A área plantada de soja nos Estados Unidos é 1% maior que a do ano passado. A informação está em relatório publicado na quinta-feira (30) pelo Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês). O plantio é estimado em 33,87 milhões de hectares, o que seria um recorde.
No milho, a área plantada na atual safra é de 38,08 milhões de hectares, um crescimento de 7% em relação ao registrado pelo governo dos Estados Unidos na safra passada.
Apesar desse aumento no cultivo de ambas culturas, conforme o agrônomo da Emater, Paulo Silva, os EUA sempre tiveram essa liderança, pelos menos nos últimos anos, na produção de milho e soja, apesar do cultivo da soja o Brasil estar quase igual nos números. Entretanto, mesmo com aumento de área, Silva diz que o preço das commodities, de forma geral, foram pressionados para cima. “Essa oscilação é normal, pois é fruto da especulação financeira”, pontua.
Hoje, o que se projeta conforme o agrônomo, é que dificilmente os preços recuem abaixo de R$ 75 a saca de soja; R$ 40 o milho e o trigo, no balcão. “Mesmo que a produtividade aumente, o consumo é constante para a produção de carnes, por isso não haverá mudanças nas cotações no curto prazo”, comenta Silva.
A estimativa do USDA projeta a maior área de soja semeada na história dos EUA. Tal fato tem muito peso sobre o mercado de acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, do Departamento de Produção da Safras & Mercado. “Se o clima for normal, devemos ter novamente uma supersafra do maior país produtor de soja do mundo. Até agora o clima tem sido positivo para o desenvolvimento inicial das lavouras no Meio-Oeste e no Sudeste do país, regiões do cinturão produtor da oleaginosa. O plantio ocorreu sem problemas e acabou sendo finalizado antes do período médio normal. As condições das lavouras norte-americanas são consideradas ótimas, o que ampara o bom desenvolvimento da safra. As previsões para os próximos 100 dias também são positivas. Logo, hoje temos um quadro positivo para a safra dos EUA, mas é claro que o clima pode mudar. De qualquer maneira, o mercado se ajusta diariamente às alterações climáticas. Havendo uma nova supersafra norte-americana, devemos ver o mercado em Chicago trabalhando novamente próximo de US$ 10,00 por bushel. Do contrário, havendo perdas, Chicago pode voltar a trabalhar acima da linha de US$ 12,00, podendo testar patamares ainda mais altos (US$ 13,00; US$ 14,00), dependendo do tamanho das perdas, diz.
O analista comenta ainda que, sabendo que uma das principais variáveis para a formação dos preços praticados no mercado interno é Chicago, sem dúvida haverá impacto sobre as cotações, tanto para cima quanto para baixo. “Temos um mercado climático pelos próximos três meses que deverá definir os patamares da soja para o último semestre de 2016. A partir da colheita norte-americana, as atenções se voltam para a nova safra sul-americana. E a questão do câmbio pode ser decisiva para a consolidação dos preços interno”, acrescenta.
No caso do milho, o panorama também é semelhante. A questão climática é a mesma, havendo um mercado de clima norte-americano pela frente. O USDA indicou a semeadura de uma superárea de milho, acima da estimada inicialmente e a 3ª maior área da desde 1944, o que indica um grande potencial produtivo. “Diferente da soja, Chicago já começou a sentir a projeção de nova supersafra de milho, com os contratos voltando a trabalhar abaixo da linha de US$ 4,00 por bushel, perdendo fôlego e devendo testar patamares ainda mais baixos. As perdas produtivas da safrinha brasileira ajudaram a sustentar os preços internos nas últimas semanas, mas os ajustes negativos baseados em Chicago já começaram”, conclui.