O hábito de realizar acampamentos, pescarias e viagens em meio a natureza surgiu na infância. Motivado pelos pais Ivonyr Francisco Palmas e Denise Ghidini, o erechinense Guilherme Ghidini Palmas (32) trilhou experiências em lugares encantadores. Nos últimos anos, a aventura deixou de ser apenas trilhas e caminhadas para dar lugar a expedições 4x4, indo cada vez mais longe, superando dificuldades e evoluindo pouco a pouco nas organizações e aprendizados que envolvem esse universo.
Divisor de águas para a vida
Na adolescência fez parte de um grupo de escoteiros de Erechim, Grupo Tupinambás, e aprendeu sobre os cuidados necessário para prevenir imprevistos e acidentes. Mas o start no mundo off-road, deu-se após o início da pandemia da Covid-19, quando deparou-se com a necessidade de buscar meios próprios para chegar a locais de pouco e difícil acesso. Há cerca de dois anos conheceu o grupo de expedições “Família Outdoor”, um divisor de águas para a vida dele.
Da logística à comunicação
A viagem em grupo exige trabalho coletivo e com antecedência. A logística e organização começa pela escolha do destino e a data. A definição do roteiro vai determinar o tipo de acomodações necessárias, acampamento, pousadas, e hotéis. Cada veículo é responsável por sua subsistência, desde o preparo mecânico, os utensílios de higiene e alimentação, camping e demais equipamentos.
Preparação indispensável
Para transpor as dificuldades das trilhas e as distâncias percorridas, é preciso preparar os veículos. Algumas alterações são indispensáveis, tais como suspensão com maior altura em relação ao solo e maior rigidez para poder suportar o peso de todos os equipamentos, proteções em aço na parte inferior do veículos, pneus com maior resistência, aderência e tamanho. Como geralmente transitam em locais fora da cobertura de operadoras telefônicas, se faz necessário também a utilização de rádios comunicadores amadores em cada veículo.
“Ninguém fica para trás”
Imagine estar em um lugar com mais de 900 metros de altitude em algumas de suas escarpas. Esta foi a sensação do empresário ao visitar alguns dos lugares mais altos do RS. Dentre as diversas viagens e passeios, destaca-se a Expedição Rota dos Cânions, realizada de três a seis de setembro deste ano, nos cânions que cercam a cidade de Cambará do Sul, nos Parques Nacionais da Serra Geral e de Aparados da Serra. Geralmente, as expedições e os passeios são feitos em grupo, de cinco à 15 veículos, chegando a comportar mais de 30 pessoas em alguns casos. A união de diversas famílias com o mesmo objetivo, proporcionou aventuras naturais e a criação do grupo Família Outdoor. A partir daí, amigos tem o costume de viajar juntos, criando assim uma união com a máxima de que “ninguém fica pra trás”, nunca!
Adrenalina
A trilha 4x4 não é uma missão para amadores. Em meio a muitas pedras e atoleiros, durante quatro horas, Palmas, juntamente com os amigos, foi até um lugar escondido entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina chamado ‘Cânion Josafaz’. No lugar, o grupo passou as maiores dificuldades da expedição, com diversos veículos tendo que ser rebocados e consertados no meio do caminho. Porém, a “vista” lá de cima, compensou todo o esforço, “ao chegar tínhamos o céu aberto”, lembra.
100 metros de queda d’água cristalina
Não bastasse a dificuldade da trilha, a neblina chegou, repentinamente, como habitual, e tirou a visibilidade dos cânions e do caminho, trazendo ainda mais adrenalina a aventura. Com mais de 100 metros de queda d’água cristalina em meio a paredões de pedras intocadas, a expedição rendeu uma visita à cascata que permite chegar com os veículos 4x4 até o pé da cachoeira: a Cascata da Pedra Branca, em Três Forquilhas (RS).
Faltou embreagem
Como na vida, as expedições também nem sempre saem como o planejado. Algumas vezes é preciso ter paciência e entender que não há o controle de tudo. O clima e suas adversidades são a prova disso. No último dia da expedição na Rota dos Cânions em Cambará do Sul, devido ao peso que o carro comportava e a dificuldade encontrada nos caminhos, Guilherme precisou levar o veículo ao seu limite para transpor os obstáculos. “Aos poucos fui ficando sem embreagem, e no último dia, já na volta, infelizmente o carro parou, sendo necessário o apoio de um guincho para chegar de volta à Erechim”. Ele estava a mais de 40 km da cidade mais próxima, sendo necessário ser rebocado pelo grupo até o município gaúcho de São José dos Ausentes, onde foi possível acionar o seguro e voltar pra casa de carona com o guincho.
A última aventura realizada pelo empresário foi no feriado do dia 12 de outubro, em uma visita aos cânions do lado catarinense, escolhendo a cidade de Urubici, como ponto de partida. Fez toda a expedição sozinho, mas a chuva e a neblina não impediram realizar a trilha que dá acesso e leva até a borda do famoso Cânion do Funil.
Sonho ao “Fim do Mundo”
O desejo de concretizar os sonhos não cessa. Guilherme quer conhecer o fim do continente, saindo de Erechim e indo até a cidade do Ushuaia, na Argentina, localizada no arquipélago da Terra do Fogo, mais conhecido como “Fim do Mundo”. A organização para essa expedição já se iniciou e está sendo preparada para o mês de outubro do ano que vem. Serão mais de 10 mil quilômetros percorridos em no mínimo 20 dias de viajem, passando por pelo menos quatro países (Brasil, Uruguai, Chile e Argentina). Porém, a expedição apenas irá ocorrer com o fim das restrições e barreiras sanitárias em virtude da Covid-19.
Como acompanhar as aventuras
Para quem quiser acompanhar as aventuras, tirar dúvidas e compartilhar roteiros e experiências, basta seguir os perfis no Instagram: (@ghi.palmas) e (@Família.Outdoor). O empresário agradece alguns dos integrantes do grupo Família Outdoor que auxiliaram nesta caminhada, como Joel Vargas, Renato Pinto Souza, Rodrigo Nowakoski, Régis Badalotti, Jair Sulcoski, e todos os demais integrantes.