21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

A incrível história da erechinense que já conheceu 41 países

Viajante desde os 15 anos, Analu Maiolli que atualmente mora em Cork, na Irlanda, coleciona experiência e momentos inesquecíveis

teste
Analu Maiolli em Kork
Por Ragnara Zago
Foto Arquivo Pessoal

Existe um vídeo com mais de um milhão de visualizações no Youtube que traz em um dos versosmencionados: “Quando se é pequeno tudo o que você deseja se torna bem mais simples do que parece. Construir o próprio patrimônio, chegar à lua, ter o emprego dos sonhos, viajar pelo mundo. O engraçado é que você cresce e a maioria desses desejos permanecem com você por muito tempo.
Alguns vão continuar apenas como sonhos, outros podem até virar realidade, mas para isso é preciso que você responda a uma pequena pergunta: o que você quer ser quando crescer?”

​Analu Maiolli sabia desde criança que seu destino não seria seguir uma rotina morando no mesmo lugar em que nasceu. Durante a infância sonhava em conhecer Londres, e, após descobrir que para realizar seu objetivo precisava estudar inglês, imediatamente se dedicou a aprender a nova língua. “Essa meta abriu porta para muitas outras. Quando completei 15 anos, ao invés de festas e presentes caros, pedi a meus pais uma viagem para conhecer outro país”, conta. 

​A família da jovem não tinha condições de lhe presentear com uma viagem para a Europa, porém, possibilitou que Analu fosse ao Chile fazer um curso de espanhol por um mês. “Essa foi minha primeira viagem para o exterior. Na segunda, aos 19 anos, resolvi ir à Europa. O Euro baixou bastante na época, em torno de R$ 2,50, e como eu queria muito fazer um “mochilão”, resolvi que aquela era a hora. Juntei dinheiro, paguei um curso de Francês de um mês e fiquei 20 dias viajando, em 2011”, expõe.

Mudanças 

​Em 2013, atrás de novos desafios, mudou-se para a Índia, pois queria ter uma experiencia em um país com diferenças culturais. “Fiquei um ano lá, depois fui para a China onde morei por mais três anos e posteriormente voltei para o Brasil. Após algum tempo, mudei para Portugal, depois Itália e agora estou há dois anos na Irlanda”, revela.

​Analu conta que não conhece muitos estados brasileiros, apenas a região sul e sudeste, evidenciando que a falta de segurança, principalmente para as mulheres, é um dos principais problemas enfrentados aqui. “Sinto muita saudade da minha família, mas optei por seguir esse caminho explorando o mundo para poder aprender línguas novas, sotaques - mesmo no inglês, desafios novos, ver a vida com outros olhos, conhecer pessoas que pensam diferente, paisagens, climas, entender que o mundo não é só a bolha em que a gente nasceu. Hoje sou uma pessoa completamente diferente, meu modo de ver a vida muito”, expressa.

As vantagens compensam

​Como nem tudo são flores, existem também as desvantagens de seguir esse caminho. “Além da saudade, a adaptação não é nada fácil. Até nos acostumarmos culturalmente leva um tempo, não adianta só falar a língua. Existe um sistema, a parte burocrática é complicada, toda documentação exigida quando entra ou sai do país ou vai procurar emprego. Cada lugar tem as suas regras, e em cada mudança isso é o que mais pesa, porque até adaptar-me e tentar entender onde ficam as coisas, sistema de saúde... Acho que é a parte mais difícil, mas as vantagens compensam”, salienta Analu. 

Evolução constante

Quando questionada com relação a sensação obtida por meio das viagens, Analu manifesta entusiasmo e gratidão. “Estou evoluindo, conhecendo o ser humano cada vez mais, abrindo minha mente e percebendo que não importa de onde as pessoas são, todos são seres humanos e merecem respeito e passam por dificuldades, sejam elas semelhantes ou diferentes. Na essência, somos apenas um, por isso me tornei muito mais humana depois de viajar e acho que essa questão é muito importante”.
 

“Outra sensação é que eu olho para trás e percebo que vivi o meu tempo. Aprendi tanto, fatores e costumes que eu não conhecia e tenho certeza que se estivesse no Brasil fazendo a mesma coisa todos os dias, não teria vivido esses cinco anos tão bem vividos como agora”

 

Volta ao Brasil não está nos planos, ao menos, por enquanto

​A erechinense, por enquanto, não pretende voltar para o Brasil, mas pontua que não gosta de tomar decisões a longo prazo. “Penso muito na minha família, se um dia eu tiver filhos talvez os queira por perto, mas acho que cada momento traz uma decisão. Hoje não pretendo voltar, daqui a alguns anos eu decido... Hoje, especialmente, a situação econômica do Brasil não está boa, então para mim é mais viável a nível de segurança financeira estar no exterior”, explica. Ela ainda acrescenta: “pode ser que mude, já vi muitos países que eram ótimos para se viver no passado; e, atualmente, a coisa está complicada. Vamos ver como vai ser o mundo pós-covid. Por enquanto, não pretendo voltar, mas não descarto essa possibilidade”, conta.

A pandemia na Irlanda

​Com relação à pandemia do coronavírus, Analu revela que a Irlanda teve um dos lockdowns mais restritos da Europa. “Tudo fechou. Ficamos os primeiros seis meses sem poder sair mais que 5 km de casa. A partir de julho, começou a reabrir em função do verão e por conta de estarem agilizando a vacinação. Agora, a variante delta está se espalhando muito rápido e a situação épreocupante, entretanto, as admissões hospitalares diminuíram, então por enquanto não vai haver lockdown. Os casos de morte e UTI reduziram, mas todo cuidado é pouco”, alerta a jovem. 

Dica da Analu

​Para as pessoas que querem seguir os mesmoscaminhos de Analu, aí vai a dica. “Daqui dois anos você pode estar olhando para trás e se questionando: o que eu fiz? Nada, fiquei dois anos sonhando. Ou pode olhar e pensar: em dois anos realizei todos os meus sonhos. Além disso, se você for viajar e algo der errado e precisar voltar, você não regride, apenas volta com mais experiência e mais amor, porque por mais que acompanhamos notíciasruins, tem muito amor pelo mundo, muita gente boa. Então eu diria que é melhor se arrepender de ter feito do que não ter feito. Vai, tenta, com cautela. Tenha uma garantia financeira e se der medo, vai com medo mesmo. Eu não sou uma pessoa corajosa, tenho medo de tudo que vocês possam imaginar e mesmo assim acho que hoje sou muito feliz pelas viagens que eu fiz”, finaliza.

 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;