a Doula Patrícia Dalletezze de Erechim, a profissão traz a ideia de aproximação da feminidade no momento do parto. “Antigamente o momento do nascimento, acontecia em casa, com pessoas próximas à família, como mãe, irmã, tia, parteira, enfim. Com o avanço da medicina e a hospitalização, se perdeu um pouco desse ambiente. Atualmente, a função da ‘Doula’ vem em um novo formato, mas ao mesmo tempo com a mesma ideia, trazendo o conceito de familiaridade”, explica.
Funções da Doula
Apesar da capacidade, especialidades e preparo para realizar partos, a Doula não pode intervir no processo, caso haja complicações ou situações que colocam a saúde da mãe ou do bebê em risco. Por este motivo, é recomendado que o parto aconteça com a presença de profissionais de saúde, como obstetra, pediatra e enfermeiro.
O trabalho pode englobar diferentes funções, como elencados pelo portal de informações Tua Saúde:
Dar assistência e facilitar a preparação para o trabalho do parto;
Encorajar o parto normal;
Tirar dúvidas e diminuir os anseios relacionados ao parto e a vida do casal;
Sugerir formas de aliviar a dor, por meio de posições ou massagens;
Oferecer apoio emocional antes, durante e após o parto;
Apoio e assistência em relação aos primeiros cuidados do bebê.
Como funciona o trabalho
Conforme Patrícia, para quem busca o acompanhamento com Doula, o ideal é procurar no início da gestação, mas não vê problemas para mães que estiverem na metade fazerem a assistência. “Vai depender da programação de cada profissional, na minha por exemplo, são cinco encontros presenciais ou on-line. Dentro deles, tratamos de diferentes assuntos relacionados a gestação, como: maternidade, pós-parto, orientação ao casal, cuidados com o recém-nascido, plano de parto e fico disponível a qualquer momento do dia, inclusive madrugadas para prestar auxílio a mãe ou ao casal por meio do WhatsApp. Quando percebemos que a mãe precisa de um médico, orientamos a procura de profissionais e podemos acompanhar a ida ao hospital”, frisa.
Importância do acompanhamento
De acordo com especialistas, a educação perinatal atualmente se tornou essencial para evitar inseguranças e medos, relacionados a descobertas de uma gestação não planejada. “Esse trabalho, prepara o casal para lidar com experiências novas que terão nos próximos meses. É claro que, a vivência de cada casal é única e sempre será uma novidade, mas a partir de esclarecimentos sobre as mudanças que acontecerão nesse período com a chegada de um bebê e os cuidados que deverão ter, é possível evitar transtornos e sentimentos indesejados em relação a isso”, finaliza.