Uma velha câmera fotográfica, tecnologia de 1945, que ficou mais conhecida no Brasil pelo apelido de lambe-lambe. A réplica de uma televisão antiga, e o maior e mais famoso símbolo do Império Romano, o Coliseu, enorme anfiteatro reservado para combates entre gladiadores ou opondo esses guerreiros contra animais selvagens.
Peças que contam a história do mundo e das transformações. Todas elas, guardadas com muito carinho pelo Osmar. Natural de Erechim, coleciona as réplicas desde 1984. “Sempre soube cada peça que tive até hoje. São diferentes e com o passar dos anos fui conhecendo aquelas que ainda não tinha”, explica o aposentado, Osmar Clédio Rossa.
Presente
Além de serem muito detalhadas, são apontadores de lápis em ferro. A primeira peça, um calhambeque de 1984, ganhou de presente de um dos irmãos, Sérgio Antonio Rossa, já falecido. “E a partir daí comecei a colecionar, adquirindo a última peça há cinco anos”, lembra. Se diverte com o fato de receber visitas e essas se admirarem mais do que ele, pois pensa que é algo normal e “quem vem de fora acha estranho”. Algumas peças chegaram a custar até R$30, dependendo do formato e tamanho.
Origem
Antes de se aposentar, Osmar era empresário no ramo de confecção de roupas e trabalhava na contabilidade da Indústria de Bebidas Mandelli, de Erechim. As peças eram adquiridas nas viagens que fazia para comercializar as roupas. Geralmente chegava na cidade por volta das 16h, e no estabelecimento próximo ao cliente observava que tinha as peças. “Se 10 eram idênticas, não comprava. Levava apenas aquela que faltava na coleção”.
Entre os diferentes lugares, e mais de 50 cidades visitadas, alguns apontadores vieram do Uruguai. Apesar disso, sabe a origem de cada uma delas. Segundo ele, existe muitas outras réplicas diferentes das que já têm.
Carruagem Russa
Aos 60 anos, conta com 240 peças, e é o único da família que coleciona. “A peça que mais me impressiona na coleção é uma Carruagem Russa, pois é muito detalhada. Fiquei curioso quando adquiri, uma vez que o país é mais ‘fechado’ e os chineses conseguiram copiar", destaca.
Além disso, um dos itens que atrai a atenção pela curiosidade é um maçarico antigo, que cria uma chama potente direcionada por meio de um bico, permitindo cortar, fundir ou aquecer os materiais, a fim de ter uma forma que, quando resfriados, sejam resistentes e permaneçam dentro da moldagem.
Código Morse
Outra réplica que o aposentado cita como sendo um diferencial da coleção é um Código Morse, desenvolvido em 1835, pelo pintor e inventor Samuel Finley Breese Morse. Trata-se de um sistema binário de representação à distância de números, letras e sinais gráficos, utilizando-se de sons curtos e longos, além de pontos e traços para transmitir mensagens. “Foi proibido ter o aparelho com esse tipo de ligação, pois poderia interferir nas aeronaves que passam pelo local”, acrescenta.
Destino
Os apontadores de ferro já têm um outro destino. Ficarão na casa do neto de Osmar, Rafael Rossa Marsarotto, de 21 anos, que está no terceiro ano de Medicina na Uri Campus Erechim. “Ele vai se formar médico e daí vai ficar para ele, essas peças um pouco estranhas”.
Após mais de três décadas, o aposentado reconhece com orgulho que a aquisição das réplicas tem um valor diferente. “Não vou dizer nem simbólico e tão pouco em dinheiro, mas sim um valor sentimental. Para mim, hoje não tem dinheiro que pague, deixa aí”, finaliza, com o desejo de que mais pessoas colecionem o que desejam.