Natural de Erechim, Eduardo Ierke dos Santos, de 23 anos, ingressou nas fileiras do Exército em primeiro de março de 2016, com 18 anos, no período obrigatório no quartel de Alegrete-RS. É o mais velho de uma família de dois irmãos de 22 e 12 anos e duas irmãs de 15 e quatro anos. Filho de um vigia noturno/ mestre de obras e de uma costureira, antes de ir para o Exército trabalhava como servente e estudava a noite. “Não me interessava muito pelos estudos naquele tempo, mas quando vim para o Exército tudo mudou a ponto de concluir o ensino médio em 2017 e começar a faculdade de Administração”, conta Ierke, pai de uma filha de três anos.
Período básico
No período básico participou de inúmeras instruções como GLO, PBCE, PSE, Pontagem, entre outras. Algo novo, no qual nunca imaginaria participar e que lhe cativou ainda mais a seguir na carreira militar. Após o período básico, fez parte do efetivo variável do Pelotão de Pontes da Companhia Engenharia de Pontes do 12° Batalhão de Engenharia e Combate Blindado. Em sua turma de 2016, o efetivo em média era de 230 soldados do efetivo variável. Cinco se tornaram soldados do efetivo profissional, oito se tornaram cabos e dois se tornaram sargentos.
Curso de Formação de Cabos
Durante o ano obrigatório no quartel, teve a chance de fazer o CFC (Curso de Formação de Cabos). Para entrar no curso precisou ser aprovado em testes intelectuais e físicos. De dois a três meses, passou por avaliações diárias dos instrutores e inúmeras instruções para o bom preparo de um Cabo do Exército, que tem a importante função de comandar diretamente o efetivo variável em quaisquer tipos de missão que lhe for empregada.
“Moldar” o militar
Com isso, o curso "molda" o militar para estar preparado a comandar a tropa independente das condições em que o mesmo se encontra, sendo sobre estresse, calor, chuva, frio, entre outros. Diferente do ano obrigatório, durante o curso o aluno pode "pedir pra sair". No final do curso, é avaliado novamente com uma prova, teste físico e avaliação dos instrutores, com o intuito de saber se o militar está apto ou não a cumprir o papel de Cabo. Esta etapa separa os alunos no final do curso por notas, em ordem crescente 01,02,03... assim por diante, para suas promoções.
01
Após a conclusão do curso, o militar está apto a ser promovido e cumprir as funções de Cabo. Ierke concluiu o curso com o aproveitamento excelente, tirando a melhor nota e se tornando 01. Foi promovido a Cabo no ano subsequente, exercendo a função por um ano e meio no mesmo Pelotão que fazia parte do efetivo variável no ano obrigatório.
Curso de Formação de Sargento Temporário
Em 2019, por indicação, teve a oportunidade de fazer o CFST (Curso de Formação de Sargento Temporário). Com duração de seis meses, molda o militar a comandar grandes frações em diversas missões e estar à frente da tropa como comandante de grupo, instrutor, entre outras funções. A avaliação dos alunos é feita praticamente nos mesmos moldes do curso de Cabo. “Concluí o curso sendo o 03 na classificação geral e fui promovido em agosto do mesmo ano, me tornando assim um Sargento do Exército”, explica, dizendo ainda que as vantagens de ser um sargento temporário é exercer um cargo no qual tem mais liberdade em pôr o conhecimento em prática, com o apoio dos seus pares e subordinados. Além disso, conta que é ter a capacidade de construir grandes coisas e ajudar as demais pessoas, sendo reconhecido pelo trabalho.
O tempo que o militar temporário pode permanecer no Exército Brasileiro é de oito anos, contando a partir da data de sua incorporação até sua baixa, tendo a oportunidade de fazer o CFC de dois a três meses e o CFST de seis meses, usufruindo do cargo o restante do tempo.
Promoções
As promoções à sargento temporário variam muito de ano a ano, dependendo das vagas disponíveis ao cargo. Alguns anos são promovidos até sete sargentos ou mais, enquanto outros anos dois ou três sargentos são agraciados ao cargo. A diferença entre ser um sargento temporário e de ESA (Escola de Sargentos das Armas) é que o curso do sargento temporário é integralmente voltado para a arma a qual o militar se encontra, já tendo contato direto com a tropa e o material utilizado para cumprir as missões. No caso do Ierke é a Arma de Engenharia, qualificando ainda mais na área em que o militar já trabalha. Na ESA é voltado à todas as armas, abrangendo um conhecimento mais amplo. Após o termino do curso o militar decide qual arma vai seguir sua carreira e depois tem contato direto com a tropa, colocando seu conhecimento em prática.
Atribuições
Ierke tem a função de Comandante de Grupo do Pelotão de Pontes, pelotão que foi do efetivo variável e se tornou o adjunto do oficial representante, responsável pelo comando do pelotão, estando na frente da tropa em várias missões. Atribui-se a ele o planejamento das missões, tanto na parte administrativa quanto prática, controle do efetivo, organização e controle do material de pontagem. Além disso, é responsável por um Pelotão de em média 30 homens. O horário do corpo (expediente) é semelhante ao horário comercial, porém devido as inúmeras missões não é um horário fixo. A rotina no Pelotão se resume em controle de quantidade e manutenção do material de pontes, para que quando seja usado na montagem de uma, esteja em condições de uso. “Durante a pandemia foi criada a Equipe de Descontaminação, na qual sou o Chefe da Equipe, visando descontaminar inúmeros locais tanto na própria OM como também locais e organizações públicas da Cidade de Alegrete”, ressalta.
Motivação
O que mais motiva o sargento temporário em continuar servindo a Pátria, é além da realização de um sonho que sempre teve, também ver no olhar dos pais o sentimento de orgulho e admiração por ter conquistado tantas coisas boas ao decorrer dos anos, “usufruindo de todos os ensinamentos que eles me deram ao longo da vida, isso não tem preço”. Ierke diz que nunca esquecerá das amizades que levará para o resto da vida. Ao decorrer dos anos conheceu centenas de pessoas que seguiu como exemplo, por isso são muitas as inspirações no Exército. O sargento temporário pretende seguir estudando, como já vem fazendo ao longo dos anos, focando nos concursos e em alguma carreira que garanta o futuro dele e da filha.
O conselho que deixa aos que almejam crescer na vida no meio militar é o de nunca desistir, por mais que pareça difícil no começo, algo inimaginável, “basta acreditar no próprio potencial, crer, ter foco e persistir. Isso devemos levar não só no meio militar mas para a vida. Como uma frase que me foi dita no começo da carreira militar e carrego comigo até hoje, ‘A dor é passageira, mas a glória é eterna”, finaliza.