A população gaúcha, de modo geral, e a erechinense, em particular, está envelhecendo e dentro de alguns anos deve começar a encolher. É o que aponta o estudo Estimativas populacionais por idade e sexo nos municípios do Rio Grande do Sul, divulgado na quinta-feira, 2, pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) do governo do Estado. O material, que apresenta as principais informações, em nível municipal, sobre o perfil da população por sexo e faixa etária, serviu de base para reportagem especial do jornal Bom Dia, sustentada em indicadores levantados pelo Instituto SL/ISPO de Pesquisa.
Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2020, a população acima dos 60 anos em Erechim apresentou um acréscimo de 48,9% - saltando de 12.354 para 18.398 habitantes; enquanto, no período, houve leve redução na participação da população de jovens em relação ao total, conforme apontam tabelas nesta página.
Num corte geral, os cálculos indicam que a população do RS atingirá um pico em 2035 e começará a diminuir a partir daí. Em 2030, a parcela de gaúchos com mais de 65 anos será superior à de jovens com idade de até 14; o que deve se repetir na Capital da Amizade.
Embora essa tendência demográfica seja observada em todo o país, ela se manifesta com destaque no RS. Justamente por isso, vale observar que o aumento da população idosa; e a diminuição dos jovens implica, entre outros efeitos, que a economia não poderá contar com o “bônus demográfico” para sustentar seu crescimento. Assim, é vital entender – e se preparar (antecipando-se, se possível), seja no setor público ou privado, para os impactos na economia, numa escala que vai dos serviços em saúde até gastos em atividades de lazer e cultura.
Saiba mais
As mulheres seguem sendo a maioria da população do RS – e também em Erechim. Enquanto no Estado elas representam 51,34%, por aqui elas são 51,1%. No entanto, por ocorrerem mais nascimentos de pessoas do sexo masculino, os homens são maioria até por volta dos 30 anos, quando as mulheres – mais regradas e preocupadas com a saúde – passam a ser a porção mais representativa da população. Acima dos 60 anos, há 10.384 mulheres em Erechim, contra 8.014 homens. Apesar da pouca diferença em relação aos dados de 2019, o estudo mostra uma tendência contínua de envelhecimento da população residente no Estado, taxas cada vez mais baixas de crescimento vegetativo e redução no número de jovens nas cidades.
Detalhes da pesquisa
Entre os municípios com mais de 20 mil habitantes, São Sepé (24,91%), Caçapava do Sul (23,52%) e São Lourenço do Sul (23,23%) lideram o ranking no quesito percentual da população com 60 anos ou mais, enquanto a média geral no Rio Grande do Sul é de 18,77%. Em Erechim, na última década, a participação da população idosa saltou de 12,6%, do total, para 17%. Na faixa etária oposta, por aqui, a fatia da população até os 15 anos representa 18,7%; em 2010, o percentual era de 19,9%.
Numa zona intermediária, de moradores potencialmente ativos (entre 15 e 59 anos), Erechim tem 69.345 pessoas enquadradas, o equivalente a 64,3% do total. Neste ranking, a liderança, pelo terceiro ano consecutivo, é de Dois Irmãos, com 22.952 dos seus 33.417 habitantes (68,68%), com Charqueadas (68,02%) e Nova Hartz (67,66%) nas posições seguintes. Ao todo, 7.203.416 pessoas se encontram na faixa etária hipoteticamente apta a produzir no Estado, o que representa 63,06% do total de habitantes.
Tendência que se mantem
Ao longo dos últimos anos já havia uma tendência de redução do crescimento vegetativo, com diminuição dos nascimentos e aumento no número de óbitos, como consequência da redução da taxa de fecundidade e do envelhecimento da população. As mortes causadas pela covid-19 também contribuíram para o aumento de óbitos em 2020, destaca o estudo do governo gaúcho.