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80% dos estudantes de Medicina da URI são do sexo feminino

A pesquisa assinala, ainda, que haverá uma mudança na relação de médicos por habitante

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Divulgação
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Dos 219 estudantes da Faculdade de Medicina da URI Erechim, 80% são do sexo feminino. O número reflete (antecipa, talvez seja o termo correto), uma projeção feita a partir de estudo desenvolvido pelo ministério da Saúde que prevê: em nove anos, as mulheres serão maioria entre os médicos e mais de 80% delas, em 2030, terão entre 22 e 45 anos. A análise sugere, ainda, um aumento expressivo da população de médicos, ou no caso, de médicas. 
# Segundo o levantamento, de 2010 a 2020, o número de profissionais passou de 315.902 para 487.275 e, de acordo com o ministério, deve chegar a 815.570 até 2030.
 

Pirâmides etárias
O avanço do público feminino vem se delineando no Brasil desde 2010, destaca a publicação do executivo, quando as mulheres já eram mais de 50% do total de profissionais nos cursos de medicina. O material conclui, também, que a maior proporção de mulheres na população de médicos pode ser explicada pela evolução das pirâmides etárias ao longo do tempo.
 

Proporção
Em 2010, a população de homens era proporcionalmente maior na faixa entre 51 a 55 anos, enquanto a base da pirâmide era mais povoada pelas jovens médicas, sobretudo na faixa dos 26 a 30 anos. 
Em 2020, diz o ministério, a faixa etária de 51 a 55 anos estava com proporção semelhante de médicos e médicas, enquanto nas faixas de 26 a 30 anos e 31 a 35 anos as mulheres eram 12% mais prevalentes que os homens. 
Mais médicos
A pesquisa assinala, ainda, que haverá uma mudança na relação de médicos por habitante. As projeções apontam que, no Brasil, essa relação será de 3,63 em 2030 — quase o dobro do registrado em 2010, de 1,90.
 

Atendimento afetivo

Na opinião da presidente da Associação Médica do Alto Uruguai (AMA), Jaqueline Buaes Graeff, a presença das mulheres na medicina é uma realidade já percebida em especialidades que até então eram dominadas por homens, como a ortopedia e outras áreas cirúrgicas. “Vejo isso como uma grande conquista, resultado da competência, sensibilidade e capacitação cada vez maior das mulheres”, pontua Jaqueline – que diz não identificar diferenças técnicas marcantes separando homens e mulheres no exercício da profissão. A presidente, contudo, observa que a sensibilidade feminina possa ser um fator que contribui para um atendimento mais ‘afetivo’.
 

Você sabia?


# Conforme a coordenação da Faculdade de Medicina da URI, a primeira mulher brasileira a receber o diploma de médica foi Rita Lobato Velho Lopes, gaúcha, em 1866. 

# Os registros históricos também apontam que, no Brasil, só em 1918 a primeira escola pública de nível superior permitiu explicitamente em seu regulamento o ingresso de mulheres. Desde então, observa a coordenação de Medicina da URI, a presença do sexo feminino no ensino superior é lenta, porém gradativa, sendo que o maior ingresso ocorre em virtude de uma convergência de fatores, entre eles a intensa transformação cultural a partir dos anos 60 e 70 do século XX e a evolução das pirâmides etárias ao longo do tempo, como observado pelo ministério da Saúde em seu estudo.

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