Desde muito pequena, Eliane Horszczaruk, 21 anos, gostava de estudar, ler livros e ver filmes. Seguidamente, ouvia os professores comentarem que sua oratória era boa e, a partir daí, começou a pensar na possibilidade de cursar Direito. Ademais, a jovem sempre quis fazer algo que pudesse ajudar o próximo para que o mundo fosse um pouco mais justo e digno. “Quando me inscrevi para os vestibulares não havia dúvidas, queria cursar Direito, mesmo ouvindo conselhos contrários sobre tal especialização. Persisti, afinal precisava fazer algo que eu gostasse”, conta.
Natural de Barão de Cotegipe, ingressou no curso por meio de vestibular e na época trabalhava com o irmão. Ela ressalta que o valor recebido não era o bastante para se manter. Apesar de não ter ninguém na família que atue na área, seus pais e o próprio irmão a apoiaram para continuar e sempre auxiliaram financeiramente, dentro do possível.
Trajetória até o ingresso no curso
Aos 14 anos começou a trabalhar como jovem aprendiz, em pregões eletrônicos. Concomitante aos finais de semana, também trabalhava com a madrinha em um salão de beleza, como manicure e pedicure. Ainda, no Ensino Médio enquanto se preparava para o ENEM e vestibulares, trabalhou como auxiliar de administração na auto elétrica do irmão, situada em Barão de Cotegipe. Com 17 anos prestou vestibular para Direito. Ao ser aprovada em várias instituições, escolheu iniciar a graduação na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus de Erechim.
Estágios
A partir do segundo semestre da graduação começou a estagiar em um escritório de advocacia previdenciário. Já em 2019, estagiou como auxiliar administrativa no Procon do município. Posteriormente, em maio de 2020, iniciou um novo estágio no Fórum de Erechim, mais especificadamente na 1ª Vara Cível. “Ao mesmo tempo, cessei minha atividade de manicure e pedicure para me dedicar mais à graduação”, lembra. Atualmente, estagia na 2ª Vara Criminal da Comarca de Erechim, com a Dra. Lilian Paula Franzmann.
Publicações
Eliane começou a formação acadêmica no primeiro semestre de 2018 e possui três artigos científicos e dois resumos expandidos publicados na URI e na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O primeiro artigo foi sobre o “Stalking e o ordenamento jurídico Penal Brasileiro: reflexões sobre a conduta e a necessidade de incriminação específica”, com a orientação da professora e mestre Diana Zanatta. Publicou junto a colega e amiga Charline, um resumo expandido a respeito do impacto da emenda constitucional Nº 103/2019 na aposentadoria especial, com orientação do professor e mestre Luciano Alves dos Santos. Neste ano, publicou um artigo referente a empresa e sua função social diante das recentes mudanças no ordenamento jurídico concursal, sob orientação da professora Alessandra Biasus.
Curso de Direito
O curso de Direito tem dez semestres. Durante a graduação são estudadas diversas áreas, mas o que mais fascinou a estudante foi o Direito Penal e Processo Penal. Antes mesmo de estagiar na 2ª Vara Criminal, já gostava desse ramo e queria ver a tramitação processual na prática. Logo, quando surgiu a possibilidade, aceitou o estágio de imediato. “Gosto bastante do estágio que tenho, percebo a situação das pessoas, que por vezes são frágeis ou com um passado conturbado. Vendo a teoria e a prática cresci imensamente como ser humano e me apaixonei mais do que nunca pelo Direito e Processo Penal”. Organizada, a jovem explica que após a definição do tema, passa a buscar os autores renomeados que falam sobre o assunto, e posteriormente faz fichamentos sobre as principais ideias. Após planejar quais tópicos serão abordados, sente-se segura sobre a temática e passa a escrevê-la.
Sociedade justa
Para ela, é essencial a existência do curso para alcançar uma sociedade justa, pois por meio dele consegue-se controlar o autoritarismo do Governo, dar voz aos injustiçados e permitir que as pessoas desenvolvam o seu senso crítico sobre os fatos que acontecem na sociedade. “O direito é fundamental para organizar as relações sociais, uma vez que ele é resultado de diversos atos ocorridos na comunidade, analisando sua relevância pode se tornando lei, regulando como as pessoas devem agir no coletivo”, pontua, esclarecendo que o Direito exige dos acadêmicos bastante leitura e que a universidade fornece o caminho da ética, da moral e promove alguns eventos para troca do conhecimento.
Organização de eventos
Dentre tantos eventos no curso, foi convidada recentemente pela professora mestre, Caroline Ceni, para ajudar na organização de um Júri Simulado no Colégio João Caruso, ocorrido nesta quinta-feira (11) em Erechim. O trabalho foi no sentido de fornecer informações de como ocorre um júri na vida real. “Aprendi muito em ambos os eventos, conciliar todas as atividades confesso que se torna complicado, em alguns momentos da via, mas ver o resultado final é muito gratificante”.
Projetos
Eliane se formará no segundo semestre de 2022. Em um primeiro momento planeja fazer a prova da OAB para estar habilitada a exercer a profissão de advogada. Contudo, pretende prestar concursos relacionados ao Direito Penal. “Serei uma eterna estudante, pois o conhecimento é uma virtude que podemos adquirir para ajudar quem está ao nosso redor e ninguém poderá tira-lo de nós. Então, sempre tive como principal objetivo estudar e acredito que isso permanecerá, pois faz parte de minha personalidade”, finaliza, explicando que é muito gratificante ter a possibilidade de acolher uma vítima que busca justiça, pelos traumas enfrentados e poder auxiliá-la, entendendo sua situação e não a julgando pelas consequências.